A Quem Devemos
Respeitar...
J. R. R. Tolkien (sul-africano,
1892 a 1973, 81 anos entre datas), o agora celebradíssimo autor de O Senhor dos Anéis (e de O Hobbit, O Silmarilion, As Aventuras
de Tom Bombadil e parcelas de Os
Contos Inacabados), fumava cachimbo, porisso quase todos os personagens das
suas sagas fumam também, e cachimbo. Ainda não pude comprar uma biografia sua,
de modo que me guio por fotos dele sentado numa poltrona inglesa funda,
fumando.
Ali escreveu os
milhares de páginas de suas obras intrincadíssimas, com mapas, com línguas
verdadeiras (filologicamente criadas por ele, que era professor), com datação dos
eventos, com comunicação dos eventos em muitas passagens - é preciso ler tudo
para entender. Os filmes, embora muito interessantes, nem chegam perto de fazer
honra ao trabalho portentoso desse homem. Não sei se escrevia com máquina de
escrever, ele me parece mais do tipo que escreve com caneta, talvez até caneta-tinteiro
– é assim que o imagino, meticulosamente tecendo palavra por palavra como ponto
da tramurdidura espantosa que elaborou.
No modelo coloquei
sete níveis: povo, lideranças, profissionais, pesquisadores, estadistas,
santos/sábios e iluminados. Não posso dizer que ele fosse um iluminado, de modo
que o patamar mais baixo onde penso que deve estar é na condição de sábio. Ele
mudou a literatura para sempre, embora os ficcionistas possam olhar de banda,
com certo desprezo que votam à fantasia e à FC (pelas quais tenho a maior
consideração, diga-se de passagem, pelas razões que já coloquei).
Por exemplo, em O Hobbit há um superclimax, que é A Batalha dos Cinco Exércitos, para
onde tudo é conduzido e depois do quê tudo está definido, embora várias
passagens sejam emocionantes, como conversamos Gabriel e eu. Já em O Senhor dos Anéis ele construiu vários
climaxes, à maneira de Antonio Gaudí, o arquiteto espanhol (Barcelona,
província homônima, comunidade autônoma da Catalunha, 1852 a 1926, 74 anos
entre datas), com suas torres seguindo a gravidade, Tolkien também levantou
catedrais, especialmente projetada a d’O
Senhor dos Anéis, que em vários momentos suspende a respiração da gente,
com palavras que vão rolando como mel em nossas gargantas.
Há um punhado de
pessoas desprezíveis por suas palavras e gestos entre nós, humanos, mas há uns
grandes, uns que nos salvam de sermos apenas macacos, e fazem com que Deus, nem
que seja por um momentinho, olhe para a Terra extasiado.
Vitória, domingo, 14
de setembro de 2003.
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