segunda-feira, 13 de março de 2017


Ou Não Veja ou Não Leia

 

                            Nos idos de 1969, quando foi lançada, a Veja ainda se chamava Leia e Veja, depois devem ter chegado à conclusão de que ler seria pedir muito e se contentaram em folhear a revista, que, creio, é a melhor revista fascista do Brasil.

                            Não leio revistas e jornais, as notícias são bem picotadinhas, pequenininhas mesmo, não “dá suco”, como diz o povo – há pouca substância aproveitável. Assim, fora o Mainardi na Veja e às vezes o Joelmir Betting na Gazeta deixo passar o resto. De vez em quando Gabriel reporta, e falou recentemente da crítica sobre o novo filme não-lançado de Sean Connery (vai sair amanhã, 12/09), A Liga Extraordinária, que a crítica malhou, obviamente, menos os trinta minutos iniciais. Fora a crítica não ver nunca o sentido oculto comum e o sentido oculto mostrado pela Rede Cognata (veja Livro 2, Rede e Grade Signalíticas), ela tem quase nenhuma consideração pelo povo, que vai lá só para se divertir. E já que querem levar a tão alto nível a questão, coloquemos algumas perguntas pertinentes.

                            UMA LISTA DE QUESITOS (que a crítica deveria “ticar”)

·        O desempenho dos atores e atrizes, individualmente, dos maiores aos menores, que fazem pontas;

·        Os cuidados de produção;

·        A caracterização;

·        Os cortes e a finalização;

·        A pós-produção;

·        O objetivo geral do projeto;

·        O roteiro em si (da qualidade de seu proponente original e dos escriptadores para tela);

·        Os detalhes de filmagem;

·        As novidades de enfoque da direção;

·        A fotografia, como gerência geral da luz e dos objetos que são trazidos à tela plana, para visão, em vários planos de atenção;

·        Os valores industriais da tarefa (filmes podem custar 300 milhões de dólares, como as duas partes finais da trilogia de Matrix), pois com dinheiro assim dá para colocar fábricas imensas alternativas;

·        O significado do Cinema para o Capitalismo, enquanto contenção de ânimo, e mais, como dispersão das pressões psicológicas (das figuras ou psicanálises, dos objetivos ou psico-sínteses, das produções ou economias, das organizações ou sociologias, dos espaçotempos ou geo-histórias);

·        A conexividade dos elementos todos, isto é, a integridade dos componentes do filme;

·        O efeito geral produzido nas classes (do Labor: operários, intelectuais, financistas, militares e burocratas; da produção: agropecuária/extrativista, industria, comercial, de serviços e bancária; e outras bandeiras);

·        E assim por diante, porque poderíamos discorrer durante muito tempo.

Nunca dei muita importância à Crítica geral. Cago e ando para ela, seja qual for, embora eu saiba que deveria selecionar o joio desprezível do trigo alimentar, e me servir deste. Certos críticos não fazem esforço para LER FAVORAVELMENTE, porque dependem de mostrar opiniões conflitantes com o prazer geral, que seria em tese burro e equivocado. Pelo contrário ou nem sempre, conforme sejamos otimistas ou apenas ponderados. Eles tiram o prazer da gente de ir lá assistir e se assombrar com a imaginação dos criadores, além de não verem o panorama geral. Enfim, são, no geral, muito aborrecidos.

Vitória, quinta-feira, 11 de setembro de 2003.

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