Garbe Inexistente
No livro de Jorge
Luis Borges e Alicia Jurado, Buda,
3ª. Edição, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1987 (sobre original argentino de
1977), p. 30, eles dizem: “Garbe cita um texto que diz: ‘Deus não pode ter
feito o mundo por interesse, porque não necessita de nada; nem por bondade,
porque no mundo existe sofrimento. Logo, Deus não existe’”. Na Nota 21, o
tradutor diz: “LACTÂNCIO - Segundo Voltaire atribuiu a Epicuro um argumento
parecido: ‘Se Deus quer suprimir o mal e não pode fazê-lo, é impotente; se pode
e não quer, é malvado; se não quer nem pode, é ao mesmo tempo malvado e
impotente; se quer e pode, como explicar a presença do mal no mundo? ”.
As respostas são as
seguintes.
PARA
GARBE (ele não
consta na Britannica nem nas demais enciclopédias).
·
Necessitar,
não necessita, mas quer ver o desenvolvimento dos programáquinas, das
automontagens desde os começos até os fins a que chegarem;
·
Por
bondade, necessariamente, porque a união dos elementos é a indicação. Doado o
livre-arbítrio como metade da potência, é a decisão do que livre-escolhe que
introduz o mal, por falta de compreensão da totalidade, ou do centro, ou do
virtual onde todas as explicações se fecham na Necessidade, que chamei de
Vontade Majoritária.
PARA
EPICURO (grego de
Samos, 341 a 270 antes de Cristo)
·
Deus
poderia suprimir o mal, se quisesse, mas não quer, porque o mal é condição de
aprendizado para O Mal; então Deus não é impotente;
·
De
fato, pode e não quer, mas em lugar de ser mal é Bom, PORQUE é preciso que se
renuncie DE PRÓPRIA VONTADE, de livre-arbítrio, que foi doado, dado, justamente
para que se passe pela experiência; então Deus não é malvado;
·
Não
quer, por enquanto, porque isso seria suprimir o livre-arbítrio, desacreditar
das criaturas, achar que elas jamais conseguirão vencer em si e por si mesmas o
mal; mas pode, sempre;
·
Não
quer - não quis até agora (mas mandou recados terríveis, segundo os mitos
bíblicos e de outras lendas de Criação); pode, mas não quer, porque é preciso
que todo O Mal, pela renúncia, compreenda, e isso demanda sabedoria, que
demanda tempo, que é doença e dor, que é Escola geral do Ser realizado, posto
no real.
Então, tanto Epicuro quanto Garbe
estão errados.
O não-finito é muito tempo, o espaço
ilimitado muito grande, o pluriverso comporta inumeráveis universos, há muita
coisa para ver, as criaturas devem entender por si mesmas (mas, certamente,
algumas são bem irritantes).
Vitória, domingo, 07 de setembro de
2003.
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