domingo, 12 de março de 2017


Filo, o Preparador do Cristianismo

 

                            Giovanni Reale, em seu livro História da Filosofia Antiga, volume IV, p. 215 e seguintes, fala de Filo (ou Filon) de Alexandria: Filo de Alexandria e a ‘Filosofia Mosaica’.

                            Diz, p. 218: “Tão conspícua renovação aconteceu em Alexandria e por obra de um homem que não era grego, mas hebreu educado na cultura helênica, porém embebido da fé do seu povo e firmemente convencido da inspiração divina da Bíblia”.

                            Na p. 219: “O ambiente particular não teria, contudo, bastado para produzir a grandiosa tentativa de fusão entre teologia bíblica e filosofia helênica se não tivesse existido, como já dissemos, um homem como Filo, nutrido de ambas as culturas, profundamente convicto”.

                            Na p. 220: “Com filo, em suma, como foi justamente observado, começa, em certo sentido, a história da filosofia cristã e, portanto, ‘européia’”.

                            Na p. 221: “Filo acolhe os ‘tropos’ de Enesídemo, para concluir, porém, que a razão pode sair do xeque-mate, se se une à fé, e junto com a fé tenta a aproximação ao Absoluto”.

                            Nasceu entre 15 e 10 antes de Cristo em Alexandria, Egito, e morreu entre 45 e 50 depois de Cristo, 55 a 65 anos entre datas. São Paulo viveu de 10 a 67/70 depois de Cristo. Obviamente o caminho dele já havia sido preparado por Filo. Foi da maior importância unir o par polar oposto/complementar fé/razão ou sentimento e razão, na medida em que a disputa entre eles não teria permitido à Europa controlar as forças desagregadoras dos nórdicos, quando das invasões. A falta de fé dos gregos e a falta de razão dos judeus foi duplamente compensada, saindo o cristianismo, com as palavras e exemplos geniais de Jesus, fortalecido desde o início. São Paulo pôde tomar o que já estava pronto e corrente há uns 40 ou 50 anos e aplicar de um lado na explicação aos judeus do Logos ou Deus-Verbo, que constrói pela lógica da palavra, pela dialógica (lógica-dialética), e de outro sensibilizar e afinar a razão grega para buscas MUITO MAIS profundas do que o superficialmente, humanamente interessante. Dois poderes em princípio antagônicos tornaram-se faces da mesma moeda, tendo sido fundidos como tal por um judeu-grego, que parece posto ali milagrosamente.

                            Vitória, quinta-feira, 11 de setembro de 2003.

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