O Redutor de Sagan
No livro de Carl
Sagan, Bilhões e Bilhões (reflexões
sobre vida e morte na virada do milênio), São Paulo, Cia. das Letras, 1998
(reimpressão de 2002, sobre original americano de 1997), capítulo 13, p. 150 e
seguintes, Religião e Ciência: Uma
Aliança, p. 152, ele diz: “Sem dúvida, a vida sobre a Terra prosperou
bastante bem por 4 bilhões de anos sem ‘administradores’. Os trilobites e os
dinossauros, que em separado andaram por aqui durante mais de 100 milhões de
anos, talvez se divertissem com uma espécie que, existindo há apenas mil anos,
decide se nomear guardiã da vida sobre a Terra”.
E é, de fato. Veremos como.
Como sempre
colocamos o Conhecimento (Magia-Arte, Teologia-Religião, Filosofia-Ideologia,
Ciência-Técnica e Matemática). Por seu pólo tecnocientífico, na pontescada
científica (Física/Química, Biologia/p.2, Psicologia/p.3, Informática/p.4,
cosmologia/p.5 e Dialógica/p.6), vemos que passamos o patamar Biológico/p.2 e
estamos agora no nível Psicológico/p.3.
A P/p.3 se abre em
PESSOAS (indivíduos, famílias, grupos e empresas) e AMBIENTES
(municípios/cidades, estados, nações e mundo). Os 6,3 bilhões de indivíduos
vivos hoje não estão soltos, estão costurados (pela língua e outras fitas de
herança) em SETE níveis superiores, de forma que a coisa toda não é mais apenas
quantitativa, biológica ao modo dos trilobites e dos dinossauros e seus 100
milhões de anos. O ser humano é o cristal na ponta da lança da Criação, como
venho dizendo faz tempo.
As redes todas,
daquelas familiares até a rede mundial que começa a se desenhar via
globalização ou planetarização ou mundialização, são poderosas. Nem de longe os
dinossauros tiveram sequer uma fração minúscula do poder conjunto da humanidade
de mover montanhas, de transferir através dos oceanos centenas de milhões de
toneladas, de enviar cápsulas aos mundos, de desregular a temperatura terrestre
e coisas assim, que seria demorado listar. O planeta controlava os dinossauros,
ao passo que (ainda que mal ajustado) exercemos info-controle planetário. Não é
nenhum motivo de satisfação pensar em nossos erros, mas sem dúvida alguma é
verdade que a humanidade é a administradora da Terra, queira ou não reconhecer
isso.
Penso que deve
reconhecer que sim e se comportar melhor, à altura de suas tarefas. Não é
orgulho satânico ver nossas obrigações. É-o querer reduzir os seres humanos a
meros joguetes irresponsáveis das forças.
Vitória, sábado, 13
de setembro de 2003.
Nenhum comentário:
Postar um comentário