O Olhar do Povo
Evidentemente quando
LEMOS a mídia (TV, Revista, Jornal, Livro/Editoria, Rádio e Internet) o que
vemos é sempre o olhar dos dominantes sobre os dominados, sua interpretação de
como o mundo é, de como são as PESSOAS (indivíduos, famílias, grupos, empresas)
e os AMBIENTES (municípios/cidades, estados, nações e mundo). É uma leitura de
dentro para fora, nunca de fora para dentro. A burguesia e as elites nunca se
vêem retratadas – e muito menos com cores desfavoráveis.
Mesmo quando dizem
de um Jornal Popular ainda são os intelectuais, os sapos palradores e
coaxadores que olham e julgam, como serviço de classe. Estou para ver, e seria
muito interessante, um veículo mostrar realmente as classes dominantes (todas
elas) DE FORA. Para isso é preciso DUPLO serviço de reflexão: a) REFLEXÃO
RACIONAL e b) REFLEXÃO SENTIMENTAL.
Isso de reflexão
quer dizer um espelho, algo que altera esquerda para direita, beleza para
feiúra, liberdade para prisão, todos os pares polares de
opostos/complementares, de modo que o médico veja dentro de si o monstro que
criou e que, agora, cria-o também. INVERTER OS SIGNOS, digamos assim. Ora, isso
não é fácil, porque há várias tentações.
AS TENTAÇÕES DOS ESCRIBAS
·
Frequentar
os bufês da burguesia;
·
Sonhar
com passeios em iates de 300 pés;
·
Imaginar-se
nas colunas dos “perfeitos”;
·
Receber
nas costas tapinhas de pertinência grupal;
·
Ser
reconhecido na multidão como um aderente útil ao projeto geral da classe
dominante;
·
Ir
aos restaurantes da moda;
·
Listar
as alturas visitadas no panteão dos semideuses semi-olímpicos, provinciais que
sejam;
·
Esforçar-se
por ostentar os brilhos das camuflagens mais aplaudidas na moda da estação, e
assim por diante.
É muito difícil renunciar.
É porisso mesmo que o olhar do povo
continua até hoje, depois de tantos milênios, à espera dos santos e sábios que
queiram ser seus cristalinos, o poder transferidor. Além do quê, é claro,
sempre que há um candidato sério, sendo santo ou sábio, ele é caçado, queimado
na fogueira, flechado, retalhado, enforcado, desmembrado, eletrocutado,
enforcado, etc. Ai, que arrepio! Mas que seria curioso, isso seria mesmo.
Vitória, sexta-feira, 05 de setembro
de 2003.
José Augusto Gava.
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