sábado, 11 de março de 2017


A Separação Linguística

 

                            Houaiss insistia que não havia separação entre o português de Portugal, lusitano, e o português falado no Brasil, contra minha opinião, embora fosse ele o lingüista.

                            AS SEPARAÇÕES PSICOLÓGICAS   

·        Das figuras ou psicanálises;

·        Dos objetivos ou psico-sínteses;

·        Das produções ou economias;

·        Das organizações ou sociologias;

·        Dos espaçotempos ou geo-histórias.

Portugal é antigo e estável, com milhares de anos, enquanto o Brasil tem menos de quinhentos, é jovem e instável, aceitando sugestões de todos os tipos. O Brasil tem importado vocábulos anglo-saxões, franceses, japoneses, alemães, para além dos africanos que vieram com os negros e os indígenas, os que nos legaram os nativos, que como todo mundo sabe foram muitos. A população de Portugal é de 10 milhões, enquanto a do Brasil monta a 175 milhões. A de Portugal era a mesma quando a do Brasil era de 90 milhões em 1970 ou em volta disso; em menos de 35 anos a nossa quase dobrou. A 1,7 % de crescimento demográfico ao ano, dobrará novamente em 41 anos. A produção real do Brasil é enormemente maior que a de Portugal, porisso há mais setas indo e vindo a toda parte, a troca de experiências e aberturas é maior para nós que para eles.

Enfim, sem dúvida alguma há uma língua brasileira se formando, graças aos céus. Nem porisso devemos escorregar para fora da comunidade lusófona, porque por décadas ou séculos ainda guardaremos semelhanças. Nós já não conseguimos entendê-los falando (e vice-versa; é mais fácil entender um espanhol). Nosso Conhecimento geral nos empurrará para direções e sentidos diferentes e nossos ambientes (municípios/cidades, estados, nação e inserção no mundo – a deles é na Europa e a nossa é na América do Sul) também. Enfim, havendo separação psicológica haverá separação lingüística, pois há separação de almas. Pessoas diferentes em ambientes distintos nos darão cada vez mais separações.

Choramos porque o português não é mais o latim?

Vitória, domingo, 07 de setembro de 2003.

Nenhum comentário:

Postar um comentário