O Que se Perde?
Em seu livro, O que é uma Lei Física? Lisboa,
Gradiva, 1989, p. 49, Richard P. Feymann diz:
“Por outro lado, tomemos a lei de
Newton da gravitação, que discuti da última vez. Escrevi a seguinte equação: F
= G m m’/r2, precisamente para os impressionar com a velocidade que
a informação é transmitida por meio de símbolos matemáticos”.
Como já ficou dito
no modelo, a soma é zero: o que se perde de um lado se ganha do outro e
vice-versa. A concisão matemática permite grandes ganhos e ela deve mesmo
existir, mas vejamos o que foi perdido. Como eu disse no Livro 38, artigo Circunferência, Diâmetro e Pi, sendo Pi
um transcendental, daí não-finito, e D um número decididamente finito, do outro
lado aparece uma circunferência que nunca se completa. Quer dizer, em termos
filosóficos o VIRTUAL nunca pode ser PERFEITAMENTE traduzido em REAL – haverá
sempre um pequeno espaço onde a circunferência não se fecha. A teoria NUNCA
poderá ser perfeitamente modelada à prática, nem esta explicada por aquela. Dentro
da Teoria, que é única, cabem infinitas práticas.
O QUE É PERDIDO
·
F
é uma TENDÊNCIA, ou seja, uma indicação de que todos os objetos (matemáticos,
enquanto virtuais; realizados quando o Big Bang explodiu e modelou o universo
real em massas gravinerciais) TENDEM a se aproximar;
·
G
é o TENSOR GRAVINERCIAL (gravitacional, no caso, mas pressupondo sua
contraparte em zero, a inércia), uma constante de definição do universo
modelado;
·
M
e m’ são OBJETOS (que se realizam ou não, mas a lei segue sendo a mesma tanto
no mundo virtual não-modelado, matemático, geo-algébrico, quanto no mundo
modelado, real);
·
1/r2
é indicação de que há uma queda exponencial da tendência, isto é, que os
índices gravitacionais decrescem rapidamente, mas nunca chegam a zero
(portanto, não há gravidade zero em lugar nenhum);
·
=
é um sinal matemático, que não se realiza NUNCA. No real é uma expectativa de
que as aproximações conhecidas reportem utilidade DENTRO DESTE UNIVERSO, isto
é, que a paridade não se quebre nos níveis altos em que os racionais se
encontram.
Ora, pode se dar que a fórmula
matemática, ultracompacta, permita dar saltos incríveis no aprendizado, na
compactação cerebral em curto tempo, mas ela justamente suprime o raciocínio –
É UMA INDICAÇÃO SEGURA DE QUE ESTÁ SENDO ROUBADA RACIONALIDADE AOS OUVINTES.
Indica que a civilização ocidental preferiu e prefere ainda o serviço, a
re-produção das forças trabalhadoras necessárias devido ao roteamento ou troca
motivada pela morte, que a compreensão mais profunda, que é reservada apenas a
alguns, se é. Nem sei se é uma troca justa. Cada um que pense por si. A
tendência dos últimos séculos, desde Newton, foi a abolição do raciocínio, e
isso recebeu uma grande nota civilizatória no julgamento dos juízes que
conduzem a coletividade atual. O quê você preferiria?
Acho que eu gostaria dos dois lados:
a) rapidez quando se trate de chegar logo, b) compreensão mais profunda, de
onde emanam ou saem mais coisas.
Tal como disse Feymann, as fórmulas
podem impressionar, mas elas ocultam sempre muita coisa. E isso ele não disse.
Vitória, terça-feira, 09 de setembro
de 2003.
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