Passagem do Virtual
ao Real
Veja no Livro 38,
anterior, o artigo, Circunferência,
Diâmetro e Pi, em que mostrei que a equação C = π.D tem de um lado o
diâmetro, que é número multiplicado por Pi, o transcendental que vale
3,141592..., indefinidamente indeterminável, e do outro lado, C, que só pode ser
também um círculo que é aberto, que não se completa nunca.
Eis aí porque a
passagem do virtual ao real, do teórico ao prático grimpa sempre, nunca fecha
perfeitamente, nunca dá 100 % certo, nem poderia dar. Como se diz, “na prática
a teoria é outra”. Só pode ser, só poderia mesmo ser, PORQUANTO não há
fechamento possível. Há um corte, há um decepamento, ta um talho, uma machadada
no pedacinho final para permitir o encaixe. “Feito a machadadas”, como diz o povo
tão espirituosamente, define melhor a situação, porque quando olhamos bem lá
para baixo, nos limites de definição, sempre vai estar faltando um pedaço na
teoria que não dará nunca a prática. A teoria é necessária, é pensada, é ideal,
é perfeita no limite; a prática é suficiente, é atuada, é real, é imperfeita
que baste para ser e fazer e acontecer.
Mas são irmãs, são
almas gêmeas, filhas do mesmo Grande Pai e da mesma Grande Mãe, Deus e
Natureza, Ele e Ela, ELI, ABBA, ALÁ.
Não teria mesmo
jeito de ficar esperando indefinidamente até que se completasse a última casa
decimal lá pelos lados do infinito. Em algum momento a coisa deve começar a
funcionar e, seja como for, mais tosca ou menos tosca a coisa vai, na marreta,
no empurrão, no sopapo. Não fica tão belo quanto o ideal grego, mas vai-se
levando do mesmo jeito. E não é que funciona!
Vitória,
quarta-feira, 03 de setembro de 2003.
Nenhum comentário:
Postar um comentário