sexta-feira, 10 de março de 2017


O Drama Cômico

 

                            Depois da operação tenho andado mais devagar e me tornei mais reflexivo da inutilidade de estarmos sempre azafamados como escravos do Senhor nas lides diárias, como formiguinhas indo para lá e para cá, em busca de status ou superioridades perante nossos “iguais” (pois sendo Deus, Ela/Ele, ELI, ABBA, ALÁ o centro ou absoluto perante o qual nada se pode comparar nem em poder, nem em riqueza, nem em saber, nem em coisa nenhuma), para o que lutamos, afinal de contas? Os doutos para mostrar a sua ignorância diante de Deus, os ricos para aparecer em seus andrajos diante do Lord, os maiores descobridores para redescobrir o que é já sabido, perante o infinito saber do Santo, os perfeitos em santidade apresentando-se rastejantes em defeitos diante da altura do Altíssimo.

                            E lá vão dentro dos carros cheios de orgulho, e lá estão nos bares contando infinitamente suas histórias de superioridade e cá estou me lamuriando da impossibilidade de ir adiante sem uma demonstração da utilidade da coisa, ou pelo menos de sua comicidade, de sua risibilidade.

                            Quanto mais olhamos para os lados, mais compreendemos isso tudo. O que resta é uma simplicidade de alma, que é o verdadeiro penhor, se algum é possível. Façamos e apresentemo-nos diante da Balança dos nossos atos para saber se demos importância excessiva ao nosso aparecimento no Palco da Existência.

                            Vitória, sábado, 30 de agosto de 2003.

Nenhum comentário:

Postar um comentário