sábado, 14 de janeiro de 2017


Vida em Paralelo

 

                            O filme de Theo Angelopoulos, A Eternidade e um Dia, fala de um poeta que está prestes a morrer de doença fatal e gasta o último dia antes de amanhã, que é o Um Dia (e A Eternidade) citado no título às avessas, e o da sua morte presumida. Gasta vendo sua vida na Terra, estando presente com seu corpo velho em várias passagens.

                            O que vou propor não é uma imitação: um velho ainda, mas sem excluir suas fases jovens, desde criança, bebê ainda, ambos os corpos presentes, cada fase jovem, e o velho vendo de perto as oportunidades, por conta da lenda de que na morte a gente vê a vida toda passar diante dos olhos, como que num filme. Isso levado à extrema conseqüência. O velho sabendo o que vai acontecer logo adiante e nas várias ocasiões querendo desviar sua face jovem, sem poder, ou orientá-la para continuar a aproveitar o bem-bom, sem poder também. Enfim, é um prisioneiro de seus jovens atos.

                            Toda a sua vastíssima experiência de velho, porém com as inconseqüências de jovem. O ato jovem, um salto logo adiante para as conseqüências, retorno a vários pontos, novos saltos e assim por diante. É, como você já deve ter notado, o julgamento de cada um, a balança dos atos nisso que é o autojulgamento e não por Deus apenas - a própria mente julga seus atos.

                            Vitória, sábado, 07 de dezembro de 2002.

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