sexta-feira, 10 de março de 2017


Gassendi

 

                            No livro de John Henry, A Revolução Científica (e as origens da ciência moderna), Rio de Janeiro, JZE, 1998, p. 62, há esta passagem: ”A Filosofia corpuscular de Boyle, que foi vista como derivando em última análise da filosofia de Descartes, ou de Pierre Gassendi (1592-1655), o restaurador do atomismo antigo, é em diversos aspectos muito mais próxima de uma tradição particular, originada sobretudo de Summa perfectionis, obra falsamente atribuída ao alquimista árabe conhecido como Geber”.

                            Orientemos os dados, pela ordem:

·        GEBER (árabe, fim do século VIII, começo do século IX);

·        Pierre GASSENDI (francês, 1592 a 1656, 64 anos entre datas, 21 anos em 1613);

·        René DESCARTES (francês, 1596 a 1650, 54 anos entre datas, 21 anos em 1617);

·        Robert BOYLE (irlandês, 1627 a 1691, 64 anos entre datas, 21 anos em 1648).

Boyle pegou de Descartes, este de Gassendi, que tomou de Geber, mais remotamente (o qual, certamente, leu nos experimentos mentais e de oficina dos gregos de Alexandria). Os da frente tomaram de Boyle. Seria bom, em favor dos pesquisadores e dos estudantes de geo-história, estabelecer as linhas de desenvolvimento dos conceitos ou estruturas ou idéias. Nas mãos de um estudioso menor o conceito permanece pequeno, não assume todo seu potencial emanador, ao passo que um gigante o eleva bem ao alto. Newton tomou conceito de outros, assim como Einstein e tantos mais. É errado esconder e não tem maior significado mostrar – porque sem o gigante não teria havido a inflexão.

A vantagem maior de mostrar é que podemos ver a Árvore de Desenvolvimento Conceitual, com as maturações acontecendo neste ou naquele nodo individual e os desvios que levaram a becos sem saída – uma poderosa técnica epistemológica.

E isso, no final das contas, nos permite investigar melhor certas personalidades, como Pierre Gassendi (foi o importante reintrodutor do atomismo grego), saber mais do que ele fez, dar-lhe vulto, pois sempre haverá gente para estudar mais e melhor uma empresa, um grupo, uma família, um indivíduo. Rende para todos e para a apresentação escolar de exemplos. De outro modo ficaria parecendo que magicamente os conceitos explodiram dentro de seus divulgadores terminais, o que é errado, pois o desenvolvimento humano é tecnarte coletiva, além de ser individual.
Vitória, terça-feira, 26 de agosto de 2003.  

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