terça-feira, 14 de março de 2017


A Sobrevivência da China

 

                            No livro de Charles Darwin [inglês, 1809 a 1882], A Origem das Espécies, São Paulo, Hemus, 1979 (original inglês de 1859), p. 70, ele diz: “A luta pela sobrevivência resulta inevitavelmente da rapidez com que os seres organizados tendem a multiplicar-se. Todo indivíduo que durante o estado natural da vida, produz muitos ovos ou muitas sementes, deve ser destruído em qualquer período da sua existência, ou durante uma estação qualquer, porque, de outro modo, dando-se o princípio do aumento geométrico, o número dos seus descendentes tornar-se-ia tão notável, que nenhuma região os poderia alimentar”.

                            A China já tem 1,3 bilhão e a Índia 1,0 bilhão, e fazendo-se as contas por seus índices de crescimento populacional lá por 2040 terão conjuntamente 3,6 bilhões de habitantes, de modo que suas sementes ou ovos estão prosperando com uma rapidez estonteante e sua região, nas palavras de Darwin, já não os poderia alimentar, pelo quê a pregação indireta é que ambos os conjuntos devem ser atacados e mortos.

                            Longe disso, penso eu.

                            Desde quando adotou o Caminho das Duas Vias (capitalismo ocidental, ou seja, cristianização com a repartição do bolo da produçãorganização popularmente estatuído, e socialismo chinês) a China cresce estrondosamente. E bastaria a Índia fazer o mesmo, a seu modo, para adotar índices de crescimento socioeconômico espantosos – dada a carência de base. A Índia deveria cristianizar-se também e isso é fácil para os brâmanes.

                            Desde quando existem fronteiras, os países não ficariam preocupados, PORQUE SERIA PROBLEMA DELES, da China e da Índia, alimentar os seus. Mas, tal como ocorre com o Japão, aqueles países se tornarão FORTEMENTE IMPORTADORES no plano agropecuário/extrativista e igualmente, compensativamente exportadores em termos industriais, comerciais, de serviços. Então, ambos os países, para alimentar sua gente, se apoderarão via pagamento concorrencial, das áreas de produção agropecuária da América Latina, da África, dos EUA e da Europa, para não falar da Rússia e CEI (Comunidade de Estados Independentes). CRESCERÃO FORA DE SUAS FRONTEIRAS. Eis aí o que parece ser uma ameaça, justamente levando através do darwinismo social (ou socioeconômico) a sanções crescentes.

                            Digo o contrário.

                            Olhe que são dois modos distintos de ver o mundo e precisamos dos cinco cegos para ver a realidade inteira. Depois, eles são muito industriosos, civilizados, cultos, socializados; além do quê, dificilmente se deixariam matar, sobre ser isso uma violência impensável e ofensiva. Além disso, a globalização vem em boa hora PORQUE projeta as guerras para além das nações, PARA FORA DO PLANETA, e isso reverterá em benefícios, desde que os modos de ser e ter poderão se fundir progressivamente, lentamente, com grande cuidado e zelo, de modo a não diminuir ninguém.

                            Chineses e indianos não são duas espécies estranhas, são a nossa mesma espécie e nosso espaço comum, além de ser a Terra, pode ser todo o sistema solar e a constelação. Preventivamente isso desmobiliza os idiotas que veriam na afirmação de Darwin um interesse esdrúxulo.

                            A China e a Índia SOMAM poderosamente valor de sobrevivência à espécie humana. Porisso, em parte, a sobrevivência da espécie depende do que eles estiverem fazendo por lá.

                            Vitória, sábado, 13 de setembro de 2003.

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