segunda-feira, 13 de março de 2017


Precisão Escolhida

 

                            Como ficou dito no Livro 38, artigo Circunferência, Diâmetro e Pi, se de um lado há um transcendental cujas casas decimais vão crescendo indefinidamente em número, que é, portanto, ilimitado, e um número, D, então a circunferência do outro lado é sempre virtual, nunca se fecha realmente. Desta forma VIRTUAL nunca pode ser PERFEITAMENTE MODELADO, vai sempre haver uma falta. O mundo que Deus fez NUNCA se cumpre inteiramente na Natureza. Ou seja, as Idéias platônicas jamais podem ser realizadas – dizendo de outro modo o real é sempre tosca escultura da Beleza arquetípica.

                            O par polar oposto/complementar VIRTUAL ~ REAL, isto é, o virtual NUNCA se cumpre. Os racionais não poderão ver a Obra de Deus em vida; só quando morrermos, se existe vida após a morte, é que veremos a Obra em Si e nos maravilharemos.

                            De prático nisso tiramos que não há VIRTUAL = REAL, é sempre semelhante, mas nunca igual. Escreveríamos V = γ.R, sendo γ (gama) o índice de desconfiança ou, em termos do mundo praticável, a precisão escolhida, de tantas casas decimais. De modo que, para sermos lógicos, deveríamos falar tanto na tecnociência quanto no Conhecimento (Magia/Arte, Teologia/Religião, Filosofia/Ideologia, Ciência/Técnica – menos em Matemática) de GRAUS DE PRECISÃO como tantas casas decimais usadas na prática ou na teoria, assim: (2), significando duas casas decimais em termos de precisão. Trabalhos científicos em mecânica quântica talvez precisassem de (16).

                            Em resumo, não alcançamos senão uma porçãozinha da beleza do virtual, que pode ser indicada assim: (β) (beta, para beleza, indicando o limite virtual, o pluriverso tal como concebido por, dizem, Deus).

                            Daí, podemos voltar a essa passagem de Richard P. Feymann no livro citado, p. 52/3: “O objectivo desta palestra é, precisamente, realçar o facto de ser impossível explicar honestamente as belezas das leis naturais, de um modo que possa ser verdadeiramente sentido, a alguém que não tenha um conhecimento profundo de matemática. Lamento muito, mas parece que é assim”.

                            Não é verdade.

                            Como não é possível A NENHUM RACIONAL atingir a virtualidade, que é a Beleza ou o Deus, nenhum racional pode ter EXPERIÊNCIA DE BELEZA, só uma expectativa, um saber que está lá sem ver, uma SENSAÇÃO DE BELEZA. Ninguém pode dizer que viu o Belo, mas que sentiu a sua presença, sendo, por conseguinte, perfeitamente possível explicar as belezas das leis naturais, já que os cientistas também NÃO SABEM, só sentem longinquamente – se não sabem de experiência, basta falar que os outros também vão entender, PORQUE o senso de beleza já está desenhado na alma de qualquer racional, do mais miserável ao mais rico, do mais sábio ao mais estulto.

                            Quando a beleza se fizer presente TODOS vão e cada um vai sentir sua presença inexplicável. Essa falsa superioridade dos cientistas não passa de condescendência que esconde uma ferida, a possessividade malsã, o querer ficar com o que é de todos.

                            Vitória, terça-feira, 09 de setembro de 2003.

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