O Mais Baixo Povo
Supondo que os
níveis sejam sete (povo, lideranças, profissionais, pesquisadores, estadistas,
santos/sábios e iluminados), como eles se subdividem? A par das investigações
que devem ser procedidas posso fazer qualquer escolha, por exemplo, aquela que
o modelo anuncia como potências de quatro ou de sete. Se forem sete os níveis,
poderíamos redividí-los em sete cada um. Teríamos (77 =) 823.543
escolhas ou subníveis.
Digamos que anotemos
7 como sendo o povo, daí 7i (sete índice-i, i de 1 a 7, como na
matemática); 73 seria o terceiro subnível do nível 7, quer dizer,
povo três, quase chegando a 70 = 7. O mínimo estaria em 77,
sétimo subnível do nível 7. Os iluminados estariam em 1. Ou o contrário, o povo
em 1 e os iluminados em 7, em termos de potência.
Como disse Occan,
não devemos multiplicar as categorias e sim passar impiedosamente a navalha em
tudo que for inútil ou dispensável. Então, se proponho essa re-categorização
qual a sua utilidade?
Bem, podemos ver que
existem os profissionais, aqueles que fazem do trabalho operação contínua, de
uma vida inteira especializada, dedicada exclusivamente àquela fração cada vez
mais esperta. Podemos pensar que nem todos sejam bons no que fazem, que existam
uns melhores e outros piores, de maneira que podemos atribuir estrelas ao fazer,
evitando com isso perder tempo na busca no caso em que o tempo seja raro e
precioso pelo muito que há por fazer. Para gente ocupada, que tenha recursos e
não possa perder tempo indo a um ou outro profissional até encontrar o correto,
faz todo sentido classificá-los segundo a competência, num trabalho prévio do
mercado (demanda) ou dos pares (oferta), ou da convergência deles, uma
classificação segundo as regras de convivência. Eles podem fazer cursos de
aprimoramento, podem mentir, podem compor cartórios ou grupos de autoproteção,
dentro do tradicional corporativismo, podem ser dedicados – fatores que vão
fazer oscilar. Precisamos saber com segurança, na contratação deste mundo cada
vez mais complexo em que não basta um ordenamento grosseiro numa superfaixa -
muito larga -, apenas como profissionais. Um profissional muito baixo,
descuidado, sem renovação de conhecimento não pode servir a uma pessoa que tem
tarefas de enorme significância para a humanidade. Seria como entregar a vida
de Einstein a um pé-rapado qualquer de província. Pode ser que justamente com
este ele sobrevivesse, mas pode ser com maior probabilidade que morresse, e não
queremos isso, de modo algum.
Vitória,
segunda-feira, 08 de dezembro de 2003.
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