Ou Não Veja ou Não
Leia
Nos idos de 1969,
quando foi lançada, a Veja ainda se
chamava Leia e Veja, depois devem
ter chegado à conclusão de que ler seria pedir muito e se contentaram em
folhear a revista, que, creio, é a melhor revista fascista do Brasil.
Não leio revistas e jornais,
as notícias são bem picotadinhas, pequenininhas mesmo, não “dá suco”, como diz
o povo – há pouca substância aproveitável. Assim, fora o Mainardi na Veja e às vezes o Joelmir Betting na Gazeta deixo passar o resto. De vez em
quando Gabriel reporta, e falou recentemente da crítica sobre o novo filme
não-lançado de Sean Connery (vai sair amanhã, 12/09), A Liga Extraordinária, que a crítica malhou, obviamente, menos os
trinta minutos iniciais. Fora a crítica não ver nunca o sentido oculto comum e
o sentido oculto mostrado pela Rede Cognata (veja Livro 2, Rede e Grade Signalíticas), ela tem quase nenhuma consideração pelo
povo, que vai lá só para se divertir. E já que querem levar a tão alto nível a
questão, coloquemos algumas perguntas pertinentes.
UMA LISTA DE QUESITOS (que a crítica deveria “ticar”)
·
O
desempenho dos atores e atrizes, individualmente, dos maiores aos menores, que
fazem pontas;
·
Os
cuidados de produção;
·
A
caracterização;
·
Os
cortes e a finalização;
·
A
pós-produção;
·
O
objetivo geral do projeto;
·
O
roteiro em si (da qualidade de seu proponente original e dos escriptadores para
tela);
·
Os
detalhes de filmagem;
·
As
novidades de enfoque da direção;
·
A
fotografia, como gerência geral da luz e dos objetos que são trazidos à tela
plana, para visão, em vários planos de atenção;
·
Os
valores industriais da tarefa (filmes podem custar 300 milhões de dólares, como
as duas partes finais da trilogia de Matrix), pois com dinheiro assim dá para
colocar fábricas imensas alternativas;
·
O
significado do Cinema para o Capitalismo, enquanto contenção de ânimo, e mais,
como dispersão das pressões psicológicas (das figuras ou psicanálises, dos
objetivos ou psico-sínteses, das produções ou economias, das organizações ou
sociologias, dos espaçotempos ou geo-histórias);
·
A
conexividade
dos elementos todos, isto é, a integridade dos componentes do filme;
·
O
efeito geral produzido nas classes (do Labor: operários, intelectuais,
financistas, militares e burocratas; da produção: agropecuária/extrativista, industria,
comercial, de serviços e bancária; e outras bandeiras);
·
E
assim por diante, porque poderíamos discorrer durante muito tempo.
Nunca dei muita importância à Crítica
geral. Cago e ando para ela, seja qual for, embora eu saiba que deveria
selecionar o joio desprezível do trigo alimentar, e me servir deste. Certos
críticos não fazem esforço para LER FAVORAVELMENTE, porque dependem de mostrar
opiniões conflitantes com o prazer geral, que seria em tese burro e equivocado.
Pelo contrário ou nem sempre, conforme sejamos otimistas ou apenas ponderados.
Eles tiram o prazer da gente de ir lá assistir e se assombrar com a imaginação
dos criadores, além de não verem o panorama geral. Enfim, são, no geral, muito
aborrecidos.
Vitória, quinta-feira, 11 de setembro de
2003.
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