terça-feira, 14 de março de 2017


Bancos de Dados dos Pesquisadores

 

                            Por princípio de definição não pode haver “banco de dados”. Pensemos em um “dado”, um cubo de seis faces com números de um a seis, um em cada face, vértices arredondados, com que se joga o chamado “jogo de dados” (são também seis os objetos ou dados, em geral). Não existe uma caixa no qual estão jogados os “dados” (que tendo seis lados podem representar uma palavra arquetípica de seis toques em média), como se fossem palavras ali caoticamente despejadas.

                            Não, nos chamados “bancos de dados” estão INFORMAÇÕES e CONTROLES, ou comunicações, estão info-controles, IC’s. São bancos de IC, como venho falando desde o modelo. São depósitos de frases, de sentidos lógicos, de valores ou julgamentos humanos. São reservatórios de compreensões: quadros, organogramas, descrições de cenários, equações, leis, corolários, poesias, o que for que ajude o domínio racional de uma realidade.

                            Posto isso, podemos ver que não há um programáquina que faça a ligação automática prévia dos objetos-de-compreensão, os sentidos lógicos mínimos, tornando-os mais complexos. Passados dez mil (ou cinqüenta ou duzentos mil) anos, ainda é o ser humano o instrumento fundamental de essencialização, de descoberta de essências, as compreensões de sentidos, por menores que sejam. Temos máquinas para tarefas corporais repetitivas, mas não para tarefas mentais repetitivas, por exemplo, as reuniões básicas às quais se superpusessem os entendimentos superiores. Estamos órfãos de qualquer ajuda racional. Não houve quem se interessasse, ou, fazendo-o pudesse produzir programáquina qualificadora. Estamos sempre começando do zero. Embora não sejam, como vimos que não são, bancos “de dados”, ainda não há nenhum automatismo, nenhuma automatização que facilite nossa entrada na caixa preta do desconhecido. Havendo uma área não trilhada deve-se começar pela coleta de informações, organização ou catalogação delas, elaboração de hipóteses que dêem sentido ou orientação e assim por diante.

                            Vitória, terça-feira, 16 de setembro de 2003.

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