segunda-feira, 13 de março de 2017


O Livro

 

                            Fora as outras análises sobre o Livro (em maiúsculas conjunto ou família ou grupo de livros, a Editoria) que já fiz, se trata agoraqui de ver o livro como uma barreira que permite um salto qualitativo, especialmente os didáticos. Nenhum meio (nem TV, nem Rádio, nem Revista, nem Jornal, nem Internet) tem, NEM DE LONGE, essa capacidade extraordinária de servir de propulsor ao leitor.

                            Lá está o autor como PESSOA (indivíduo, família, grupo, empresa) ou AMBIENTE (município/cidade, estado, nação, mundo), em todas as oportunidades de aprendizado que uma civilização que já tem dez mil anos (desde Jericó) de continuidade cumulativa do Conhecimento (Magia/Arte, Teologia/Religião, Filosofia/Ideologia, Ciência/Técnica e Matemática). Lá está a Editora (como coletivo mundial de aprendizado, já com muitos séculos de sabedoria acumulada), com tudo que ela significa como corpo tecnartístico que prepara os livros para publicação, sustenta sua transferência às lojas. As livrarias e o resto todo. Então, depois de todo esse acúmulo, a experiência formidável do autor chega a nós.

                            Os livros todos, mas em particular os didáticos – pois estes propõem problemas/soluções – contrapõe alturas, que os pretendentes devem ultrapassar, pela transformação de suas mentes. Os livros são as academias de treinamento dos músculos mentais. O leitor deve re-pensar o que o autor pensou, atravessar os obstáculos, re-condicionar sua mente, impor-lhe novas condições, MUITO MAIS ALTAS, de compreensão do universo. Essa relação de transformação não foi devidamente estudada pela Academia (ela só me dá desgostos), no sentido de contrastar calouros e formandos, ver a distância de maturidade entre os segundos e os primeiros.

                            Não admira mesmo nada que eu tenha verdadeira rendição amorosa pelos livros e fique cada vez mais apaixonado por eles conforme passa o tempo e eu vá pensando novas dimensões deles, conforme se abrem à minha consciência e ao meu sentimento.

                            Vitória, sexta-feira, 12 de setembro de 2003.

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