quinta-feira, 9 de março de 2017


Dialógica Biológica

 

                            As leis da dialética hegeliana/engeliana (redescobertas na Europa depois de terem sido trucidadas na Grécia com a morte da Escola Pitagórica lá por 500 antes de Cristo) são classicamente:

a)     Interpenetração dos contrários;

b)    Transformação do sim em não, e vice-versa;

c)     Salto revolucionário ou dialético.

De Trotsky acrescentei uma, e minhas mesmas, duas:

d)     A mutação diferencial dos conjuntos;

e)     O tensor ou mola dialética;

f)      A herança do virtual (ou idéia ou conceito ou estrutura, etc., permanece e é encarnada por outro ou outros).

Vejamos alguns conjuntos psicológicos: a) PESSOAS: indivíduos e famílias, pessoas naturais ou físicas, e grupos e empresas, pessoas artificiais ou jurídicas; b) AMBIENTES: municípios/cidades, estados, nações e mundos. Todos eles estão nitidamente sujeitos às leis lógicas (diretas, materiais, reais, monais) e dialéticas (indiretas, abstratas, virtuais, relacionais), ou seja, ao construto estático-dinâmico lógico-dialético, dialógico, o diálogo-de-mundo.

Vejamos para o INDIVÍDUO (que é um conjunto, ele é composto de órgãos na micropirâmide, e enquanto tal de ID, EGO e SUPEREGO):

·        Embora não perceba, e se perguntado negue, é verdade que incorpora as opiniões e as vontades contrárias das suas;

·        De fato, esposa no decorrer dos anos as metas negativas das suas, excluindo as que eram originalmente as suas; se lhe dissessem isso ele negaria peremptoriamente;

·        Ele dá saltos, mudando subitamente de direção e sentido, indo para patamares superiores de compreensão;

·        Indivíduos diferentes têm taxas distintas de mudanças e chegam mais lenta ou mais rapidamente às conclusões ou ao término dos mesmos projetos;

·        Se se forçar a não-fazer algo acumulará tensão (que será futuramente mensurável, quando a dialógica se tornar numa tecnociência bem determinada e fixada em parâmetros), pressionando a mola, que disparará em algum instante, levando-o ao contrário do que desejava – isso é nítido nos regimes ou dietas;

·        Toda ideia que tenha ficará no ambiente, assim como ele é herdeiro de várias daqueles que já morreram ou estão vivos. Tudo que é seu, material ou ideal, pertencerá ao ambiente e fará parte de suas equações de soma zero.

Isso também é claramente aplicável em Biologia/p.2. Só não tem sido aplicado PORQUE, como eu disse, os idiotas mataram a dialética no Ocidente quando ela estava nascendo na Escola Pitagórica, há 2,5 mil anos, enquanto ela sobreviveu no TAO oriental, só que da forma mágica, não-mensurável e não-matematizável, o que foi uma pena.

Em se tratando dos organismos, como eles transitam pelas leis? Isso ainda não pude ver, dada minha formação deficientíssima em Biologia, o que é um desgosto. Mas essa recente acomodação da EVOLUÇÃO PONTUADA, de Stephen J. Gold é uma aproximação científica frouxa, ainda que bem vinda. Como os organismos se interpenetram, como se transformam uns nos outros, como ocorrem os saltos biológicos de irradiação, quais são as taxas próprias de mutação de todos e cada um, que gêneros de molas dirigem o crescimento, qual é o apontamento pseudo-escatológico cujo vetor (esse, sim, real) é a herança das linhas gerais de programa?

Obviamente a Biologia/p.2, negando o entendimento do diálogo-da-Vida no âmbito do metaprograma cuja solução é pedida, peca pela recusa em ver, em se testar na constituição do panorama que dê, ou não dê, as respostas em nível mais fundo do que a isolada busca lógica, dentro das diretivas paradigmáticas atuais, isto é, conduzidas pelo stop-and-go das cessões das verbas de pesquisa & desenvolvimento que no final das contas dão, na retaguarda, os limites de exclusão, e põe, sistematicamente, a dialógica ou pelo menos a dialética de escanteio.

Negar tal enfrentamento é sinal de maioridade?

Vitória, quinta-feira, 04 de setembro de 2003.

Nenhum comentário:

Postar um comentário