sexta-feira, 10 de março de 2017


Os Abnegados Autodidatas

 

                            No mesmo livro de Altamiro Pires Borges, Introdução, p. 13, ele diz: “Uma terceira razão diz respeito às difíceis condições enfrentadas por um autodidata – caso do autor. O mundo do capitalismo monopolista é um mundo fechado da ciência e da investigação, de pouco acesso aos pesquisadores abnegados. Resta-lhes, daí, então, ou a iniciativa pessoal com seu grande custo ou a adesão à linha tecnicista que definirá o suicídio moral dos mesmos”.

                            Comentei esse assunto neste Livro 39, artigo As Diretivas Paradigmáticas Tecnocientíficas, que responde ao muxoxo de APB, de resto excelente teórico. Ora, nem que fosse apenas como um organismo com limite ou linha de defesa contra o exterior, os mundos centrais, primeiro e segundo mundos, haveriam de constituir seu ADRN, sua fita de herança ou de automontagem com base em suas tendências, privilégios, querências, subjetividades racionalizadas e outros prazeres de serem eles e saberem eles de suas dores e prazeres. Qualquer um fará isso.

                            Dar-se trégua desse gênero que APB se dá ao apelar para as “difíceis condições” dos autodidatas abnegados, dos desprendidos autoeducadores, é atrair o escárnio, é chamar à antena de si o risinho de chacota ou mofa daqueles aderentes, aos quais Luis Fernando Veríssimo apelidou DUREX, que DEDIDIDAMENTE e sem arrependimento nenhum aderem à linha tecnicista e lá produzem comportadinhos para as linhas de dominância e exploração. Que importa que o façam? Como disse Clarice Lispector, é parar à beira da estrada para reclamar dos pés feridos de caminhar. Mas quando começamos o ir adiante na Grande Estrada já não era estrada ou caminho, obrigação de ir, e grande?

                            Se o mundo capitalista é fechado no monopólio orientativo da ciência e da técnica, e de um modo geral do restante Conhecimento, isso não nos importa, pois é assim que deve ser, porque se não fosse assim ele não SE CONDUZIRIA ao desastre e ao desmonte. SE ele ouvisse os “abnegados autodidatas”, sejam estes revolucionários ou não, seria para absorver-lhes os conceitos e as ações, incorporando-as à sua nova produção e produtividade, ou seja, aos novos índices de exploração e extração.

                            Melhor que não o faça.

                            Melhor que se mantenha separado, isolado e isolacionista, conduzindo-se em seu fechamento a seu beco sem saída geo-histórico e psicológico, à sua incapacidade de determinação de NOVAS SOLUÇÕES que os de fora trariam. Não é assim que ele se conduzirá ao colapso?

                            Vitória, sexta-feira, 05 de setembro de 2003.

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