sábado, 15 de abril de 2017


PIB Energético

 

                            De conversarmos sobre as falsificações do PIB (produto interno bruto) de todos os países, especialmente de países como o Brasil, Gabriel prestou atenção ao Jornal do Commércio e nele viu que para um crescimento anunciado de apenas 0,3 % (ou algo assim) do PIB brasileiro em 2003 há outro de 4,8 % na taxa de energia.

                            Lá por 1988, consultando os dados do Almanaque Abril, vi que o Espírito Santo era já a oitava ou nona economia estadual brasileira em termos de arrecadação de ICMS e de consumo de energia. Procurei nos exemplares que venho colecionando desde lá por 1978 (com anos saltados), mas os dados de energia só vão até o começo da década dos 1990. Acho que há uma conspiração de ocultamento, no sentido de não permitir o uso desse válido mensurador da produção.

OLHANDO ENÉRGICAMENTE (em mil EWh; não sei que unidade é essa). Fonte: Almanaque Abril.

ANO
CONSUMO
AUMENTO quantitativo
AUMENTO qualitativo (%)
1973
55,1
----
----
1974
61,9
6,8
12,3
1975
68,9
7,0
11,3
1976
77,5
8,6
12,5
1977
87,2
9,7
12,5
1978
97,2
10,0
11,5
1979
109,8
12,6
13,0
1980
120,7
10,9
9,9
1981
124,0
3,3
2,7
1982
131,1
7,1
5,7
1983
134,4
3,3
2,5
1984
151,0
16,6
12,4
1985
163,8
12,8
8,5
1986
176,6
12,8
7,8
1987
182,0
5,4
3,1
1988
188,5
6,5
3,6
1989
197,0
8,5
4,5

Eis porque eles colocaram Figueiredo para fora: não porque fosse ditadura, mas porque o ritmo real de crescimento arrefeceu. A burguesia não está interessada em se o governo é ou não criminoso e duro, mas apenas em saber se há grande multiplicação. Como Sarney também não fez crescer, fizeram de tudo para colocá-lo para fora. A década dos 1970, de Médici e Geisel, foi uma delícia explícita e a burguesia aplaudiu.

Claro que alguns descontos devem ser dados: 1) dos maiores rendimentos, que fazem com que se produza mais com a mesma quantidade de energia; 2) dos desvios dos vários segmentos (residências, indústrias, agropecuária, etc.), e assim por diante, mas mesmo com tudo isso consegue ser o consumo de energia um índice muito fiel.

Agora, em 1994, quando do lançamento do Plano Real, o real foi equiparado ao dólar PORQUE os economistas daqui esperaram o momento certo para fazer a divisão por 2.750. Seria preciso saber quando começou a haver a desvalorização cambial (de troca) do real frente ao dólar, dependendo exclusivamente de políticas de balança comercial, referidas ao desejo estrangeiro de comprar mercadorias baratas, com grande sacrifício do povo brasileiro. Se tomarmos o último PIB em dólares que não decresceu em razão de tais desvalorizações unilaterais, o de 1997, ele foi de 808 bilhões de dólares (chegando - o que deveria causar estranheza - a 529 bilhões em apenas dois anos, 1999). SEM SUPOR CRESCIMENTO ALGUM DA ECONOMIA em seis anos, apenas considerando que a sonegação geral é de 60 %, o PIB real (visível ou comunicado, mais invisível ou oculto) seria agora da ordem de 2.000 bilhões, frente ao dos EUA, que chega aos 11 trilhões, portanto, (11/2 =) 5,5/1,0 e não um vigésimo, como dizem, mesmo levando em conta que nos EUA também há sonegação, ainda que bem menor que a do Brasil (e do México e outros países violentos e desrespeitadores do povo). Se imaginarmos um crescimento moderado (energético) de 5 % ao ano, o PIB brasileiro já estaria perto de 2,7 trilhões de dólares, equivalente ao da Alemanha, que era em 1999 de 2,4 trilhões.

Se o Brasil possui um PIB da ordem de 500 bilhões está junto do Canadá, da Espanha, da Coréia do Sul em ordem de grandeza, e tendo muito mais gente seria pobre; mas se tem um PIB real que é cinco vezes o anunciado, não é ou não deveria mais ser país mais favorecido nas relações mundiais, nem sua população poderia continuar sendo tratada como está sendo.

Ora, seria preciso calcular com certa acuidade o PIB real do país, de modo a podermos definir com certeza se somos pobres ou ricos. Talvez pela situação de tantos milhões de pobres e miseráveis não sejamos ricos, mas pela situação maravilhosa e folgada dos ricos e dos médios-altos pobres não somos mais.

É uma mentirada do caramba, tanto para adultos quanto para milhões de crianças e adultos enganados.

Vitória, quinta-feira, 11 de dezembro de 2003.

Nenhum comentário:

Postar um comentário