sexta-feira, 10 de março de 2017


Passagem do Virtual ao Real

 

                            Veja no Livro 38, anterior, o artigo, Circunferência, Diâmetro e Pi, em que mostrei que a equação C = π.D tem de um lado o diâmetro, que é número multiplicado por Pi, o transcendental que vale 3,141592..., indefinidamente indeterminável, e do outro lado, C, que só pode ser também um círculo que é aberto, que não se completa nunca.

                            Eis aí porque a passagem do virtual ao real, do teórico ao prático grimpa sempre, nunca fecha perfeitamente, nunca dá 100 % certo, nem poderia dar. Como se diz, “na prática a teoria é outra”. Só pode ser, só poderia mesmo ser, PORQUANTO não há fechamento possível. Há um corte, há um decepamento, ta um talho, uma machadada no pedacinho final para permitir o encaixe. “Feito a machadadas”, como diz o povo tão espirituosamente, define melhor a situação, porque quando olhamos bem lá para baixo, nos limites de definição, sempre vai estar faltando um pedaço na teoria que não dará nunca a prática. A teoria é necessária, é pensada, é ideal, é perfeita no limite; a prática é suficiente, é atuada, é real, é imperfeita que baste para ser e fazer e acontecer.

                            Mas são irmãs, são almas gêmeas, filhas do mesmo Grande Pai e da mesma Grande Mãe, Deus e Natureza, Ele e Ela, ELI, ABBA, ALÁ.

                            Não teria mesmo jeito de ficar esperando indefinidamente até que se completasse a última casa decimal lá pelos lados do infinito. Em algum momento a coisa deve começar a funcionar e, seja como for, mais tosca ou menos tosca a coisa vai, na marreta, no empurrão, no sopapo. Não fica tão belo quanto o ideal grego, mas vai-se levando do mesmo jeito. E não é que funciona!

                            Vitória, quarta-feira, 03 de setembro de 2003.

Nenhum comentário:

Postar um comentário