terça-feira, 14 de março de 2017


A Grandeza dos Políticos

 

                            Cito muito uma frase feliz de Fernando Pessoa: “tudo é grande quando a alma não é pequena”, e sua correlata inversa: tudo é pequeno quando a alma não é grande.

                            Quando a gente olha as PESSOAS (indivíduos, famílias, grupos e empresas) que administram os AMBIENTES (municípios/cidades, estados, nações e mundo), nós vemos sua grandeza ou pequenez pelas obras que deixaram para nós. Quando pensamos nas Sete Maravilhas do Mundo Antigo (Grandes Pirâmides, Mausoléu de Helicarnasso, Jardins Suspensos da Babilônia, Farol de Alexandria, Estátua de Zeus, Templo de Ártemis, Colosso de Rodes) nós sabemos que por trás deles houve grandes seres humanos, que viram longe, que acreditaram em seus povelites ou nações ou culturas, mesmo se acreditavam também na escravidão, essa mancha da alma humana.

                            As grandes obras da modernidade e da contemporaneidade (são inumeráveis e, fora as pirâmides, sempre maiores e mais bonitas que as da Antiguidade) também nos falam da grandeza daqueles outros politicadministradores.

                            No ES e no Brasil, menos neste que naquela fração onde estamos, faltam as grandes obras, que falem de respeito e admiração por nosso povelite. Quando Luiz Paulo Veloso Lucas - que já é prefeito há sete anos em Vitória, faltando um ano e meio para terminar dois mandatos de quatro – ainda era secretário de Paulo Hartung Gomes, levei a ele meu texto, Medópolis, Evitando para a Grande Vitória o Pior dos Destinos, no qual constava a visão de um Calçadão em Camburi com duzentos metros de largura e vários bilhões de dólares de custo. Talvez sem dinheiro, talvez por outros motivos, ele se propôs fazer um bem menor. Falei a Max de Freitas Mauro, ex-governador, ainda em 1988, de construir um Centro Administrativo para o ES, com um milhão de m2 e vinte torres, mas ele chamou de “sonho”. Levei a Paulo Hartung Gomes, agora governador, a idéia de colocar sobre o Mestre Álvaro, na Serra, que já tem uns 600 metros de altura uma torre com outro tanto, que projetaria o ES longe, literalmente, através da visão e das ondas de rádio. Não sei se ele sequer dará atenção. E outras idéias tenho levado e dado aos políticos, mas a resposta é tímida, quando é dada, revelando-nos que falta grandeza de visão a esses homens e mulheres daqui.

                            São assim temerosos porque vêem o povelite como pequeno. Perdem o seu momento na geo-história. Do que poderão reclamar depois?

                            Vitória, domingo, 14 de setembro de 2003.

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