Cidade Anti-Cubo
Ocorreu-me pensar,
numa linha que vem lá dos lados de 1977, que os prédios cúbicos ou paralelepipedais,
antiartísticos, antimágicos de agora deveriam ser modificados para feições mais
suaves e contínuas, sem os cortes abruptos e ofensivos das retas, que induzem,
eles mesmos, belicosidade e agressividade.
Daí, passados alguns
anos, fui à UFES e vi em minha mente que toda ela poderia ser contínua e
harmônica, integrada totalmente, e escrevi sobre isso. Mais alguns meses (veja
só como nossa mente é lenta) pensei nas cidades e em estados inteiros
constituídos de forma integrada, ou seja, com todas as construções sendo
planejadas para encaixe mútuo, sem solução de continuidade, sem rompimentos, e
sem o excesso de retas que caracteriza o Ocidente superextrator, tão
ligeirinho, tão apressado em crescer e multiplicar.
Vai a coisa assim
muito lentamente na minha cabeça, até que vi isso: uma cidade inteira
superintegrada, como se vê na FC e nas revistas em quadrinhos, onde os
artistas-desenhistas e artistas-prosadores operam, de tal forma que houvesse
idéia de continuidade e comunicação total, verdadeira comunhão.
Posso ver o quanto
isso está longe, porque lodo de cara seria preciso desmontar quase todas as
construções de agoraqui, restando apenas os prédios de grande expressividade
geo-histórica. Pode demorar séculos. Mesmo com robôs e energia à farta pode
demorar décadas até que os seres humanos possam partilhar dessa comunhão
psicológica, agora ausente. Quando vejo e sinto a dor das PESSOAS (indivíduos,
famílias, grupos e empresas) e dos AMBIENTES (municípios/cidades, estados,
nações e mundo), vejo em que Terra errada podemos estar, tanto no Ocidente
quanto no Oriente. Que monstruosidade é isso! Como está distante do Paraíso.
Vitória, segunda-feira,
15 de setembro de 2003.
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