O Drama Cômico
Depois da operação
tenho andado mais devagar e me tornei mais reflexivo da inutilidade de estarmos
sempre azafamados como escravos do Senhor nas lides diárias, como formiguinhas
indo para lá e para cá, em busca de status ou superioridades perante nossos
“iguais” (pois sendo Deus, Ela/Ele, ELI, ABBA, ALÁ o centro ou absoluto perante
o qual nada se pode comparar nem em poder, nem em riqueza, nem em saber, nem em
coisa nenhuma), para o que lutamos, afinal de contas? Os doutos para mostrar a
sua ignorância diante de Deus, os ricos para aparecer em seus andrajos diante
do Lord, os maiores descobridores para redescobrir o que é já sabido, perante o
infinito saber do Santo, os perfeitos em santidade apresentando-se rastejantes
em defeitos diante da altura do Altíssimo.
E lá vão dentro dos
carros cheios de orgulho, e lá estão nos bares contando infinitamente suas
histórias de superioridade e cá estou me lamuriando da impossibilidade de ir
adiante sem uma demonstração da utilidade da coisa, ou pelo menos de sua
comicidade, de sua risibilidade.
Quanto mais olhamos
para os lados, mais compreendemos isso tudo. O que resta é uma simplicidade de
alma, que é o verdadeiro penhor, se algum é possível. Façamos e apresentemo-nos
diante da Balança dos nossos atos para saber se demos importância excessiva ao
nosso aparecimento no Palco da Existência.
Vitória, sábado, 30
de agosto de 2003.
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