O Reforço Marxista de
Cristo
Como já disse tantas
vezes, Cristo criou um atrator entre a esquerda e a direita, entre pobres e
ricos, entre todos os pares polares de opostos/complementares. Em particular
tendeu a fechar o fosso da riqueza, que colocava patrícios e plebeus em
posições completamente antagônicas.
Tanto Cristo quanto
Marx eram judeus.
Mesmo sem, de modo
algum (o repúdio seria total, tanto de Marx quanto de seus seguidores), afinar
a sua mensagem com a mais antiga de Cristo, Marx veio reforçar, em pano de
fundo, a mensagem do Cristo original (contra a Igreja, que havia degenerado, é
óbvio – tanto a Católica quando a Reformada em geral), querendo definitivamente
o fim do fosso que separava ricos (A), médios-altos (B), pobres (C) e
miseráveis (D), através do comunismo, a sobreafirmação do comum, A IGUALDADE
TOTAL DO TER (o que será sempre estatisticamente impossível, diz o modelo).
O coletivismo judeu
de ambos, aquela coisa tribal de partilhamento da posse e das aspirações ou
objetivos, naturalmente passou através de Cristo aos romanos e gregos, fundando
sua Igreja, e por meio de Marx, alemão e europeu, passará à Europa e ao
Ocidente todo. Como prática e teoria de distribuição dá às elites motivação
para ir mais longe e mais alto na absorção dos quadrantes todos da Terra, pela
cessão dos processobjetos e dos programáquinas fabricados e postos a circular,
mercê de uma Socioeconomia e de uma Psicologia que têm fundido os elementos
judaicos e greco-romanos, de um lado, através de Cristo, e nórdicos-mediterrâneos,
pelo lado de Marx.
Indubitavelmente, na
medida em que seja compreendido como um vetor, mais que ético,
utilitário-acumulativo, a soma de Cristo + Marx dará ao Ocidente um alento
poderosíssimo, uma renovação formidável, uma carga nova de energia
propulsionadora do Conhecimento em geral e em particular da tecnociência
sótero-libertadora. Aqueles de Cristo (como na Teologia da Libertação – leia-se
também Pedagogia da Libertação Cristã) que pregam essa união mutuamente
benéfica e aqueles de Marx (como nas vertentes cínico-recuperadoras do “Cristo
dos Primórdios” como revolucionário) que a aceitam com trejeitos de
pseudo-rebaixamento, na medida em que sublimem as falsas ânsias de vômito numa
ligação costurada em duplo apreço, poderão dar ao Ocidente essa renovação
energética que o Oriente, a África, os Árabes e outros vetores independentes
longe estão de poder parear, fora a China do Caminho de Duas Vias, e o Japão
cristianizado, se este conseguir acomodar através das escolas a nova fusão.
Eis uma novidade que
parece ser aquela que eu esperava ver como fazendo frente ao poder novo da
Esfera do Oriente capitaneada pelo Caminho de Duas Vias da China e outras
tendências que venho mostrando nos textos.
Dá alento ao
Ocidente durante mais alguns séculos.
E há Lênin, no amplo
arco que vai da Rússia Ocidental à Rússia Oriental, fora a modelação
originalíssima de Fidel e troupe em Cuba, cuja absorção ainda está no futuro.
Vitória,
quinta-feira, 04 de setembro de 2003.
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