Tenho de Falar...
Gabriel reparou uma
coisa extraordinária: as mulheres andam de cabeça baixa nas ruas e sem olhar
para os lados, ao passo que com os homens é o contrário, cabeças firmes e retas,
mas olhando para os lados, vigiando. Isso não é julgamento de valor e o modelo
diz que devem existir 2,5 % de cada lado fora do esquema.
Por si só isso nada
significaria, mas quando juntamos o Modelo da Caverna das mulheres coletores e
dos homens caçadores, tudo se explica, e surge um cenário formidável: não fica
bem ao caçador ficar olhando para baixo, sem vigiar os predadores que podem vir
de qualquer direção. Por outro lado, mulheres coletoras que olhem para o chão
vão ter o máximo de ganho e rendimento na coleta.
Isso coloca que as
mulheres, ao dirigir, não vão olhar para os lados, e sim para frente, para
baixo e fixamente, ao passo que os homens terão aquelas outras características.
E ao ir às compras as mulheres olharão as prateleiras de baixo ao passo que os
homens fixarão as de cima, pelo que colocar produtos nitidamente masculinos em
baixo é querer não os vender.
Naturalmente tudo
isso depende de testes tecnocientíficos, de colocar aparelhinhos nas cabeças
das gentes (homens e mulheres), um na vertical com um giroscópio fixador e um
seguindo os olhos, bem como simplesmente observar, catalogar e reportar. É uma
observação importante para empregos e para muitos atos diários.
Sempre fico
encantado com a capacidade de observação de Gabriel (não nos esqueçamos das
crianças e dos adolescentes, eles não estão travados como nós em preferências
individuais ou coletivas – elas e eles deveriam ser consultados pelos
pesquisadores em geral).
Vitória,
quinta-feira, 11 de setembro de 2003.
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