sexta-feira, 10 de março de 2017


O Reforço Marxista de Cristo

 

                            Como já disse tantas vezes, Cristo criou um atrator entre a esquerda e a direita, entre pobres e ricos, entre todos os pares polares de opostos/complementares. Em particular tendeu a fechar o fosso da riqueza, que colocava patrícios e plebeus em posições completamente antagônicas.

                            Tanto Cristo quanto Marx eram judeus.

                            Mesmo sem, de modo algum (o repúdio seria total, tanto de Marx quanto de seus seguidores), afinar a sua mensagem com a mais antiga de Cristo, Marx veio reforçar, em pano de fundo, a mensagem do Cristo original (contra a Igreja, que havia degenerado, é óbvio – tanto a Católica quando a Reformada em geral), querendo definitivamente o fim do fosso que separava ricos (A), médios-altos (B), pobres (C) e miseráveis (D), através do comunismo, a sobreafirmação do comum, A IGUALDADE TOTAL DO TER (o que será sempre estatisticamente impossível, diz o modelo).

                            O coletivismo judeu de ambos, aquela coisa tribal de partilhamento da posse e das aspirações ou objetivos, naturalmente passou através de Cristo aos romanos e gregos, fundando sua Igreja, e por meio de Marx, alemão e europeu, passará à Europa e ao Ocidente todo. Como prática e teoria de distribuição dá às elites motivação para ir mais longe e mais alto na absorção dos quadrantes todos da Terra, pela cessão dos processobjetos e dos programáquinas fabricados e postos a circular, mercê de uma Socioeconomia e de uma Psicologia que têm fundido os elementos judaicos e greco-romanos, de um lado, através de Cristo, e nórdicos-mediterrâneos, pelo lado de Marx.

                            Indubitavelmente, na medida em que seja compreendido como um vetor, mais que ético, utilitário-acumulativo, a soma de Cristo + Marx dará ao Ocidente um alento poderosíssimo, uma renovação formidável, uma carga nova de energia propulsionadora do Conhecimento em geral e em particular da tecnociência sótero-libertadora. Aqueles de Cristo (como na Teologia da Libertação – leia-se também Pedagogia da Libertação Cristã) que pregam essa união mutuamente benéfica e aqueles de Marx (como nas vertentes cínico-recuperadoras do “Cristo dos Primórdios” como revolucionário) que a aceitam com trejeitos de pseudo-rebaixamento, na medida em que sublimem as falsas ânsias de vômito numa ligação costurada em duplo apreço, poderão dar ao Ocidente essa renovação energética que o Oriente, a África, os Árabes e outros vetores independentes longe estão de poder parear, fora a China do Caminho de Duas Vias, e o Japão cristianizado, se este conseguir acomodar através das escolas a nova fusão.

                            Eis uma novidade que parece ser aquela que eu esperava ver como fazendo frente ao poder novo da Esfera do Oriente capitaneada pelo Caminho de Duas Vias da China e outras tendências que venho mostrando nos textos.

                            Dá alento ao Ocidente durante mais alguns séculos.

                            E há Lênin, no amplo arco que vai da Rússia Ocidental à Rússia Oriental, fora a modelação originalíssima de Fidel e troupe em Cuba, cuja absorção ainda está no futuro.

                            Vitória, quinta-feira, 04 de setembro de 2003.

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