Lojas do Amor
Essa palavra foi
usada tantas vezes e tão abusivamente que hoje a gente sente vergonha de dizer
que ama, pois a prostituição é geral e inequívoca. A prostituição está em toda
parte nessa degenerada socioeconomia ocidental, quando não na oriental também;
no fundamentalismo islamita o medo de Deus é tanto que há por lá não a sóbria
aceitação de ELI (Natureza/Deus, Ela/Ele, Alá = ABBA), mas a temerosa
submissão.
Tais lojas podem ser
universais, porém deve-se ter extremo cuidado de ao servir não avançar até o
aparatoso e o exagerado, mas ir com cuidado, sensivelmente, muito devagar. A
simplicidade deve ser tanta a ponto de não avançar um milímetro sequer para o
esfuziante que seria cantar o amor onde e como fosse, segundo a apresentação da
Natureza, ou a vontade de Deus, e sim como se temêssemos contaminá-lo de
porcarias.
O principal é
contratar gente que avance e recue ao mesmo tempo. As gerências devem ter
cuidado na administração pausada das palavras e das imagens, dos processos e
dos objetos, dos programas e das máquinas, instrumentos, aparelhos postos à
venda, ou dos conselhos de viagem, ou da recuperação de PESSOAS (indivíduos,
famílias, grupos e empresas) ou de AMBIENTES (cidades/municípios, estados,
nações e mundo) e de tudo que for feito, de modo que se passe com segurança a
mensagem de que a recuperação do Amor geral será lenta, demorada, ainda que
tanto mais vigorosa quanto mais se avance. É incomparavelmente menos importante
ganhar dinheiro do que ter a felicidade de se saber agente dessa reconstrução
mundial. De tanto proibirem a felicidade ou infligirem a dor os agentes do Mal
levaram a humanidade a oscilar tremendamente, como se o contrário do sofrimento
fosse a completa baderna, a incontinência e todos os gêneros de violência e satisfação
exagerada depois da fome.
Mesmo quando as
lojas concorrentes nasçam e se espalhem, nesse particular deve-se ter cuidado
para que a coisa dê resultado ao longo de décadas, até de séculos. Não tenho
qualquer pressa.
Vitória,
segunda-feira, 08 de dezembro de 2003.
Nenhum comentário:
Postar um comentário