quarta-feira, 15 de março de 2017


Gente Esquisita

 

                            Tínhamos no Fisco/ES um colega de Juiz de Fora, Minas Gerais, o Oscar, que procurei ajudar por duas vezes, através do meu irmão mais velho (que recorria à maçonaria), e que vivia me gozando, como paga dos meus serviços (que ele desconhecia; achava que o Céu atendia seus desejos). Ele dizia que as pessoas eram muito esquisitas.

                            Caetano Veloso, com aquela capacidade dele de alcançar as profundidades em frase curtas, poéticas, disse que “de perto ninguém é normal”. Assim, a melhor maneira de encontrar normalidade nas pessoas é vê-las de longe e até de bem longe, mantendo distância desumana. PORQUE encontrar humanidade é encontrar e aceitar as anormalidades, é aproximar-se, apesar das anormalidades que podemos encontrar. Com outras palavras Caetano também disse, em Sampa (nome carinhoso que os paulistanos e paulistas e agora o Brasil inteiro dá a São Paulo, capital do mesmo estado), que a gente não ama o que não é espelho, ou seja, Narciso, a preciosidade e perfeita inserção no Plano do Mundo de si.

                            Também eu, olhando com o olhar retraído do julgamento, muitas vezes vi gente esquisita, e sempre pensei que no outro olho, do rosto que eu olhava, havia imagem de mim, que também era julgado esquisito. O Oscar, por exemplo, era muito esquisito. Só deixaremos de ser esquisitos, Oscar, quando seguirmos o dito de Cristo: não julgueis os outros para não serdes julgados. O Oscar julgou as pessoas, para falar disso julguei o Oscar e também serei julgado. O único jeito de zerar o círculo do mal é dar a outra face (isso introduz um vetor contrário nulificante).

                            Vitória, terça-feira, 16 de setembro de 2003.

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