Precisão Escolhida
Como ficou dito no
Livro 38, artigo Circunferência,
Diâmetro e Pi, se de um lado há um transcendental cujas casas decimais vão
crescendo indefinidamente em número, que é, portanto, ilimitado, e um número,
D, então a circunferência do outro lado é sempre virtual, nunca se fecha
realmente. Desta forma VIRTUAL nunca pode ser PERFEITAMENTE MODELADO, vai
sempre haver uma falta. O mundo que Deus fez NUNCA se cumpre inteiramente na
Natureza. Ou seja, as Idéias platônicas jamais podem ser realizadas – dizendo
de outro modo o real é sempre tosca escultura da Beleza arquetípica.
O par polar
oposto/complementar VIRTUAL ~ REAL, isto é, o virtual NUNCA se cumpre. Os
racionais não poderão ver a Obra de Deus em vida; só quando morrermos, se
existe vida após a morte, é que veremos a Obra em Si e nos maravilharemos.
De prático nisso
tiramos que não há VIRTUAL = REAL, é sempre semelhante, mas nunca igual.
Escreveríamos V = γ.R, sendo γ (gama) o índice de desconfiança ou, em termos do
mundo praticável, a precisão escolhida, de tantas casas decimais. De modo que,
para sermos lógicos, deveríamos falar tanto na tecnociência quanto no
Conhecimento (Magia/Arte, Teologia/Religião, Filosofia/Ideologia,
Ciência/Técnica – menos em Matemática) de GRAUS DE PRECISÃO como tantas casas
decimais usadas na prática ou na teoria, assim: (2), significando duas casas
decimais em termos de precisão. Trabalhos científicos em mecânica quântica
talvez precisassem de (16).
Em resumo, não
alcançamos senão uma porçãozinha da beleza do virtual, que pode ser indicada
assim: (β) (beta, para beleza, indicando o limite virtual, o pluriverso tal
como concebido por, dizem, Deus).
Daí, podemos voltar
a essa passagem de Richard P. Feymann no livro citado, p. 52/3: “O objectivo
desta palestra é, precisamente, realçar o facto de ser impossível explicar
honestamente as belezas das leis naturais, de um modo que possa ser
verdadeiramente sentido, a alguém que não tenha um conhecimento profundo de
matemática. Lamento muito, mas parece que é assim”.
Não é verdade.
Como não é possível A
NENHUM RACIONAL atingir a virtualidade, que é a Beleza ou o Deus, nenhum
racional pode ter EXPERIÊNCIA DE BELEZA, só uma expectativa, um saber que está
lá sem ver, uma SENSAÇÃO DE BELEZA. Ninguém pode dizer que viu o Belo, mas que
sentiu a sua presença, sendo, por conseguinte, perfeitamente possível explicar
as belezas das leis naturais, já que os cientistas também NÃO SABEM, só sentem longinquamente
– se não sabem de experiência, basta falar que os outros também vão entender,
PORQUE o senso de beleza já está desenhado na alma de qualquer racional, do
mais miserável ao mais rico, do mais sábio ao mais estulto.
Quando a beleza se
fizer presente TODOS vão e cada um vai sentir sua presença inexplicável. Essa
falsa superioridade dos cientistas não passa de condescendência que esconde uma
ferida, a possessividade malsã, o querer ficar com o que é de todos.
Vitória,
terça-feira, 09 de setembro de 2003.
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