A Separação Linguística
Houaiss insistia que
não havia separação entre o português de Portugal, lusitano, e o português
falado no Brasil, contra minha opinião, embora fosse ele o lingüista.
AS SEPARAÇÕES PSICOLÓGICAS
·
Das
figuras ou psicanálises;
·
Dos
objetivos ou psico-sínteses;
·
Das
produções ou economias;
·
Das
organizações ou sociologias;
·
Dos
espaçotempos ou geo-histórias.
Portugal é antigo e estável, com
milhares de anos, enquanto o Brasil tem menos de quinhentos, é jovem e
instável, aceitando sugestões de todos os tipos. O Brasil tem importado
vocábulos anglo-saxões, franceses, japoneses, alemães, para além dos africanos
que vieram com os negros e os indígenas, os que nos legaram os nativos, que como
todo mundo sabe foram muitos. A população de Portugal é de 10 milhões, enquanto
a do Brasil monta a 175 milhões. A de Portugal era a mesma quando a do Brasil
era de 90 milhões em 1970 ou em volta disso; em menos de 35 anos a nossa quase
dobrou. A 1,7 % de crescimento demográfico ao ano, dobrará novamente em 41
anos. A produção real do Brasil é enormemente maior que a de Portugal, porisso
há mais setas indo e vindo a toda parte, a troca de experiências e aberturas é
maior para nós que para eles.
Enfim, sem dúvida alguma há uma língua
brasileira se formando, graças aos céus. Nem porisso devemos escorregar para
fora da comunidade lusófona, porque por décadas ou séculos ainda guardaremos
semelhanças. Nós já não conseguimos entendê-los falando (e vice-versa; é mais
fácil entender um espanhol). Nosso Conhecimento geral nos empurrará para
direções e sentidos diferentes e nossos ambientes (municípios/cidades, estados,
nação e inserção no mundo – a deles é na Europa e a nossa é na América do Sul)
também. Enfim, havendo separação psicológica haverá separação lingüística, pois
há separação de almas. Pessoas diferentes em ambientes distintos nos darão cada
vez mais separações.
Choramos porque o português não é mais
o latim?
Vitória, domingo, 07 de setembro de
2003.
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