Gente Esquisita
Tínhamos no Fisco/ES
um colega de Juiz de Fora, Minas Gerais, o Oscar, que procurei ajudar por duas
vezes, através do meu irmão mais velho (que recorria à maçonaria), e que vivia
me gozando, como paga dos meus serviços (que ele desconhecia; achava que o Céu
atendia seus desejos). Ele dizia que as pessoas eram muito esquisitas.
Caetano Veloso, com
aquela capacidade dele de alcançar as profundidades em frase curtas, poéticas,
disse que “de perto ninguém é normal”. Assim, a melhor maneira de encontrar
normalidade nas pessoas é vê-las de longe e até de bem longe, mantendo
distância desumana. PORQUE encontrar humanidade é encontrar e aceitar as
anormalidades, é aproximar-se, apesar das anormalidades que podemos encontrar.
Com outras palavras Caetano também disse, em Sampa (nome carinhoso que os paulistanos e paulistas e agora o
Brasil inteiro dá a São Paulo, capital do mesmo estado), que a gente não ama o
que não é espelho, ou seja, Narciso, a preciosidade e perfeita inserção no
Plano do Mundo de si.
Também eu, olhando
com o olhar retraído do julgamento, muitas vezes vi gente esquisita, e sempre
pensei que no outro olho, do rosto que eu olhava, havia imagem de mim, que
também era julgado esquisito. O Oscar, por exemplo, era muito esquisito. Só
deixaremos de ser esquisitos, Oscar, quando seguirmos o dito de Cristo: não
julgueis os outros para não serdes julgados. O Oscar julgou as pessoas, para
falar disso julguei o Oscar e também serei julgado. O único jeito de zerar o
círculo do mal é dar a outra face (isso introduz um vetor contrário
nulificante).
Vitória,
terça-feira, 16 de setembro de 2003.
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