Dando Bandeira
O lema da bandeira
brasileira é o positivismo (sobreafirmação do positivo, um otimismo
desenfreado) comteano Ordem e Progresso, enquanto o da bandeira do Espírito
Santo é Trabalha e Confia.
Analisemos a ambos.
BANDEIRA BRASILEIRA
·
Como
se trata de um conectivo, “e”, não é “ou”, exclusivo, é inclusivo, UM-E-OUTRO.
Progresso como defesa contra a desordem E ordem como resistência à estagnação
ou retrocesso. O que não é de modo algum admitido no Brasil é desordem e
paralisação ou regressão. São os dogmas nacionais. A necessidade de impor a
ordem a qualquer custo levará a ditaduras, ao passo que a insistência em andar
para frente de qualquer modo, sem consideração de desvio, pode levar-nos aos
precipícios ou aos afogamentos. Assim sendo, o limite é, quanto à ordem, a
contração ditatorial, e o limite quando ao progresso é o colapso do país diante
de dificuldades intransponíveis. São duas debilidades terríveis.
BANDEIRA
CAPIXABA
·
Já
aqui temos duas desnaturezas: os que não trabalham e os que não confiam. A
ociosidade ou o ócio tende a ser mal-visto no ES, o que pode querer dizer uma
compulsão para trabalhar a qualquer custo, o chamado vício-das-tarefas. Do
outro lado a confiança é uma imposição categórica e não uma escolha, não é um
aprendizado. E veja que não apenas fiança, que é particular, mas con-fiança,
uma garantia pública, coletiva, conjunta. Então, no ES, só os que trabalham
continuamente e os que confiam irrefletidamente tendem a ser aceitos. A
confiança é uma coisa excepcionalmente boa e venho insistentemente pregando-a,
mas enquanto escolha, decisão, livre-arbítrio. O trabalho é o que tudo vence, principalmente
quando inteligente, mas o excesso dele é escravidão, mesmo que ao Estado.
Veja então você o perigo de cravar
palavras em bandeiras.
Como tenho mostrado sempre, as
palavras nos trazem suspeição. Só o fato de existirem basicamente apenas dois
partidos nos EUA, democrático e republicano, nos garantem que:
1. Pelo lado republicano a República será
preservada mesmo que com prejuízo da democracia (que é o que está havendo com
Bush, falso motivo o 11 de setembro de 2001), levando fatalmente à ditadura;
2. Pelo lado democrático os americanos
não se incomodarão se a República for substituída pelo Império, desde que o
povo esteja no poder (dentro da fórmula clássica de Lincoln: do povo, pelo
povo, para o povo), isto é, que haja uma constituição e representação
parlamentar.
A única garantia deles fica sendo a
estrita paridade partidária, pois se um dos partidos se tornar absoluto ou
central, deslocando o outro, uma das duas condições aparecerá. E o fato de que
os EUA estão caminhando firmemente para a ditadura nos mostra que o partido
republicano conduzirá os destinos daquela nação.
Então, veja, palavras aparentemente
muito inocentes podem nos revelar muitas coisas, quando submetidas a análises
judiciosas.
Vitória, sexta-feira, 12 de setembro
de 2003.
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