sexta-feira, 10 de março de 2017


O Divertimento do Prisioneiro

 

                            De acordo com a Rede Cognata (veja Livro 2, Rede e Grade Signalíticas) homem = AMOR = FAMÍLIA = SÓ = CHEFE = PAI = PRISIONEIRO = SOZINHO = UM = PRIMEIRO, etc. Ressalta que os homens são prisioneiros, como na música da Djavan: “um lobo correndo em círculos para alimentar a matilha”, rotina de prisioneiro feliz, tomar um pouco de sol e encontrar no bar da prisão um pouco daquele companheirismo que é troca de gentileza dos agrilhoados.

                            A vida é um enjôo permanente, com uns agrados aqui e acolá.

                            O que há de gente chata e coisas insignificantes não está no gibi. É uma enormidade de vazios e de nada-constas, de mediocridades, de arrotos de grandeza, de poses e pedestais, de fogueiras onde ardem os vaidosos, de pavoneamentos, de sensabores – é uma coisa pavorosa, mesmo. Não é àtoa que tantos se suicidam. E eu, se não o fiz até agora, é porque tenho esse compromisso com a descoberta do fechamento, isto é, de uma solução geral, que proporcionei parcial e insatisfatoriamente no Conhecimento (Magia/Arte, Teologia/Religião, Filosofia/Ideologia, Ciência/Técnica e Matemática), apenas para três vértices, e assim mesmo como discurso. Corajoso foi Koestler, foi Zweig, foram tantos que deram uma banana para essa chamada Vida tão chata e desagradável. O único meio de escapar um pouco é escrever, é estar sozinho, é ficar longe não só das multidões como das gentes quase todas, é ficar trancado em si, buscando as respostas. Mas fora da Matemática não se pode alcançar a Tecnociência e fora desta as respostas são parciais - daí a angústia.

                            Vitória, terça-feira, 02 de setembro de 2003.

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