Enquanto o Mundo
Dorme
Tomemos as (até
agora identificadas) 22 tecnartes (DA VISÃO: fotografia, pintura, desenho,
poesia, prosa, dança, moda, etc.; DA AUDIÇÃO: música, discurso, etc.; DO
OLFATO: perfumaria, etc.; DO PALADAR: comida, bebida, pasta, tempero, etc.; DO
TATO: arquiengenharia, paisagismo/jardinagem, cinema, teatro, decoração,
esculturação, urbanismo, tapeçaria, etc.).
Somos mais de seis
bilhões, agora. Enquanto uma parte dorme (não há jeito de saber ao certo que
percentual – o que deve mudar a cada dia e hora - mas vamos dizer que seja
50/50), uma fração está produzindo. Tomando as PESSOAS (indivíduos, famílias,
grupos e empresas) e AMBIENTES (municípios/cidades, estados, nações e mundo)
como demandantes governempresariais pessoambientais de processobjetos, podemos
contar que muitas coisas estejam sendo feitas, pensadas, expostas, produzidas,
dia-e-noite, literalmente, ao redor do globo.
Seja o Conhecimento
(Magia/Arte, Teologia/Religião, Filosofia/Ideologia, Ciência/Técnica e Matemática
– ficando no centro da Geometrialgébrica não conta) com oito vértices, tendo a
Arte, um deles, idealmente 1/8 = 12,5 % da população mundial - agora estimada
em 6,3 bilhões de indivíduos – e contemos 0,125 x 6,3 x 109 = 787
milhões de potenciais artistas, divididos em 22 modalidades, idealmente, cada
uma das quais com 1/22, ou seja, 36 milhões de indivíduos, com cada vez mais
objetos de qualidade ofertados e processos dominados disponíveis, ou estando
por sê-lo, e façamo-nos a grande pergunta: POR QUÊ NÃO HÁ UM JÔRRO CONTÍNUO DE
CRIAÇÃO em todas as tecnartes? Mesmo descontando que metade seja de crianças
sem nada a dizer, sobram 18 milhões em cada modalidade; descontando outra
metade entre ricos e médios-altos, pobres e miseráveis que não se interessam, restam
nove milhões. Abatendo ainda a falta de imaginação para 50 %, ficam cinco
milhões.
Muito vem sendo
feito, mas não é de admirar que tão pouca renovação artística real de peso
esteja acontecendo?
Esperamos décadas,
pedindo insistentemente que nos fossem ofertados os instrumentos, os aparelhos,
as máquinas, os objetos, as coisas, tintas, pincéis, cinzéis, panelas e todo
tipo de apoio. Que nos dessem tempo de sobra. Que nos ofertassem conhecimento
do passado no qual forjar a base na qual assentaríamos nosso fazer novo.
Depois, quando tudo
isso foi ofertado, foi como se o bolo tirado do forno murchasse bem diante dos
nossos olhos. É, dizem que os artistas não criam sem pressão e sem a ausência
(como lembrou Clarice Lispector). E é bem o que estamos vendo. Não houve uma
época menos criativa dos que os últimos 20 anos, décadas dos 1980 e dos 1990.
Talvez a década dos 2000 venha nos salvar do marasmo, mas pelo início não
podemos prometer nada.
Não é tão
frustrante?
Vitória,
segunda-feira, 25 de agosto de 2003.
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