sábado, 11 de março de 2017


Quer um Cafezinho?

 

                            Naturalmente antes oferecia-se um café, geralmente em xícara, que depois diminuiu com o depauperamento crescente e vinha numa “xicrinha”, a seguir num copo plástico, depois num copinho.

                            E passamos a ouvir de pó de café que além dos grãos moídos trazem galhos, folhas, pedras, milho e outros restos. Agora mesmo, no Café CONFUSO, senti cheio de restos de peixe – e tudo com o Selo ABINC de qualidade do café. Só o ES produz mais de sete milhões de sacas, que a uma média de digamos, 150 reais por saca, dá aí mais de 300 milhões de dólares por ano, merecendo a contagem da geo-história, como já pedi alhures.

                            O que vem no café, no pó de café?

                            Em vários lugares, visando contrastar a desconfiança das pessoas oferece-se moer os grãos à vista da clientela em máquinas próprias para isso, mas dificilmente alguém pede isso. O que vem no pó de café? Seria interessante especialistas contarem as histórias que presenciaram ou ficaram sabendo, de tal forma que possamos rir um pouco de nossas desgraças, de estar bebendo a bebida nacional por excelência com uma quantidade enorme de aditivos, inclusive proteína de germes, peixes e outros bichos, como baratas e ratos, quem sabe?

                            Que horrores despontarão?

                            Um povo inteiro enganado, sem falar que o melhor café é exportado (os impostos de exportação foram retirados pela malfadada Lei Kandir, um desses crápulas que golpearam o Brasil a serviço dos estrangeiros), deixando-nos com o restolho, o café de segunda, de terceira, de quarta, sei lá. Acho que retratar isso seria um pouco retratar a dependência brasileira, a subserviência das elites daqui às de lá, e a falta de respeito das daqui pelo nosso povo.

                            Vitória, quarta-feira, 03 de setembro de 2003.

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