Duração de
Constantinopla
Constantino/polis, a
Cidade de Constantino, que foi plantada sobre Bizâncio, que teve fundação
contemporânea à de Roma, lá por 750 antes de Cristo.
Do livro de Steven
Runciman, A Civilização Bizantina, Rio
de Janeiro, Zahar, 1977, eis duas citações:
·
p.
24: “O império reformado, instalado a 11 de maio de 330, durou 1.123 anos e 18
dias. Em meio às constantes transformações da Europa daqueles séculos, um fato
permanecia imutável: um imperador romano reinava, com majestade autocrática, em
Constantinopla”.
·
p.
52: “O Império Bizantino sobreviveu por 1.100 anos graças exclusivamente às
virtudes de sua constituição e administração. Poucos Estados foram organizados
de modo tão bem adequado à época e visando cuidadosamente a impedir que o poder
permanecesse em mãos incompetentes. Essa organização não foi obra consciente e
deliberada de um único homem ou de um único período. Fundamentalmente, foi uma
herança do passado romano, adaptada continuamente e suplementada no decorrer
dos séculos, para atender a exigências várias”.
Começando em 1776 seria como se os EUA
durassem até 2800, o que parece desde já longe de ser possível.
Tendo durado tanto tempo, nos seus
estertores (Queda de Constantinopla em 1453) ainda foi capaz de transferir
Conhecimento (Magia/Arte, Teologia/Religião, Filosofia/Ideologia,
Ciência/Técnica e Matemática da época), riqueza e poder suficiente para
provocar na atrasada Europa o Renascimento (porque, obviamente, considerava-se
que a Europa estava morta), que foi dar no Iluminismo, que por sua vez induziu
a contemporaneidade a partir de 1789 na França (Queda da Bastilha) e a seguir o
domínio europeu no mundo.
E tudo graças a alguma forma de
organização institucional.
Pois bem, apesar de Constantinopla
significar isso tudo, os geo-historiadores ocidentais quase não falam dela,
parecem ter até vergonha de referir-se a esse marco incontornável. Não é
esquisito?
Vitória, terça-feira, 09 de setembro
de 2003.
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