quarta-feira, 15 de março de 2017


Dando o Volta por Cima

 

                            No mesmo livro de Asimov, p. 29, ele diz: “Nem todos aceitaram a idéia da eletricidade animal de Galvani. Seu maior opositor era outro cientista italiano, Alessandro Volta, para quem eram os metais e não o músculo a fonte da eletricidade. Para comprovar o assunto, testou dois metais dessemelhantes em contato e, por volta de 1794, descobriu que produziam carga elétrica mesmo sem a proximidade de um músculo. (Isto amargurou os últimos anos do pobre Galvani. Sua esposa querida faleceu e, em 1797, Galvani perdeu o cargo de professor ao recusar juramento de obediência ao novo governo formado pelo general invasor Napoleão Bonaparte. Morreu logo depois, na pobreza e miséria. Volta, por sua vez, era indiferente aos governos, jurando obediência a quem estivesse no poder. Assim, prosperou durante a ascensão de Napoleão ao poder supremo, bem como durante a queda de Napoleão a seguir) ”.

                            Prefiro muito o pobre, resistente e digno Luigi Galvani (1737 a 1798, 61 anos entre datas) ao adesista Alessandro Giuseppe Antonio Anastasio Volta (1745 a 1827, 82 anos entre datas), que se chegar ao Céu será um morador das invasões, lá na periferia onde Deus não passa, sem nunca ver as mansões celestiais dos príncipes. É claro que, para além das brincadeiras, fica o fato de que gente como Volta ajuda os ditadores e participam do peso de sua carga, como Pol Pot, que carrega ter ordenador a morte de três milhões no Camboja, ou Hitler, ou Napoleão, ou César ou tantos outros. São os detestáveis aderentes, aqueles que se juntam ao poder como suas sombras, justificando-o e armando-o para a obra de destruição. Embora Galvani não tenha ido tão alto em demonstrações racionais sua dignidade como ser humano mais do que o compensa, tornando-o um herói humano. Viva Galvani! Abaixo Volta.

                            Vitória, segunda-feira, 15 de setembro de 2003.

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