Aqui se Faz, Aqui se
Paga
O povo diz assim, e
é mesmo uma pena que a Academia não investigue em profundidade os pesos e os
passos geo-históricos e psicológicos contidos na compactação dos adágios ou
ditados ou provérbios ou sentenças morais de origem popular.
Ou bem a acima
colocada é uma indicação de crença ocidental no Carma oriental (sistema de
reencarnações para zerar a soma de crimes nas vidas anteriores ou pregressas)
ou é uma promessa de perseguição ou é uma expectativa de que haja uma espécie de
justiça divina oculta que zere a soma ainda em vida ou é uma longa observação a
respeitos dos atos criminosos (com ciclos de retorno) ou é técnica de
aconselhamento familiar ou é policiamento social lingüístico ou é qualquer
coisa não identificada por mim.
O que querem dizer
os provérbios para, em primeiro lugar ter sido formulados (nunca são pensados pelos
idiotas, pelo contrário, devem sê-lo pelos sábios e santos)? E, depois, para
terem sido sustentados (porque ninguém toleraria algo sem utilidade – os
adágios também só sobrevivem na luta se têm aptidão explicativa), não devem ter
alguma serventia?
Nos Estados Unidos
estudam qualquer coisa, há tantas universidades e professores, revistas e
jornais para publicação, mas no Brasil, não, a tradição é portuguesa. Não
estudamos aqui as piadas nem os ditados, nem os costumes populares e das
elites, nem os argumentos (furados) de uns e outros para sustentar privilégios,
nem as bases do crime dito “organizado”, nem tantas coisas. Estudamos o que os
estrangeiros já investigaram antes. Não é ridículo?
As miudezas
populares são julgadas desprezíveis, como se não fizessem parte do mundo. E não
fazem mesmo parte do mundo das elites brasileiras dependentes, dessa antiga
sujeição à dominância estrangeira. Porisso as elites daqui jamais mostram mesmo
nada de interessante ao mundo.
Vitória,
terça-feira, 16 de setembro de 2003.
Nenhum comentário:
Postar um comentário