Vida em Paralelo
O
filme de Theo Angelopoulos, A Eternidade e um Dia, fala de um poeta que
está prestes a morrer de doença fatal e gasta o último dia antes de amanhã, que
é o Um Dia (e A Eternidade) citado no título às avessas, e o da sua morte
presumida. Gasta vendo sua vida na Terra, estando presente com seu corpo velho
em várias passagens.
O
que vou propor não é uma imitação: um velho ainda, mas sem excluir suas fases
jovens, desde criança, bebê ainda, ambos os corpos presentes, cada fase jovem,
e o velho vendo de perto as oportunidades, por conta da lenda de que na morte a
gente vê a vida toda passar diante dos olhos, como que num filme. Isso levado à
extrema conseqüência. O velho sabendo o que vai acontecer logo adiante e nas
várias ocasiões querendo desviar sua face jovem, sem poder, ou orientá-la para
continuar a aproveitar o bem-bom, sem poder também. Enfim, é um prisioneiro de
seus jovens atos.
Toda
a sua vastíssima experiência de velho, porém com as inconseqüências de jovem. O
ato jovem, um salto logo adiante para as conseqüências, retorno a vários
pontos, novos saltos e assim por diante. É, como você já deve ter notado, o
julgamento de cada um, a balança dos atos nisso que é o autojulgamento e não
por Deus apenas - a própria mente julga seus atos.
Vitória,
sábado, 07 de dezembro de 2002.
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