sexta-feira, 10 de março de 2017


O Que Falta às Elites Latinas?

 

                            Contando que povelite ou nação sejam 50/50 as partes constitutivas do conjunto nacional, por exemplo, o Brasil e demais países da América do Sul, da América Central, do Caribe, e do que é em geral denominado América Latina, perguntaríamos POR QUÊ as elites daqui não conseguem capitanear seus povos à libertação?

                            Uma das respostas, que já dei, é que não foram suficientemente cristianizadas e, por conseguinte, não conseguiram vencer o fosso que existia primordialmente e ainda existe entre elas e seus povos. É uma resposta muito satisfatória e dá conta de quase tudo. Entrementes, pode ser acrescida de lhes faltar projeto EXTERNIZANTE, que vá de dentro para fora. Em geral as elites centrais, isto é, as burguesias dos países centrais dão-lhes como projetos oporem-se aos seus povos e nisso foram sempre muito boas: sistematicamente as elites latinas, por 500 anos, derrotaram seus povos. E quando quiseram derrotaram sempre os estrangeiros, onde quer que fosse, o que prova sua competência geral.

                            São, sem dúvida alguma, competentes.

                            Agora, nunca lhes foi dada a tarefa de construir AUTONOMAMENTE os povelites independentes e soberanos, seja, digamos, o brasileiro, seja um comum latinamericano ou sulamericano. Quando isso esteve prestes a acontecer preventivamente as forças antagônicas a essa direção e sentido interpuseram-se e desenharam outros trajetos, como nos sucessivos golpes. Falando diretamente, FALTOU PROJETO. Faltou PROJETO PRÁTICO, de fazer, de agir, de construir, até daquele construtivismo que sai trocando montanhas de lugar, e faltou PROJETO TEÓRICO, de pensar.

                            Não houve um tão largo pensamento e sentimento que as fascinasse, a uma isolada, como a brasileira, ou a todas juntas. Não teve nada tão alto que as pusesse isolada ou coletivamente em movimento. Aí, seriam imbatíveis, no pensar e no sentir, como tantas vezes demonstraram. Mas teria de ser um projeto realmente alto, gigantesco, que iluminasse o mundo.

                            Então, minha resposta para a pergunta é que falta esse projeto duplo, sentimental e racional ao mesmo tempo, segundo o qual as elites latinas não servissem somente a sim mesmas, mas também aos seus povos. Neste caso derrotariam facilmente os estrangeiros.

                            Vitória, quinta-feira, 04 de setembro de 2003.

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