O Divertimento do
Prisioneiro
De acordo com a Rede
Cognata (veja Livro 2, Rede e Grade
Signalíticas) homem = AMOR = FAMÍLIA = SÓ = CHEFE = PAI = PRISIONEIRO =
SOZINHO = UM = PRIMEIRO, etc. Ressalta que os homens são prisioneiros, como na
música da Djavan: “um lobo correndo em círculos para alimentar a matilha”,
rotina de prisioneiro feliz, tomar um pouco de sol e encontrar no bar da prisão
um pouco daquele companheirismo que é troca de gentileza dos agrilhoados.
A vida é um enjôo
permanente, com uns agrados aqui e acolá.
O que há de gente
chata e coisas insignificantes não está no gibi. É uma enormidade de vazios e
de nada-constas, de mediocridades, de arrotos de grandeza, de poses e
pedestais, de fogueiras onde ardem os vaidosos, de pavoneamentos, de sensabores
– é uma coisa pavorosa, mesmo. Não é àtoa que tantos se suicidam. E eu, se não
o fiz até agora, é porque tenho esse compromisso com a descoberta do
fechamento, isto é, de uma solução geral, que proporcionei parcial e
insatisfatoriamente no Conhecimento (Magia/Arte, Teologia/Religião,
Filosofia/Ideologia, Ciência/Técnica e Matemática), apenas para três vértices,
e assim mesmo como discurso. Corajoso foi Koestler, foi Zweig, foram tantos que
deram uma banana para essa chamada Vida tão chata e desagradável. O único meio
de escapar um pouco é escrever, é estar sozinho, é ficar longe não só das
multidões como das gentes quase todas, é ficar trancado em si, buscando as
respostas. Mas fora da Matemática não se pode alcançar a Tecnociência e fora
desta as respostas são parciais - daí a angústia.
Vitória,
terça-feira, 02 de setembro de 2003.
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