Bancos de Dados dos
Pesquisadores
Por princípio de
definição não pode haver “banco de dados”. Pensemos em um “dado”, um cubo de
seis faces com números de um a seis, um em cada face, vértices arredondados,
com que se joga o chamado “jogo de dados” (são também seis os objetos ou dados,
em geral). Não existe uma caixa no qual estão jogados os “dados” (que tendo
seis lados podem representar uma palavra arquetípica de seis toques em média),
como se fossem palavras ali caoticamente despejadas.
Não, nos chamados
“bancos de dados” estão INFORMAÇÕES e CONTROLES, ou comunicações, estão
info-controles, IC’s. São bancos de IC, como venho falando desde o modelo. São
depósitos de frases, de sentidos lógicos, de valores ou julgamentos humanos.
São reservatórios de compreensões: quadros, organogramas, descrições de
cenários, equações, leis, corolários, poesias, o que for que ajude o domínio
racional de uma realidade.
Posto isso, podemos
ver que não há um programáquina que faça a ligação automática prévia dos
objetos-de-compreensão, os sentidos lógicos mínimos, tornando-os mais
complexos. Passados dez mil (ou cinqüenta ou duzentos mil) anos, ainda é o ser
humano o instrumento fundamental de essencialização, de descoberta de
essências, as compreensões de sentidos, por menores que sejam. Temos máquinas
para tarefas corporais repetitivas, mas não para tarefas mentais repetitivas,
por exemplo, as reuniões básicas às quais se superpusessem os entendimentos
superiores. Estamos órfãos de qualquer ajuda racional. Não houve quem se
interessasse, ou, fazendo-o pudesse produzir programáquina qualificadora.
Estamos sempre começando do zero. Embora não sejam, como vimos que não são,
bancos “de dados”, ainda não há nenhum automatismo, nenhuma automatização que
facilite nossa entrada na caixa preta do desconhecido. Havendo uma área não
trilhada deve-se começar pela coleta de informações, organização ou catalogação
delas, elaboração de hipóteses que dêem sentido ou orientação e assim por
diante.
Vitória,
terça-feira, 16 de setembro de 2003.
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