Acordos de Média
Como foi mostrado no
artigo Matéria em Movimento, neste
Livro 40, comentário sobre Russell, evidentemente há um ACORDO PRÉVIO, de
fundo, que está estabelecido na micropirâmide (campartícula fundamental,
subcampartículas, átomos, moléculas, replicadores, células, órgãos e
corpomentes) que igualiza ou assemelha quase todos os observadores, excetos
aqueles que por defeito de construção foram privados. No mais os seres humanos,
enquanto indivíduos que emergem na mesopirâmide (indivíduos, famílias, grupos,
empresas, municípios/cidades, estados, nações e mundo) já chegam ali POSTOS EM
MÉDIA, podendo conversar, com base em sentidos externos mais ou menos iguais,
semelhantes, e em interpretadores internos que dão respostas mais ou menos
parecidas aos estímulos que vem de fora, sobre uma vastidão de assuntos sobre
os quais concordam.
Pois Russell diz no
mesmo livro, Fundamentos da Filosofia,
Rio de Janeiro, Zahar, 1977 (sobre original inglês de 1970), p. 134: “(...)
teremos de admitir também que o que percebemos pode ser muito diferente do que
parecer ser”.
Se fosse assim, como
haveríamos de construir isso a que denominamos CULTURA, o ponto médio onde povo
e elites se encontram para somar sociedade do primeiro com civilização do
segundo? Como concordaríamos? Pelo contrário, creio que há grande acurácia ou
precisão nos sentidinterpretadores e que fomos empurrados para isso pela
evolução pessoambiental, a dupla pergunta-resposta de cada espécie, que a torna
diferente e separada quanto, digamos, ao aproveitamento do espectro
eletromagnético, isto é, a como cada uma se serve dele para investigar e
dominar ou tentar dominar o ambiente e as demais espécies.
Evidentemente há um
ACORDO EM TORNO DE UMA MÉDIA e disso depende a percepção. O que percebemos NÃO
PODE ser muito diferente do que parece ser, porque ao passar pela árvore no dia
seguinte nunca vejo a invaginação noutro ponto relativo das impressões somadas,
nem, extremamente, do outro lado do tronco. E posso com larga certeza conversar
com milhares e milhões de seres humanos, nascidos em coordenadas (latitude,
longitude, latitude) espaciais e temporais as mais distantes sem discordar
minimamente em torno do que está sendo mostrado: ninguém diz que vê uma
borboleta quando A aponta um avião, e assim por diante.
Logicamente, também,
isso tem grande importância na construção do espaçotempo e da Psicologia
civilizatória, pois há uma proliferação ENORME de objetos e de processos, que
sem os acordos de média ANTECIPADOS até aquele ponto não poderiam ser produzidos
PARA USO COMUM. Com certeza os acordos precisam ser melhorados e, por exemplo,
o PROCON (Defesa do Consumidor) é um fechador do fosso das discordâncias entre
a ganância solitária das elites e os compradores. A Lei como um todo e em
particular o Judiciário, enquanto lei governempresarial justicialista sob
domínio burguês, vigiam para que o fosso não se abra em demasia e o que é
pedido pelo dinheiro não seja respondido muito distanciadamente pela produção.
A Academia, como
sempre estúpida, não vê sequer que existem os acordos de média (ou de medida ou
de métrica) PORQUE dorme em berço esplêndido onde é afagada pela tolerância
programática distribuidora das verbas. Porisso não é capaz de investigar as
distorções, as dissonâncias que são, justamente, os apontamentos de maior
interesse, porque nesses conflitos estão as indicações potenciais de fim de
caminho das espécies, inclusive a humana, claro.
Ora, uma pergunta
AGUDA é esta: em que ritmo se apuram os acordos metrificadores? Como se sabe a
Revolução Francesa foi o primeiro instante postulador de limites rígidos à
licenciosidade das elites no seu trato com o povo, e o Sistema Métrico Decimal,
mesmo primitivo, que veio dar no contemporâneo Sistema Internacional, SI, já
foi “um adianto”, como diz o povo, quer dizer, foi um avanço poderoso no
sentido de afinar o encontro para um mínimo aceitável de ligabilidade, a
qualidade do que é ligável, povo e elites pós-revolucionárias. E pode-se
investigar (renderá muitas teses de mestrado e doutorado) QUANTO o sistema
métrico (ou sistema mediador) melhorou a qualidade das relações, em tudo.
Russell está
novamente errado.
Vitória,
quinta-feira, 11 de setembro de 2003.
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