sábado, 15 de abril de 2017


Nova Claridade Européia

 

                            Nos filmes alemães e ingleses mais recentes podemos notar uma claridade nova, um brilho muito maior, iridescência extraordinária, que não existia nos filmes antigos e decadentes, relativos a uma civilização que estava morrendo – e que duas guerras muito violentas vieram renovar. O fato é que a I e a II Guerra Mundial, na realidade ambas basicamente européias, conseguiram à custa de milhões de mortos um milagre, a reunião dos europeus, que agora já são 15 na União Européia, preparando-se para ser 27, com PIB equivalente ao dos EUA. Pararam de brigar entre si depois de vários milênios e estão conversando.

                            Tudo isso se transmite com clareza nos filmes. Estão mais alegres, despojados, nada dark, nada escuros, nada melancólicos – estão vibrantes, mesmo. Pelo contrário, os filmes americanos incorporaram o antigo pessimismo e derrotismo europeu.

                            Até os filmes franceses estão menos voltados para aquela pesada e doentia reflexão racionalista, Que satisfação está sendo assistir a esse NCE, Novo Cinema Europeu, em que se mira o futuro, não o passado; a vida, não a morte; o prazer, não a dor; a amizade, não a violência; não as coisas ruins, mas as coisas boas. Que diferença em relação a apenas 20 ou 30 anos atrás!

                            Acho que vão conquistar público.

                            Na medida em que houver essa recuperação do bom-humor, do bom-amor, centenas de milhões irão ver seus filmes em todo o mundo e isso selecionará a nova aptidão ou novo futuro do NCE, o que é muito alvissareiro, notícias excelentes.

                            Quem agüentava aquele cinema europeu depressivo de antes? Você sabe, foi aquele VCE (Velho Cinema Europeu) que financiou o vôo rasteiro do intelectualóide e frustrado Cinema Novo Brasileiro, cheio de remorsos e lições pedantes a dar AOS OUTROS. Agora, não – ele deu o salto por cima, renovou-se e certamente será largamente aplaudido logo mais.

                            Há luz nas salas, as pessoas brilham, as cores reverberam, é mesmo lindo de ver.

                            Vitória, terça-feira, 09 de dezembro de 2003.

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