A Grandeza dos
Políticos
Cito muito uma frase
feliz de Fernando Pessoa: “tudo é grande quando a alma não é pequena”, e sua
correlata inversa: tudo é pequeno quando a alma não é grande.
Quando a gente olha
as PESSOAS (indivíduos, famílias, grupos e empresas) que administram os
AMBIENTES (municípios/cidades, estados, nações e mundo), nós vemos sua grandeza
ou pequenez pelas obras que deixaram para nós. Quando pensamos nas Sete
Maravilhas do Mundo Antigo (Grandes Pirâmides, Mausoléu de Helicarnasso, Jardins
Suspensos da Babilônia, Farol de Alexandria, Estátua de Zeus, Templo de
Ártemis, Colosso de Rodes) nós sabemos que por trás deles houve grandes seres
humanos, que viram longe, que acreditaram em seus povelites ou nações ou
culturas, mesmo se acreditavam também na escravidão, essa mancha da alma
humana.
As grandes obras da
modernidade e da contemporaneidade (são inumeráveis e, fora as pirâmides,
sempre maiores e mais bonitas que as da Antiguidade) também nos falam da
grandeza daqueles outros politicadministradores.
No ES e no Brasil,
menos neste que naquela fração onde estamos, faltam as grandes obras, que falem
de respeito e admiração por nosso povelite. Quando Luiz Paulo Veloso Lucas -
que já é prefeito há sete anos em Vitória, faltando um ano e meio para terminar
dois mandatos de quatro – ainda era secretário de Paulo Hartung Gomes, levei a
ele meu texto, Medópolis, Evitando para
a Grande Vitória o Pior dos Destinos, no qual constava a visão de um
Calçadão em Camburi com duzentos metros de largura e vários bilhões de dólares
de custo. Talvez sem dinheiro, talvez por outros motivos, ele se propôs fazer
um bem menor. Falei a Max de Freitas Mauro, ex-governador, ainda em 1988, de
construir um Centro Administrativo para o ES, com um milhão de m2 e
vinte torres, mas ele chamou de “sonho”. Levei a Paulo Hartung Gomes, agora
governador, a idéia de colocar sobre o Mestre Álvaro, na Serra, que já tem uns
600 metros de altura uma torre com outro tanto, que projetaria o ES longe,
literalmente, através da visão e das ondas de rádio. Não sei se ele sequer dará
atenção. E outras idéias tenho levado e dado aos políticos, mas a resposta é
tímida, quando é dada, revelando-nos que falta grandeza de visão a esses homens
e mulheres daqui.
São assim temerosos
porque vêem o povelite como pequeno. Perdem o seu momento na geo-história. Do
que poderão reclamar depois?
Vitória, domingo, 14
de setembro de 2003.
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