Filo, o Preparador do
Cristianismo
Giovanni Reale, em
seu livro História da Filosofia Antiga,
volume IV, p. 215 e seguintes, fala de Filo (ou Filon) de Alexandria: Filo de Alexandria e a ‘Filosofia Mosaica’.
Diz, p. 218: “Tão
conspícua renovação aconteceu em Alexandria e por obra de um homem que não era
grego, mas hebreu educado na cultura helênica, porém embebido da fé do seu povo
e firmemente convencido da inspiração divina da Bíblia”.
Na p. 219: “O
ambiente particular não teria, contudo, bastado para produzir a grandiosa
tentativa de fusão entre teologia bíblica e filosofia helênica se não tivesse
existido, como já dissemos, um homem como Filo, nutrido de ambas as culturas,
profundamente convicto”.
Na p. 220: “Com
filo, em suma, como foi justamente observado, começa, em certo sentido, a
história da filosofia cristã e, portanto, ‘européia’”.
Na p. 221: “Filo
acolhe os ‘tropos’ de Enesídemo, para concluir, porém, que a razão pode sair do
xeque-mate, se se une à fé, e junto com a fé tenta a aproximação ao Absoluto”.
Nasceu entre 15 e 10
antes de Cristo em Alexandria, Egito, e morreu entre 45 e 50 depois de Cristo,
55 a 65 anos entre datas. São Paulo viveu de 10 a 67/70 depois de Cristo.
Obviamente o caminho dele já havia sido preparado por Filo. Foi da maior
importância unir o par polar oposto/complementar fé/razão ou sentimento e
razão, na medida em que a disputa entre eles não teria permitido à Europa
controlar as forças desagregadoras dos nórdicos, quando das invasões. A falta
de fé dos gregos e a falta de razão dos judeus foi duplamente compensada,
saindo o cristianismo, com as palavras e exemplos geniais de Jesus, fortalecido
desde o início. São Paulo pôde tomar o que já estava pronto e corrente há uns
40 ou 50 anos e aplicar de um lado na explicação aos judeus do Logos ou
Deus-Verbo, que constrói pela lógica da palavra, pela dialógica
(lógica-dialética), e de outro sensibilizar e afinar a razão grega para buscas
MUITO MAIS profundas do que o superficialmente, humanamente interessante. Dois
poderes em princípio antagônicos tornaram-se faces da mesma moeda, tendo sido
fundidos como tal por um judeu-grego, que parece posto ali milagrosamente.
Vitória,
quinta-feira, 11 de setembro de 2003.
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