O Mês Seguinte
O Dia Seguinte (The Day After) foi um filme chocante de 1983,
baseado no relatório real denominado Inverno
Nuclear, de Carl Sagan e outros, segundo o qual mesmo uma troca moderada de
mísseis nucleares levantaria um escudo que impediria a penetração dos raios
solares e lançaria a Terra num inverso artificial que potencialmente acabaria
com a Vida quase toda. Desviou o curso das discussões acadêmicas e
provavelmente incrementou a queda da URSS. Mostrava a devastação o mais
realisticamente possível e fez desmoronar completamente as ilusões dos
armamentistas.
Depois fizeram
vários filmes interessantes, inclusive um em que Moscou é atingida por mísseis,
devido a um erro de comunicação, e em contrapartida, para não levar adiante uma
guerra ainda mais devastadora, o Secretário de Estado da URSS exige e obtém retaliação
de mesmo porte, ou seja, o bombardeio seletivo de nova Iorque, onde iria morrer
número mais ou menos equivalente de americanos.
Filmaram o Outubro Vermelho, com Sean Connery, em que
este como comandante de um submarino soviético vai até as costas americanas.
Por pouco não houve um esquentamento em 1986. Agora estou assistindo o K-19, com Harrison Ford, que conta o
incidente de 1961 (que só pôde vir a público 28 anos depois), quando o dito
submarino vazou radiação e quase houve uma crise real. Sem falar da Crise dos
Mísseis de Cuba, de 1962. Agora que estão vindo à tona os arquivos,
multiplicam-se as notícias de que o mundo poderia ter ido para o brejo várias
vezes de 1945 a 1991.
Penso
aqui em uma troca efetiva de mísseis - abatendo todas as principais cidades -
vista depois de um mês, de um ano, de uma década, de um século. Contando a
geo-história dos sobreviventes da forma mais realística possível, com consulta
aos pesquisadores (magos/artistas, teólogos/religiosos, filósofos/ideólogos,
cientistas/técnicos e matemáticos), num filme-piloto e depois numa série, de
tal modo que fique bem marcada a loucura em que estávamos mergulhados.
As pessoas deveriam
ter chance de olhar a destruição fictícia de tudo que nos é grato (praias,
obras de arte, bibliotecas, tudo mesmo), restando um tanto de humanos
estropiados – mas sem recorrer àquela bobagem de mutantes e radiações esperando
nas esquinas para bater nas criancinhas.
Vitória, sábado, 13
de setembro de 2003.
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