quarta-feira, 15 de março de 2017


Cidade Anti-Cubo

 

                            Ocorreu-me pensar, numa linha que vem lá dos lados de 1977, que os prédios cúbicos ou paralelepipedais, antiartísticos, antimágicos de agora deveriam ser modificados para feições mais suaves e contínuas, sem os cortes abruptos e ofensivos das retas, que induzem, eles mesmos, belicosidade e agressividade.

                            Daí, passados alguns anos, fui à UFES e vi em minha mente que toda ela poderia ser contínua e harmônica, integrada totalmente, e escrevi sobre isso. Mais alguns meses (veja só como nossa mente é lenta) pensei nas cidades e em estados inteiros constituídos de forma integrada, ou seja, com todas as construções sendo planejadas para encaixe mútuo, sem solução de continuidade, sem rompimentos, e sem o excesso de retas que caracteriza o Ocidente superextrator, tão ligeirinho, tão apressado em crescer e multiplicar.

                            Vai a coisa assim muito lentamente na minha cabeça, até que vi isso: uma cidade inteira superintegrada, como se vê na FC e nas revistas em quadrinhos, onde os artistas-desenhistas e artistas-prosadores operam, de tal forma que houvesse idéia de continuidade e comunicação total, verdadeira comunhão.

                            Posso ver o quanto isso está longe, porque lodo de cara seria preciso desmontar quase todas as construções de agoraqui, restando apenas os prédios de grande expressividade geo-histórica. Pode demorar séculos. Mesmo com robôs e energia à farta pode demorar décadas até que os seres humanos possam partilhar dessa comunhão psicológica, agora ausente. Quando vejo e sinto a dor das PESSOAS (indivíduos, famílias, grupos e empresas) e dos AMBIENTES (municípios/cidades, estados, nações e mundo), vejo em que Terra errada podemos estar, tanto no Ocidente quanto no Oriente. Que monstruosidade é isso! Como está distante do Paraíso.

                            Vitória, segunda-feira, 15 de setembro de 2003.

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