sábado, 15 de abril de 2017


Lojas do Amor

 

                            Essa palavra foi usada tantas vezes e tão abusivamente que hoje a gente sente vergonha de dizer que ama, pois a prostituição é geral e inequívoca. A prostituição está em toda parte nessa degenerada socioeconomia ocidental, quando não na oriental também; no fundamentalismo islamita o medo de Deus é tanto que há por lá não a sóbria aceitação de ELI (Natureza/Deus, Ela/Ele, Alá = ABBA), mas a temerosa submissão.

                            Tais lojas podem ser universais, porém deve-se ter extremo cuidado de ao servir não avançar até o aparatoso e o exagerado, mas ir com cuidado, sensivelmente, muito devagar. A simplicidade deve ser tanta a ponto de não avançar um milímetro sequer para o esfuziante que seria cantar o amor onde e como fosse, segundo a apresentação da Natureza, ou a vontade de Deus, e sim como se temêssemos contaminá-lo de porcarias.

                            O principal é contratar gente que avance e recue ao mesmo tempo. As gerências devem ter cuidado na administração pausada das palavras e das imagens, dos processos e dos objetos, dos programas e das máquinas, instrumentos, aparelhos postos à venda, ou dos conselhos de viagem, ou da recuperação de PESSOAS (indivíduos, famílias, grupos e empresas) ou de AMBIENTES (cidades/municípios, estados, nações e mundo) e de tudo que for feito, de modo que se passe com segurança a mensagem de que a recuperação do Amor geral será lenta, demorada, ainda que tanto mais vigorosa quanto mais se avance. É incomparavelmente menos importante ganhar dinheiro do que ter a felicidade de se saber agente dessa reconstrução mundial. De tanto proibirem a felicidade ou infligirem a dor os agentes do Mal levaram a humanidade a oscilar tremendamente, como se o contrário do sofrimento fosse a completa baderna, a incontinência e todos os gêneros de violência e satisfação exagerada depois da fome.

                            Mesmo quando as lojas concorrentes nasçam e se espalhem, nesse particular deve-se ter cuidado para que a coisa dê resultado ao longo de décadas, até de séculos. Não tenho qualquer pressa.

                            Vitória, segunda-feira, 08 de dezembro de 2003.

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