domingo, 12 de março de 2017


Dando Bandeira

 

                            O lema da bandeira brasileira é o positivismo (sobreafirmação do positivo, um otimismo desenfreado) comteano Ordem e Progresso, enquanto o da bandeira do Espírito Santo é Trabalha e Confia.

                            Analisemos a ambos.

                            BANDEIRA BRASILEIRA

·        Como se trata de um conectivo, “e”, não é “ou”, exclusivo, é inclusivo, UM-E-OUTRO. Progresso como defesa contra a desordem E ordem como resistência à estagnação ou retrocesso. O que não é de modo algum admitido no Brasil é desordem e paralisação ou regressão. São os dogmas nacionais. A necessidade de impor a ordem a qualquer custo levará a ditaduras, ao passo que a insistência em andar para frente de qualquer modo, sem consideração de desvio, pode levar-nos aos precipícios ou aos afogamentos. Assim sendo, o limite é, quanto à ordem, a contração ditatorial, e o limite quando ao progresso é o colapso do país diante de dificuldades intransponíveis. São duas debilidades terríveis.

BANDEIRA CAPIXABA

·        Já aqui temos duas desnaturezas: os que não trabalham e os que não confiam. A ociosidade ou o ócio tende a ser mal-visto no ES, o que pode querer dizer uma compulsão para trabalhar a qualquer custo, o chamado vício-das-tarefas. Do outro lado a confiança é uma imposição categórica e não uma escolha, não é um aprendizado. E veja que não apenas fiança, que é particular, mas con-fiança, uma garantia pública, coletiva, conjunta. Então, no ES, só os que trabalham continuamente e os que confiam irrefletidamente tendem a ser aceitos. A confiança é uma coisa excepcionalmente boa e venho insistentemente pregando-a, mas enquanto escolha, decisão, livre-arbítrio. O trabalho é o que tudo vence, principalmente quando inteligente, mas o excesso dele é escravidão, mesmo que ao Estado.

Veja então você o perigo de cravar palavras em bandeiras.

Como tenho mostrado sempre, as palavras nos trazem suspeição. Só o fato de existirem basicamente apenas dois partidos nos EUA, democrático e republicano, nos garantem que:

1.       Pelo lado republicano a República será preservada mesmo que com prejuízo da democracia (que é o que está havendo com Bush, falso motivo o 11 de setembro de 2001), levando fatalmente à ditadura;

2.      Pelo lado democrático os americanos não se incomodarão se a República for substituída pelo Império, desde que o povo esteja no poder (dentro da fórmula clássica de Lincoln: do povo, pelo povo, para o povo), isto é, que haja uma constituição e representação parlamentar.

A única garantia deles fica sendo a estrita paridade partidária, pois se um dos partidos se tornar absoluto ou central, deslocando o outro, uma das duas condições aparecerá. E o fato de que os EUA estão caminhando firmemente para a ditadura nos mostra que o partido republicano conduzirá os destinos daquela nação.

Então, veja, palavras aparentemente muito inocentes podem nos revelar muitas coisas, quando submetidas a análises judiciosas.

Vitória, sexta-feira, 12 de setembro de 2003.

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