quarta-feira, 15 de março de 2017


O Redutor de Sagan

 

                            No livro de Carl Sagan, Bilhões e Bilhões (reflexões sobre vida e morte na virada do milênio), São Paulo, Cia. das Letras, 1998 (reimpressão de 2002, sobre original americano de 1997), capítulo 13, p. 150 e seguintes, Religião e Ciência: Uma Aliança, p. 152, ele diz: “Sem dúvida, a vida sobre a Terra prosperou bastante bem por 4 bilhões de anos sem ‘administradores’. Os trilobites e os dinossauros, que em separado andaram por aqui durante mais de 100 milhões de anos, talvez se divertissem com uma espécie que, existindo há apenas mil anos, decide se nomear guardiã da vida sobre a Terra”.

                            E é, de fato.  Veremos como.

                            Como sempre colocamos o Conhecimento (Magia-Arte, Teologia-Religião, Filosofia-Ideologia, Ciência-Técnica e Matemática). Por seu pólo tecnocientífico, na pontescada científica (Física/Química, Biologia/p.2, Psicologia/p.3, Informática/p.4, cosmologia/p.5 e Dialógica/p.6), vemos que passamos o patamar Biológico/p.2 e estamos agora no nível Psicológico/p.3.

                            A P/p.3 se abre em PESSOAS (indivíduos, famílias, grupos e empresas) e AMBIENTES (municípios/cidades, estados, nações e mundo). Os 6,3 bilhões de indivíduos vivos hoje não estão soltos, estão costurados (pela língua e outras fitas de herança) em SETE níveis superiores, de forma que a coisa toda não é mais apenas quantitativa, biológica ao modo dos trilobites e dos dinossauros e seus 100 milhões de anos. O ser humano é o cristal na ponta da lança da Criação, como venho dizendo faz tempo.

                            As redes todas, daquelas familiares até a rede mundial que começa a se desenhar via globalização ou planetarização ou mundialização, são poderosas. Nem de longe os dinossauros tiveram sequer uma fração minúscula do poder conjunto da humanidade de mover montanhas, de transferir através dos oceanos centenas de milhões de toneladas, de enviar cápsulas aos mundos, de desregular a temperatura terrestre e coisas assim, que seria demorado listar. O planeta controlava os dinossauros, ao passo que (ainda que mal ajustado) exercemos info-controle planetário. Não é nenhum motivo de satisfação pensar em nossos erros, mas sem dúvida alguma é verdade que a humanidade é a administradora da Terra, queira ou não reconhecer isso.

                            Penso que deve reconhecer que sim e se comportar melhor, à altura de suas tarefas. Não é orgulho satânico ver nossas obrigações. É-o querer reduzir os seres humanos a meros joguetes irresponsáveis das forças.

                            Vitória, sábado, 13 de setembro de 2003.

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