sábado, 15 de abril de 2017


O Mais Baixo Povo

 

                            Supondo que os níveis sejam sete (povo, lideranças, profissionais, pesquisadores, estadistas, santos/sábios e iluminados), como eles se subdividem? A par das investigações que devem ser procedidas posso fazer qualquer escolha, por exemplo, aquela que o modelo anuncia como potências de quatro ou de sete. Se forem sete os níveis, poderíamos redividí-los em sete cada um. Teríamos (77 =) 823.543 escolhas ou subníveis.

                            Digamos que anotemos 7 como sendo o povo, daí 7i (sete índice-i, i de 1 a 7, como na matemática); 73 seria o terceiro subnível do nível 7, quer dizer, povo três, quase chegando a 70 = 7. O mínimo estaria em 77, sétimo subnível do nível 7. Os iluminados estariam em 1. Ou o contrário, o povo em 1 e os iluminados em 7, em termos de potência.

                            Como disse Occan, não devemos multiplicar as categorias e sim passar impiedosamente a navalha em tudo que for inútil ou dispensável. Então, se proponho essa re-categorização qual a sua utilidade?

                            Bem, podemos ver que existem os profissionais, aqueles que fazem do trabalho operação contínua, de uma vida inteira especializada, dedicada exclusivamente àquela fração cada vez mais esperta. Podemos pensar que nem todos sejam bons no que fazem, que existam uns melhores e outros piores, de maneira que podemos atribuir estrelas ao fazer, evitando com isso perder tempo na busca no caso em que o tempo seja raro e precioso pelo muito que há por fazer. Para gente ocupada, que tenha recursos e não possa perder tempo indo a um ou outro profissional até encontrar o correto, faz todo sentido classificá-los segundo a competência, num trabalho prévio do mercado (demanda) ou dos pares (oferta), ou da convergência deles, uma classificação segundo as regras de convivência. Eles podem fazer cursos de aprimoramento, podem mentir, podem compor cartórios ou grupos de autoproteção, dentro do tradicional corporativismo, podem ser dedicados – fatores que vão fazer oscilar. Precisamos saber com segurança, na contratação deste mundo cada vez mais complexo em que não basta um ordenamento grosseiro numa superfaixa - muito larga -, apenas como profissionais. Um profissional muito baixo, descuidado, sem renovação de conhecimento não pode servir a uma pessoa que tem tarefas de enorme significância para a humanidade. Seria como entregar a vida de Einstein a um pé-rapado qualquer de província. Pode ser que justamente com este ele sobrevivesse, mas pode ser com maior probabilidade que morresse, e não queremos isso, de modo algum.
                            Vitória, segunda-feira, 08 de dezembro de 2003.

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