segunda-feira, 13 de março de 2017


O Centro como Absurdo

 

                            No livro de Chris Rohmann, O Livro das Idéias, Rio de Janeiro, Campus, 2000, p. 23, ele diz: “O conceito de absurdo foi a base do EXISTENCIALISMO do século XX, que vê o universo sem significado intrínseco, no qual as pessoas precisam empenhar-se em criar significados para si mesmas”.

                            Veja que a Rede Cognata (Livro 2, Rede e Grade Signalíticas) nos diz que conceito = CENTRO = ABSURDO = ABSOLUTO = CRISTO = GRANDE = ATLANTE, etc., e podemos perceber bem porquê. Veja que no centro dois raios OPOSTOS, terminalmente contrários e contraditórios, devem harmonizar-se para fazer o círculo ou a esfera. Devem fundir-se para fazer um de dois, e tantas vezes repetir o procedimento com todos os infinitos diâmetros, de todos os pares polares opostos/complementares.

                            O centro, o conceito, enquanto absurdo, é justamente a solução. E SÓ UM, o Pai, pode chegar a ver e SER o Centro, centro de todos os centros. Necessariamente, por definição, não pode haver DOIS centros, só um, somente um, apenas um. Então, para começar, como zero de nossa busca, É JUSTAMENTE PARA ESSE UM QUE HÁ SIGNIFICADO INTRÍSECO – e para todos os outros, não! É porisso que todos os outros se sentem solitários, porque DES-CENTRADOS, EX-CÊNTRICOS, fora de eixo, guinchando quando caminham na estrada da Vida.

                            Para esse Um há o significado intrínseco, essencial, ele é a própria essência, é Aquele no qual a essência e a existência coincidem, isto é, onde a perfeição do virtual aceita todos os reais existentes e os soluciona de um golpe só. Esse Um é AO MESMO TEMPO Deus essencial e Natureza existencial. Decerto todos os outros, EXISTINDO APENAS NA NATUREZA, sendo reais, devem criar para si significados, realidades, mas sem assombro, sem dor, preferencialmente (na realidade é muito difícil enfrentar a solidão de não estar unido ao Centro e isso corrói diferencialmente as partículas). Contudo, esse “criar significado para si mesmas”, OU SEJA, CRIAR EXISTÊNCIA, sentir que existe, que tem significado interno, em si, e externo, perante a coletividade, não é desesperador, ou não deveria ser. Pode ser processo pacífico e amoroso, de encontro, e não de separação, de salvação e não de perdição, como vemos tantas vezes no seio das entidades religiosas, quando os con-viventes estão EM COMUNHÃO EXISTENCIAL. Embora isso não possa, nem de longe, ser tão satisfatório quanto participar da essência no Centro, ainda pode ser muito bom, como os que crêem podem testemunhar.

                            Vitória, sábado, 06 de setembro de 2003.

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