Os Abnegados
Autodidatas
No mesmo livro de
Altamiro Pires Borges, Introdução, p. 13, ele diz: “Uma terceira razão diz
respeito às difíceis condições enfrentadas por um autodidata – caso do autor. O
mundo do capitalismo monopolista é um mundo fechado da ciência e da
investigação, de pouco acesso aos pesquisadores abnegados. Resta-lhes, daí,
então, ou a iniciativa pessoal com seu grande custo ou a adesão à linha
tecnicista que definirá o suicídio moral dos mesmos”.
Comentei esse
assunto neste Livro 39, artigo As
Diretivas Paradigmáticas Tecnocientíficas, que responde ao muxoxo de APB,
de resto excelente teórico. Ora, nem que fosse apenas como um organismo com
limite ou linha de defesa contra o exterior, os mundos centrais, primeiro e
segundo mundos, haveriam de constituir seu ADRN, sua fita de herança ou de
automontagem com base em suas tendências, privilégios, querências,
subjetividades racionalizadas e outros prazeres de serem eles e saberem eles de
suas dores e prazeres. Qualquer um fará isso.
Dar-se trégua desse
gênero que APB se dá ao apelar para as “difíceis condições” dos autodidatas
abnegados, dos desprendidos autoeducadores, é atrair o escárnio, é chamar à
antena de si o risinho de chacota ou mofa daqueles aderentes, aos quais Luis
Fernando Veríssimo apelidou DUREX, que DEDIDIDAMENTE e sem arrependimento
nenhum aderem à linha tecnicista e lá produzem comportadinhos para as linhas de
dominância e exploração. Que importa que o façam? Como disse Clarice Lispector,
é parar à beira da estrada para reclamar dos pés feridos de caminhar. Mas
quando começamos o ir adiante na Grande Estrada já não era estrada ou caminho,
obrigação de ir, e grande?
Se o mundo
capitalista é fechado no monopólio orientativo da ciência e da técnica, e de um
modo geral do restante Conhecimento, isso não nos importa, pois é assim que
deve ser, porque se não fosse assim ele não SE CONDUZIRIA ao desastre e ao
desmonte. SE ele ouvisse os “abnegados autodidatas”, sejam estes
revolucionários ou não, seria para absorver-lhes os conceitos e as ações,
incorporando-as à sua nova produção e produtividade, ou seja, aos novos índices
de exploração e extração.
Melhor que não o
faça.
Melhor que se
mantenha separado, isolado e isolacionista, conduzindo-se em seu fechamento a
seu beco sem saída geo-histórico e psicológico, à sua incapacidade de
determinação de NOVAS SOLUÇÕES que os de fora trariam. Não é assim que ele se
conduzirá ao colapso?
Vitória,
sexta-feira, 05 de setembro de 2003.
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