Opressão das Elites
A gente toda está
acostumada a falar da opressão do povo, porque o vocábulo significa no Houaiss
o estado daquilo que se encontra oprimido, apertado, comprimido – e nós não
podemos imaginar que as elites estejam ou fiquem assim.
Mas elas ficam, sim.
Primeiro que há quatro mundos (primeiro a quarto, os dois da frente comprimindo
os dois de trás) e segundo que as elites se separam em bandos - não são de modo
algum monolíticas como querem fazer crer. As elites do TER, a burguesia segue
os modos políticadministrativos (frações escravistas, feudalistas,
capitalistas, mais atrasadas, e, raramente, mais adiantadas, socialistas,
comunistas e anarquista). Podem ser capitalistas de primeira, segunda e
terceira ondas. Atacam-se umas às outras, essas frações.
Uns dentre eles tem
melhor e outros, pior formação acadêmica (primeiro e segundo graus,
universidade, mestrado, doutorado e pós-doutorado), são do campo ou das
cidades, mais ou menos ricos, de maior ou menor visão, de modo que estão divididos,
e essa divisão é para eles também opressão. Vivem com medo de todo tipo, razão
porque pagam caro para monopolizar a Lei e as forças militares; em virtude do
estado de pobreza que a riqueza significa do outro lado, vivem com medo de sair
às ruas, medo de serem abordados, todo tipo de pavor.
De fato, eles vivem
outro tipo de opressão que não é a dos pobres e miseráveis. Vivem em certa
angústia, porque nem sequer são hegemônicos de verdade. Devem pacificar seu
escritório, o Governo geral, que é pago com apropriação tributária do povo,
fornecendo-lhe liberdade para a gatunagem das propinas e dos desvios de verba
que sangram a nação.
Olhando bem, êta
classinha oprimida, meu Deus!
Só não são os mesmos
medos populares. Mas que estão lá, ah, isso estão mesmo!
Vitória, sexta-feira,
12 de setembro de 2003.
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