segunda-feira, 13 de março de 2017


Tenho de Falar...

 

                            Gabriel reparou uma coisa extraordinária: as mulheres andam de cabeça baixa nas ruas e sem olhar para os lados, ao passo que com os homens é o contrário, cabeças firmes e retas, mas olhando para os lados, vigiando. Isso não é julgamento de valor e o modelo diz que devem existir 2,5 % de cada lado fora do esquema.

                            Por si só isso nada significaria, mas quando juntamos o Modelo da Caverna das mulheres coletores e dos homens caçadores, tudo se explica, e surge um cenário formidável: não fica bem ao caçador ficar olhando para baixo, sem vigiar os predadores que podem vir de qualquer direção. Por outro lado, mulheres coletoras que olhem para o chão vão ter o máximo de ganho e rendimento na coleta.

                            Isso coloca que as mulheres, ao dirigir, não vão olhar para os lados, e sim para frente, para baixo e fixamente, ao passo que os homens terão aquelas outras características. E ao ir às compras as mulheres olharão as prateleiras de baixo ao passo que os homens fixarão as de cima, pelo que colocar produtos nitidamente masculinos em baixo é querer não os vender.

                            Naturalmente tudo isso depende de testes tecnocientíficos, de colocar aparelhinhos nas cabeças das gentes (homens e mulheres), um na vertical com um giroscópio fixador e um seguindo os olhos, bem como simplesmente observar, catalogar e reportar. É uma observação importante para empregos e para muitos atos diários.

                            Sempre fico encantado com a capacidade de observação de Gabriel (não nos esqueçamos das crianças e dos adolescentes, eles não estão travados como nós em preferências individuais ou coletivas – elas e eles deveriam ser consultados pelos pesquisadores em geral).

                            Vitória, quinta-feira, 11 de setembro de 2003.

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