A Sobrevivência da China
No livro de Charles
Darwin [inglês, 1809 a 1882], A Origem
das Espécies, São Paulo, Hemus, 1979 (original inglês de 1859), p. 70, ele
diz: “A luta pela sobrevivência resulta inevitavelmente da rapidez com que os
seres organizados tendem a multiplicar-se. Todo indivíduo que durante o estado
natural da vida, produz muitos ovos ou muitas sementes, deve ser destruído em
qualquer período da sua existência, ou durante uma estação qualquer, porque, de
outro modo, dando-se o princípio do aumento geométrico, o número dos seus
descendentes tornar-se-ia tão notável, que nenhuma região os poderia
alimentar”.
A China já tem 1,3
bilhão e a Índia 1,0 bilhão, e fazendo-se as contas por seus índices de
crescimento populacional lá por 2040 terão conjuntamente 3,6 bilhões de
habitantes, de modo que suas sementes ou ovos estão prosperando com uma rapidez
estonteante e sua região, nas palavras de Darwin, já não os poderia alimentar,
pelo quê a pregação indireta é que ambos os conjuntos devem ser atacados e
mortos.
Longe disso, penso
eu.
Desde quando adotou
o Caminho das Duas Vias (capitalismo ocidental, ou seja, cristianização com a
repartição do bolo da produçãorganização popularmente estatuído, e socialismo
chinês) a China cresce estrondosamente. E bastaria a Índia fazer o mesmo, a seu
modo, para adotar índices de crescimento socioeconômico espantosos – dada a
carência de base. A Índia deveria cristianizar-se também e isso é fácil para os
brâmanes.
Desde quando existem
fronteiras, os países não ficariam preocupados, PORQUE SERIA PROBLEMA DELES, da
China e da Índia, alimentar os seus. Mas, tal como ocorre com o Japão, aqueles
países se tornarão FORTEMENTE IMPORTADORES no plano agropecuário/extrativista e
igualmente, compensativamente exportadores em termos industriais, comerciais,
de serviços. Então, ambos os países, para alimentar sua gente, se apoderarão
via pagamento concorrencial, das áreas de produção agropecuária da América
Latina, da África, dos EUA e da Europa, para não falar da Rússia e CEI
(Comunidade de Estados Independentes). CRESCERÃO FORA DE SUAS FRONTEIRAS. Eis
aí o que parece ser uma ameaça, justamente levando através do darwinismo social
(ou socioeconômico) a sanções crescentes.
Digo o contrário.
Olhe que são dois
modos distintos de ver o mundo e precisamos dos cinco cegos para ver a
realidade inteira. Depois, eles são muito industriosos, civilizados, cultos,
socializados; além do quê, dificilmente se deixariam matar, sobre ser isso uma
violência impensável e ofensiva. Além disso, a globalização vem em boa hora
PORQUE projeta as guerras para além das nações, PARA FORA DO PLANETA, e isso
reverterá em benefícios, desde que os modos de ser e ter poderão se fundir
progressivamente, lentamente, com grande cuidado e zelo, de modo a não diminuir
ninguém.
Chineses e indianos
não são duas espécies estranhas, são a nossa mesma espécie e nosso espaço
comum, além de ser a Terra, pode ser todo o sistema solar e a constelação.
Preventivamente isso desmobiliza os idiotas que veriam na afirmação de Darwin
um interesse esdrúxulo.
A China e a Índia
SOMAM poderosamente valor de sobrevivência à espécie humana. Porisso, em parte,
a sobrevivência da espécie depende do que eles estiverem fazendo por lá.
Vitória, sábado, 13
de setembro de 2003.
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