O Que Falta às Elites
Latinas?
Contando que
povelite ou nação sejam 50/50 as partes constitutivas do conjunto nacional, por
exemplo, o Brasil e demais países da América do Sul, da América Central, do
Caribe, e do que é em geral denominado América Latina, perguntaríamos POR QUÊ
as elites daqui não conseguem capitanear seus povos à libertação?
Uma das respostas,
que já dei, é que não foram suficientemente cristianizadas e, por conseguinte,
não conseguiram vencer o fosso que existia primordialmente e ainda existe entre
elas e seus povos. É uma resposta muito satisfatória e dá conta de quase tudo.
Entrementes, pode ser acrescida de lhes faltar projeto EXTERNIZANTE, que vá de
dentro para fora. Em geral as elites centrais, isto é, as burguesias dos países
centrais dão-lhes como projetos oporem-se aos seus povos e nisso foram sempre
muito boas: sistematicamente as elites latinas, por 500 anos, derrotaram seus
povos. E quando quiseram derrotaram sempre os estrangeiros, onde quer que
fosse, o que prova sua competência geral.
São, sem dúvida
alguma, competentes.
Agora, nunca lhes
foi dada a tarefa de construir AUTONOMAMENTE os povelites independentes e
soberanos, seja, digamos, o brasileiro, seja um comum latinamericano ou sulamericano.
Quando isso esteve prestes a acontecer preventivamente as forças antagônicas a
essa direção e sentido interpuseram-se e desenharam outros trajetos, como nos
sucessivos golpes. Falando diretamente, FALTOU PROJETO. Faltou PROJETO PRÁTICO,
de fazer, de agir, de construir, até daquele construtivismo que sai trocando
montanhas de lugar, e faltou PROJETO TEÓRICO, de pensar.
Não houve um tão
largo pensamento e sentimento que as fascinasse, a uma isolada, como a
brasileira, ou a todas juntas. Não teve nada tão alto que as pusesse isolada ou
coletivamente em movimento. Aí, seriam imbatíveis, no pensar e no sentir, como
tantas vezes demonstraram. Mas teria de ser um projeto realmente alto,
gigantesco, que iluminasse o mundo.
Então, minha
resposta para a pergunta é que falta esse projeto duplo, sentimental e racional
ao mesmo tempo, segundo o qual as elites latinas não servissem somente a sim
mesmas, mas também aos seus povos. Neste caso derrotariam facilmente os
estrangeiros.
Vitória,
quinta-feira, 04 de setembro de 2003.
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