Parentais Horizontais
No livro O que
é Vida?, Rio de Janeiro, Relume-Dumará, 2000, organizadores Charbel
Nino El-Hani e Antonio Augusto Passos Videira, p. 233 e seguintes, capítulo 10,
Vírus, Evolução e Origem da Vida,
Hyman Hartman, p. 236/7, o autor diz:
“(...) o próprio
processo de especiação, na medida em que ele deve estabelecer barreiras para o
fluxo gênico numa população que se reproduz de maneira sexuada. (...) Essa
dificuldade pode ser superada pela dispersão de tal rearranjo cromossômico por meio
de infecção. (...) Muitas mutações são causadas pela inserção de elementos
similares a vírus (elementos de inserção) em genes funcionais. Essas seqüências
de inserção têm muitas propriedades em comum com os retrovírus. Desse modo, a
variação dentro de um organismo pode muito bem ocorrer por um processo de
infecção. A fluidez do cromossomo é decorrente do movimento desses elementos de
inserção, saltando de sítio a sítio nos cromossomos do organismo”.
De fato, a Natureza
seria muito burra se usasse apenas o mecanismo de parentesco vertical, dentro
da mesma espécie por transferência sexual, o que favorece um estancamento ao
mesmo tempo favorável e ameaçador.
Se, porém, usando os
mosquitos e outras injeções vivas para transferir moléculas, as soluções encontradas
nuns organismos forem passadas a outros, ela pode usar como laboratórios várias
espécies, até centenas e milhares delas, que tenham compatibilidade virótica ou
bacteriana, para construir as defesas, que seriam passadas na horizontal. Sendo
assim, muitas de nossas vacinas podem estar em toda a Vida, em particular em
nossos primos, os antropóides, e vice-versa. E podem estar também lá os mapas
que nos seriam letais, vírus desconhecidos que podem se disseminar. Isso torna
ainda mais perigosa a extinção de espécies, desde que nelas, numa proximidade ambiental
qualquer, podem estar as defesas de males desconhecidos; desaparecidas as
defesas por extinção de espécies e ambientes, os males se projetariam no plano
genético mais amplo.
Assim, é do maior interesse
completar o restante do mapeamento, ou seja, os demais programas de
identificação dos genomas das espécies, em busca dessas vacinas de males que
nos afligem, isto é, de males que nós mesmos não fomos capazes de resolver,
encontrar solução em nós.
Vitória,
sexta-feira, 12 de setembro de 2003.
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