O Sonho e o Pesadelo
de Hardy
No livro já citado
de Freeman Dyson, p. 8, ele diz de Hardy: “Ele era um verdadeiro matemático
puro, e a mensagem de seu livro é que a matemática pura é o único tipo de
matemática digno de respeito”. E abaixo: “E via a matemática aplicada como uma
matemática de segunda classe, que com freqüência fazia mais mal do que bem, e
abominava a matemática aplicada com especial intensidade quando ela tinha algo
a ver com a guerra”. Na p. 9: “Quando eu estava projetando máquinas, costumava
pensar na mais famosa declaração do livro de Hardy, aquela que expressava em
poucas e amargas palavras sua aversão pela ciência aplicada: ‘Uma ciência é
dita útil se seu desenvolvimento tende a acentuar as desigualdades existentes
na distribuição de riqueza, ou se promove mais diretamente a destruição da vida
humana’”.
Hardy não aparece na
Barsa eletrônica e é preciso ir até a Britannica de papel ou eletrônica para
saber algo dele: matemático inglês, 1877 – 1947.
Em primeiro lugar os
pares polares opostos/complementares estão sempre fundidos (ainda que não sob
vistas humanas), de modo que Hardy estava errado desde o início em separar as
matemáticas pura e aplicada, quer dizer, teórica e prática, porque ela é um
todo prateórico. Depois, ele se configura como uma daquelas figuras escravistas
de origem, de antes de Filo de Alexandria ter processado a junção da razão
grega com a fé judaica em torno do ano zero, o que foi o suporte dos avanços
introduzidos por Cristo e compactados por São Paulo que permitiram o fechamento
parcial do fosso entre povos e elites, permitindo o aparecimento dos povelites
ou nações ou culturas e tudo que é modernidade e contemporaneidade cozinhada
nas forjas da Idade Média.
Era um alexandrino
pré-Filo, que sonhava viver em contemplação da Mente de Deus, digamos assim, a
Matemática (pura). Como não podia realizar seu sonho, pois corretamente o
Ocidente optara pela aplicação ou prática basilar da Matemática a todo o
Conhecimento, Hardy sofria constante pesadelo. Pobre Hardy, viveu dois mil anos
depois de sua época – uma encarnação errada. Ê, tomem mais cuidado aí em cima!
Vitória, domingo, 14
de setembro de 2003.
Nenhum comentário:
Postar um comentário