segunda-feira, 13 de março de 2017


Opressão das Elites

 

                            A gente toda está acostumada a falar da opressão do povo, porque o vocábulo significa no Houaiss o estado daquilo que se encontra oprimido, apertado, comprimido – e nós não podemos imaginar que as elites estejam ou fiquem assim.

                            Mas elas ficam, sim. Primeiro que há quatro mundos (primeiro a quarto, os dois da frente comprimindo os dois de trás) e segundo que as elites se separam em bandos - não são de modo algum monolíticas como querem fazer crer. As elites do TER, a burguesia segue os modos políticadministrativos (frações escravistas, feudalistas, capitalistas, mais atrasadas, e, raramente, mais adiantadas, socialistas, comunistas e anarquista). Podem ser capitalistas de primeira, segunda e terceira ondas. Atacam-se umas às outras, essas frações.

                            Uns dentre eles tem melhor e outros, pior formação acadêmica (primeiro e segundo graus, universidade, mestrado, doutorado e pós-doutorado), são do campo ou das cidades, mais ou menos ricos, de maior ou menor visão, de modo que estão divididos, e essa divisão é para eles também opressão. Vivem com medo de todo tipo, razão porque pagam caro para monopolizar a Lei e as forças militares; em virtude do estado de pobreza que a riqueza significa do outro lado, vivem com medo de sair às ruas, medo de serem abordados, todo tipo de pavor.

                            De fato, eles vivem outro tipo de opressão que não é a dos pobres e miseráveis. Vivem em certa angústia, porque nem sequer são hegemônicos de verdade. Devem pacificar seu escritório, o Governo geral, que é pago com apropriação tributária do povo, fornecendo-lhe liberdade para a gatunagem das propinas e dos desvios de verba que sangram a nação.

                            Olhando bem, êta classinha oprimida, meu Deus!

                            Só não são os mesmos medos populares. Mas que estão lá, ah, isso estão mesmo!

                            Vitória, sexta-feira, 12 de setembro de 2003.

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