A Igreja Kuhniana
Thomas Kuhn publicou
a Estrutura das Revoluções Científicas
em 1962 e no livro pregava a idéia de que os paradigmas prendem a imaginação e
a renovação científica, afunilando a busca do conhecimento. Lendo pela Rede
Cognata (veja Livro 2, Rede e Grade
Signalíticas) que paradigma = PROGRAMA = PROJEÇÃO = PROTEÇÃO = PROJETOS,
etc., podemos observar que há uma direção de pesquisa & desenvolvimento que
é firmemente enfeixada.
Em seu livro O Sol, o Genoma e a Internet
(ferramentas das revoluções científicas), São Paulo, Cia. Das Letras, 2001, p.
32, Freeman Dyson diz: “Isso ocorre com freqüência quando uma nova religião é
fundada: seus seguidores tornam-se muito mais inflexíveis e doutrinários que o
fundador. Aconteceu entre os seguidores de Thomas Kuhn. O próprio Kuhn nunca
pretendeu fundar uma nova religião. Mas há um grupo de filósofos e
historiadores da ciência que se autodenominam kuhnianos e propõem visões muito mais
extremadas que as dele. Alguns kuhnianos afirmaram que a aceitação de novas
teorias científicas baseia-se em lutas pelo poder político e econômico e não em
evidências científicas”.
Os discípulos e as
igrejas só se dispõem a falar pelo mestre quando este já está morto, como é o
caso de Kuhn, porque de outro modo poderiam ser desmentidos, como em geral
seriam mesmo.
Cada forma ou
estrutura é centro de uma esfera de possibilidades e toca cada ponto interno e da
superfície. Do mesmo modo a questão dos paradigmas toca todas as possibilidades
humanas. É claro que o poder político é interferente – quem, em sã demência
humana, se ausentaria da chance de poder ditar destino alheio? É evidente que o
poder econômico-financeiro burguês capitalista em qualquer das três ondas em
qualquer dos quatro mundos não se furtaria À PRECAUÇÃO de orientar os programas
de P&D em favor próprio, para a continuidade de sua linha de crescimento
capitalista excludente. Agora, é fatal que as evidências tecnocientíficas
orientem a disseminação capilar das verbas – mais para aquelas buscas que
prometem vitórias sentimentais ou mentais dos pesquisadores. A própria
preocupação humanista orientará parte das verbas. A preocupação ecológica outra
fração, e assim por diante.
É claro, os
kuhnianos radicais, da ultra-esquerda, farão de tudo para caracterizar uma teoria
conspiratória burguesa, que está longe de ser ou monolítica ou operatória em
nível de rendimento satisfatório para ela, até porque ela não é nem de longe
hegemônica e focalmente dirigida a um ponto por qualquer vasta consciência
unificada. Pelo contrário, a burguesia se rasga em frações, do mesmo modo que o
proletariado. A dificuldade vem justamente de manter minimamente unidas as
frações em torno de seus interesses básicos.
É justamente aí que
os tecnocientistas, visando unicamente suas vontades operatórias, inserem-se
para postular e obter desvios do que seriam os melhores interesses burgueses. E
são tolerados PORQUE de um lado tudo volta por enquanto à burguesia e do outro
a chamada “comunidade T/C” (ela também uma ficção útil) é com esses afrouxamentos
pacificada. E segue mansamente trabalhando pela preponderância burguesa.
Vitória, sábado, 13
de setembro de 2003.
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