Gassendi
No livro de John
Henry, A Revolução Científica (e as
origens da ciência moderna), Rio de Janeiro, JZE, 1998, p. 62, há esta
passagem: ”A Filosofia corpuscular de Boyle, que foi vista como derivando em
última análise da filosofia de Descartes, ou de Pierre Gassendi (1592-1655), o
restaurador do atomismo antigo, é em diversos aspectos muito mais próxima de
uma tradição particular, originada sobretudo de Summa perfectionis, obra
falsamente atribuída ao alquimista árabe conhecido como Geber”.
Orientemos os dados,
pela ordem:
·
GEBER
(árabe, fim do século VIII, começo do século IX);
·
Pierre
GASSENDI (francês, 1592 a 1656, 64 anos entre datas, 21 anos em 1613);
·
René
DESCARTES (francês, 1596 a 1650, 54 anos entre datas, 21 anos em 1617);
·
Robert
BOYLE (irlandês, 1627 a 1691, 64 anos entre datas, 21 anos em 1648).
Boyle pegou de Descartes, este de
Gassendi, que tomou de Geber, mais remotamente (o qual, certamente, leu nos
experimentos mentais e de oficina dos gregos de Alexandria). Os da frente
tomaram de Boyle. Seria bom, em favor dos pesquisadores e dos estudantes de
geo-história, estabelecer as linhas de desenvolvimento dos conceitos ou
estruturas ou idéias. Nas mãos de um estudioso menor o conceito permanece
pequeno, não assume todo seu potencial emanador, ao passo que um gigante o
eleva bem ao alto. Newton tomou conceito de outros, assim como Einstein e
tantos mais. É errado esconder e não tem maior significado mostrar – porque sem
o gigante não teria havido a inflexão.
A vantagem maior de mostrar é que podemos
ver a Árvore de Desenvolvimento Conceitual,
com as maturações acontecendo neste ou naquele nodo individual e os desvios que
levaram a becos sem saída – uma poderosa técnica epistemológica.
E isso, no final das contas, nos
permite investigar melhor certas personalidades, como Pierre Gassendi (foi o
importante reintrodutor do atomismo grego), saber mais do que ele fez, dar-lhe
vulto, pois sempre haverá gente para estudar mais e melhor uma empresa, um
grupo, uma família, um indivíduo. Rende para todos e para a apresentação
escolar de exemplos. De outro modo ficaria parecendo que magicamente os
conceitos explodiram dentro de seus divulgadores terminais, o que é errado,
pois o desenvolvimento humano é tecnarte coletiva, além de ser individual.
Vitória, terça-feira,
26 de agosto de 2003.
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