quinta-feira, 9 de março de 2017


Enquanto o Mundo Dorme

 

                            Tomemos as (até agora identificadas) 22 tecnartes (DA VISÃO: fotografia, pintura, desenho, poesia, prosa, dança, moda, etc.; DA AUDIÇÃO: música, discurso, etc.; DO OLFATO: perfumaria, etc.; DO PALADAR: comida, bebida, pasta, tempero, etc.; DO TATO: arquiengenharia, paisagismo/jardinagem, cinema, teatro, decoração, esculturação, urbanismo, tapeçaria, etc.).

                            Somos mais de seis bilhões, agora. Enquanto uma parte dorme (não há jeito de saber ao certo que percentual – o que deve mudar a cada dia e hora - mas vamos dizer que seja 50/50), uma fração está produzindo. Tomando as PESSOAS (indivíduos, famílias, grupos e empresas) e AMBIENTES (municípios/cidades, estados, nações e mundo) como demandantes governempresariais pessoambientais de processobjetos, podemos contar que muitas coisas estejam sendo feitas, pensadas, expostas, produzidas, dia-e-noite, literalmente, ao redor do globo.

                            Seja o Conhecimento (Magia/Arte, Teologia/Religião, Filosofia/Ideologia, Ciência/Técnica e Matemática – ficando no centro da Geometrialgébrica não conta) com oito vértices, tendo a Arte, um deles, idealmente 1/8 = 12,5 % da população mundial - agora estimada em 6,3 bilhões de indivíduos – e contemos 0,125 x 6,3 x 109 = 787 milhões de potenciais artistas, divididos em 22 modalidades, idealmente, cada uma das quais com 1/22, ou seja, 36 milhões de indivíduos, com cada vez mais objetos de qualidade ofertados e processos dominados disponíveis, ou estando por sê-lo, e façamo-nos a grande pergunta: POR QUÊ NÃO HÁ UM JÔRRO CONTÍNUO DE CRIAÇÃO em todas as tecnartes? Mesmo descontando que metade seja de crianças sem nada a dizer, sobram 18 milhões em cada modalidade; descontando outra metade entre ricos e médios-altos, pobres e miseráveis que não se interessam, restam nove milhões. Abatendo ainda a falta de imaginação para 50 %, ficam cinco milhões.

                            Muito vem sendo feito, mas não é de admirar que tão pouca renovação artística real de peso esteja acontecendo?

                            Esperamos décadas, pedindo insistentemente que nos fossem ofertados os instrumentos, os aparelhos, as máquinas, os objetos, as coisas, tintas, pincéis, cinzéis, panelas e todo tipo de apoio. Que nos dessem tempo de sobra. Que nos ofertassem conhecimento do passado no qual forjar a base na qual assentaríamos nosso fazer novo.

                            Depois, quando tudo isso foi ofertado, foi como se o bolo tirado do forno murchasse bem diante dos nossos olhos. É, dizem que os artistas não criam sem pressão e sem a ausência (como lembrou Clarice Lispector). E é bem o que estamos vendo. Não houve uma época menos criativa dos que os últimos 20 anos, décadas dos 1980 e dos 1990. Talvez a década dos 2000 venha nos salvar do marasmo, mas pelo início não podemos prometer nada.

                            Não é tão frustrante?

                            Vitória, segunda-feira, 25 de agosto de 2003.

Nenhum comentário:

Postar um comentário