segunda-feira, 13 de março de 2017


Parentais Horizontais

 

                            No livro O que é Vida?, Rio de Janeiro, Relume-Dumará, 2000, organizadores Charbel Nino El-Hani e Antonio Augusto Passos Videira, p. 233 e seguintes, capítulo 10, Vírus, Evolução e Origem da Vida, Hyman Hartman, p. 236/7, o autor diz:

                            “(...) o próprio processo de especiação, na medida em que ele deve estabelecer barreiras para o fluxo gênico numa população que se reproduz de maneira sexuada. (...) Essa dificuldade pode ser superada pela dispersão de tal rearranjo cromossômico por meio de infecção. (...) Muitas mutações são causadas pela inserção de elementos similares a vírus (elementos de inserção) em genes funcionais. Essas seqüências de inserção têm muitas propriedades em comum com os retrovírus. Desse modo, a variação dentro de um organismo pode muito bem ocorrer por um processo de infecção. A fluidez do cromossomo é decorrente do movimento desses elementos de inserção, saltando de sítio a sítio nos cromossomos do organismo”.

                            De fato, a Natureza seria muito burra se usasse apenas o mecanismo de parentesco vertical, dentro da mesma espécie por transferência sexual, o que favorece um estancamento ao mesmo tempo favorável e ameaçador.

                            Se, porém, usando os mosquitos e outras injeções vivas para transferir moléculas, as soluções encontradas nuns organismos forem passadas a outros, ela pode usar como laboratórios várias espécies, até centenas e milhares delas, que tenham compatibilidade virótica ou bacteriana, para construir as defesas, que seriam passadas na horizontal. Sendo assim, muitas de nossas vacinas podem estar em toda a Vida, em particular em nossos primos, os antropóides, e vice-versa. E podem estar também lá os mapas que nos seriam letais, vírus desconhecidos que podem se disseminar. Isso torna ainda mais perigosa a extinção de espécies, desde que nelas, numa proximidade ambiental qualquer, podem estar as defesas de males desconhecidos; desaparecidas as defesas por extinção de espécies e ambientes, os males se projetariam no plano genético mais amplo.

                            Assim, é do maior interesse completar o restante do mapeamento, ou seja, os demais programas de identificação dos genomas das espécies, em busca dessas vacinas de males que nos afligem, isto é, de males que nós mesmos não fomos capazes de resolver, encontrar solução em nós.

                            Vitória, sexta-feira, 12 de setembro de 2003.

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