PIB Energético
De conversarmos
sobre as falsificações do PIB (produto interno bruto) de todos os países,
especialmente de países como o Brasil, Gabriel prestou atenção ao Jornal do Commércio e nele viu que para
um crescimento anunciado de apenas 0,3 % (ou algo assim) do PIB brasileiro em
2003 há outro de 4,8 % na taxa de energia.
Lá por 1988,
consultando os dados do Almanaque Abril,
vi que o Espírito Santo era já a oitava ou nona economia estadual brasileira em
termos de arrecadação de ICMS e de consumo de energia. Procurei nos exemplares
que venho colecionando desde lá por 1978 (com anos saltados), mas os dados de
energia só vão até o começo da década dos 1990. Acho que há uma conspiração de
ocultamento, no sentido de não permitir o uso desse válido mensurador da
produção.
OLHANDO
ENÉRGICAMENTE (em
mil EWh; não sei que unidade é essa). Fonte: Almanaque Abril.
|
ANO
|
CONSUMO
|
AUMENTO
quantitativo
|
AUMENTO
qualitativo (%)
|
|
1973
|
55,1
|
----
|
----
|
|
1974
|
61,9
|
6,8
|
12,3
|
|
1975
|
68,9
|
7,0
|
11,3
|
|
1976
|
77,5
|
8,6
|
12,5
|
|
1977
|
87,2
|
9,7
|
12,5
|
|
1978
|
97,2
|
10,0
|
11,5
|
|
1979
|
109,8
|
12,6
|
13,0
|
|
1980
|
120,7
|
10,9
|
9,9
|
|
1981
|
124,0
|
3,3
|
2,7
|
|
1982
|
131,1
|
7,1
|
5,7
|
|
1983
|
134,4
|
3,3
|
2,5
|
|
1984
|
151,0
|
16,6
|
12,4
|
|
1985
|
163,8
|
12,8
|
8,5
|
|
1986
|
176,6
|
12,8
|
7,8
|
|
1987
|
182,0
|
5,4
|
3,1
|
|
1988
|
188,5
|
6,5
|
3,6
|
|
1989
|
197,0
|
8,5
|
4,5
|
Eis porque eles colocaram Figueiredo
para fora: não porque fosse ditadura, mas porque o ritmo real de crescimento
arrefeceu. A burguesia não está interessada em se o governo é ou não criminoso
e duro, mas apenas em saber se há grande multiplicação. Como Sarney também não fez
crescer, fizeram de tudo para colocá-lo para fora. A década dos 1970, de Médici
e Geisel, foi uma delícia explícita e a burguesia aplaudiu.
Claro que alguns descontos devem ser
dados: 1) dos maiores rendimentos, que fazem com que se produza mais com a
mesma quantidade de energia; 2) dos desvios dos vários segmentos (residências,
indústrias, agropecuária, etc.), e assim por diante, mas mesmo com tudo isso
consegue ser o consumo de energia um índice muito fiel.
Agora, em 1994, quando do lançamento
do Plano Real, o real foi equiparado ao dólar PORQUE os economistas daqui
esperaram o momento certo para fazer a divisão por 2.750. Seria preciso saber
quando começou a haver a desvalorização cambial (de troca) do real frente ao
dólar, dependendo exclusivamente de políticas de balança comercial, referidas
ao desejo estrangeiro de comprar mercadorias baratas, com grande sacrifício do
povo brasileiro. Se tomarmos o último PIB em dólares que não decresceu em razão
de tais desvalorizações unilaterais, o de 1997, ele foi de 808 bilhões de
dólares (chegando - o que deveria causar estranheza - a 529 bilhões em apenas
dois anos, 1999). SEM SUPOR CRESCIMENTO ALGUM DA ECONOMIA em seis anos, apenas
considerando que a sonegação geral é de 60 %, o PIB real (visível ou
comunicado, mais invisível ou oculto) seria agora da ordem de 2.000 bilhões,
frente ao dos EUA, que chega aos 11 trilhões, portanto, (11/2 =) 5,5/1,0 e não
um vigésimo, como dizem, mesmo levando em conta que nos EUA também há
sonegação, ainda que bem menor que a do Brasil (e do México e outros países
violentos e desrespeitadores do povo). Se imaginarmos um crescimento moderado
(energético) de 5 % ao ano, o PIB brasileiro já estaria perto de 2,7 trilhões
de dólares, equivalente ao da Alemanha, que era em 1999 de 2,4 trilhões.
Se o Brasil possui um PIB da ordem de
500 bilhões está junto do Canadá, da Espanha, da Coréia do Sul em ordem de
grandeza, e tendo muito mais gente seria pobre; mas se tem um PIB real que é
cinco vezes o anunciado, não é ou não deveria mais ser país mais favorecido nas
relações mundiais, nem sua população poderia continuar sendo tratada como está
sendo.
Ora, seria preciso calcular com certa
acuidade o PIB real do país, de modo a podermos definir com certeza se somos
pobres ou ricos. Talvez pela situação de tantos milhões de pobres e miseráveis
não sejamos ricos, mas pela situação maravilhosa e folgada dos ricos e dos
médios-altos pobres não somos mais.
É uma mentirada do caramba, tanto para
adultos quanto para milhões de crianças e adultos enganados.
Vitória, quinta-feira, 11 de dezembro
de 2003.
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