O Centro como Absurdo
No livro de Chris
Rohmann, O Livro das Idéias, Rio de
Janeiro, Campus, 2000, p. 23, ele diz: “O conceito de absurdo foi a base do
EXISTENCIALISMO do século XX, que vê o universo sem significado intrínseco, no
qual as pessoas precisam empenhar-se em criar significados para si mesmas”.
Veja que a Rede
Cognata (Livro 2, Rede e Grade
Signalíticas) nos diz que conceito = CENTRO = ABSURDO = ABSOLUTO = CRISTO =
GRANDE = ATLANTE, etc., e podemos perceber bem porquê. Veja que no centro dois
raios OPOSTOS, terminalmente contrários e contraditórios, devem harmonizar-se
para fazer o círculo ou a esfera. Devem fundir-se para fazer um de dois, e tantas
vezes repetir o procedimento com todos os infinitos diâmetros, de todos os
pares polares opostos/complementares.
O centro, o
conceito, enquanto absurdo, é justamente a solução. E SÓ UM, o Pai, pode chegar
a ver e SER o Centro, centro de todos os centros. Necessariamente, por
definição, não pode haver DOIS centros, só um, somente um, apenas um. Então,
para começar, como zero de nossa busca, É JUSTAMENTE PARA ESSE UM QUE HÁ
SIGNIFICADO INTRÍSECO – e para todos os outros, não! É porisso que todos os
outros se sentem solitários, porque DES-CENTRADOS, EX-CÊNTRICOS, fora de eixo,
guinchando quando caminham na estrada da Vida.
Para esse Um há o significado
intrínseco, essencial, ele é a própria essência, é Aquele no qual a
essência e a existência coincidem, isto é, onde a perfeição do virtual aceita
todos os reais existentes e os soluciona de um golpe só. Esse Um é AO MESMO
TEMPO Deus essencial e Natureza existencial. Decerto todos os outros, EXISTINDO
APENAS NA NATUREZA, sendo reais, devem criar para si significados, realidades,
mas sem assombro, sem dor, preferencialmente (na realidade é muito difícil enfrentar
a solidão de não estar unido ao Centro e isso corrói diferencialmente as
partículas). Contudo, esse “criar significado para si mesmas”, OU SEJA, CRIAR
EXISTÊNCIA, sentir que existe, que tem significado interno, em si, e externo,
perante a coletividade, não é desesperador, ou não deveria ser. Pode ser
processo pacífico e amoroso, de encontro, e não de separação, de salvação e não
de perdição, como vemos tantas vezes no seio das entidades religiosas, quando
os con-viventes estão EM COMUNHÃO EXISTENCIAL. Embora isso não possa, nem de
longe, ser tão satisfatório quanto participar da essência no Centro, ainda pode
ser muito bom, como os que crêem podem testemunhar.
Vitória, sábado, 06
de setembro de 2003.
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