Nova Claridade
Européia
Nos filmes alemães e
ingleses mais recentes podemos notar uma claridade nova, um brilho muito maior,
iridescência extraordinária, que não existia nos filmes antigos e decadentes,
relativos a uma civilização que estava morrendo – e que duas guerras muito
violentas vieram renovar. O fato é que a I e a II Guerra Mundial, na realidade
ambas basicamente européias, conseguiram à custa de milhões de mortos um
milagre, a reunião dos europeus, que agora já são 15 na União Européia, preparando-se
para ser 27, com PIB equivalente ao dos EUA. Pararam de brigar entre si depois
de vários milênios e estão conversando.
Tudo isso se
transmite com clareza nos filmes. Estão mais alegres, despojados, nada dark,
nada escuros, nada melancólicos – estão vibrantes, mesmo. Pelo contrário, os
filmes americanos incorporaram o antigo pessimismo e derrotismo europeu.
Até os filmes
franceses estão menos voltados para aquela pesada e doentia reflexão
racionalista, Que satisfação está sendo assistir a esse NCE, Novo Cinema
Europeu, em que se mira o futuro, não o passado; a vida, não a morte; o prazer,
não a dor; a amizade, não a violência; não as coisas ruins, mas as coisas boas.
Que diferença em relação a apenas 20 ou 30 anos atrás!
Acho que vão
conquistar público.
Na medida em que
houver essa recuperação do bom-humor, do bom-amor, centenas de milhões irão ver
seus filmes em todo o mundo e isso selecionará a nova aptidão ou novo futuro do
NCE, o que é muito alvissareiro, notícias excelentes.
Quem agüentava
aquele cinema europeu depressivo de antes? Você sabe, foi aquele VCE (Velho
Cinema Europeu) que financiou o vôo rasteiro do intelectualóide e frustrado Cinema
Novo Brasileiro, cheio de remorsos e lições pedantes a dar AOS OUTROS. Agora,
não – ele deu o salto por cima, renovou-se e certamente será largamente
aplaudido logo mais.
Há luz nas salas, as
pessoas brilham, as cores reverberam, é mesmo lindo de ver.
Vitória,
terça-feira, 09 de dezembro de 2003.
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