domingo, 12 de março de 2017


Mansamente

 

                            Um ônibus espacial é enviado ao espaço e volta rotineiramente, os astronautas desembarcam (mas não são os mesmos – são andróides, pele humana em organismo cibernético alienígena). O ônibus também não é o mesmo. Estacionado ele envia pseudópodos ao solo e começa a minerar e a crescer, tornando-se uma gigantesca estrutura, alta e larga, em volta da qual começar a nascer uma floresta que vai crescendo sistematicamente; nela aparecem seres que vão evoluindo e uma atmosfera diferente circunda a floresta. Os seres não saem dali mas ela vai crescendo lenta e inexoravelmente. Os cientistas ficam inicialmente encantados.

                            Os andróides vão para suas casas.

                            Lá, plantam sementes info-cibernéticas que vão crescendo e formando novos seres a partir dos metais das redondezas (por exemplo, num sótão, no subsolo da casa, num galpão) que vão se tornando cada vez mais semelhantes aos moradores da casa (percebe-se nitidamente que suas peles ou peles sintéticas irão constituir as semelhanças físicas – que acontecerá com os moradores?). A vizinhança toda vai sendo tomada.

                            Por outro lado, a grande estrutura que já foi o ônibus projeta esporos a grandes distâncias. Estes recomeçam o ciclo, criando novas florestas que vão formando manchas cada vez maiores. Animais que penetram nas florestas são reaproveitados e seus ADRN são fundidos com o original alienígena. A coisa vai crescendo, até que lá para frente alguém acha uma solução qualquer favorável aos humanos que dá fim à invasão.

                            Isso coloca uma versão diferente, nada agressiva dos “invasores de corpos”.

                            Vitória, sábado, 06 de setembro de 2003.

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