quarta-feira, 12 de abril de 2017


Migrando para Europa

 

                            Europa, além de ser o nome do continente dos brancos - que tem 10,3 milhões de km2, PIB em 1999 de perto de 9,8 trilhões de dólares em 48 países, população em 2001 de 744 milhões - é também o nome de um dos maiores satélites de Júpiter, o maior dos planetas do sistema solar. É grande, tem um oceano imenso de 100 km de espessura sob capa de gelo.

OS SATÉLITES GALILEANOS DE JÚPITER (diâmetros por ordem de tamanho, em km e referidos à Lua, tomada como 100. Fonte: André de Cayeux e Serge Brunier, Os Planetas, Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1985, sobre original francês de 1982)

·       Ganimedes                    5.280                 152

·       Calisto                            4.840                 139

·       Io                                      3.640                 105

·       Europa                            3.130                   90

·       LUA                                  3.476                 100

Existem outros grandes satélites no sistema, mas estão bem mais longe, em Saturno; os que são imediatamente exploráveis são os de Júpiter, por um fator energético que deve ser bem alto (seria preciso fazer os cálculos).

Veja que Europa nem é maior que a Lua, é menor, 90 % do diâmetro, mas conserva essa característica extraordinária de ter um GRANDE oceano de 100 km de espessura. Já calculei que se o da Terra tiver espessura média de três quilômetros, terá (área superficial de 2/3 de 510 milhões de km2 ou 340 milhões de km2 de águas oceânicas x 3 km =) 1,5 bilhão de km3 de volume, enquanto Europa teria (superfície - 4πr2, r = 3.130/2 - 30,1 milhões de km2, x 100) 3,1 bilhões de km3 de água, o dobro do disponível na Terra (embora seja preciso calcular com precisão, dado que há um ângulo segundo o qual diminui a superfície 100 km abaixo). Mas podemos tomar genericamente que o volume de água de Europa é o dobro daquele da Terra. Para completar a Bandeira Elementar (ar, água, terra/solo e fogo/energia) que proporciona a base de desenvolvimento da Vida geral faltaria apenas a energia, que Júpiter, parece, fornece fartamente, além do quê a pressão tão grande pode ser que o próprio interior de Europa seja quente, pois o satélite ainda teria raio de mais de mil e quatrocentos quilômetros abaixo do oceano. Como nas fontes termais terrestres, descobertas depois de 1979, vulcões interiores poderiam estar proporcionando energia de cinzelamento das bio-formas.

Então, tanto a Europa daqui, conjunto de nações, quanto o satélite Europa de Júpiter parece ser muito interessante. Tudo fica pequeno diante dessa descoberta do grande oceano de Europa; nem Marte, nem Vênus, nem mesmo a Lua (enquanto fonte de vida; mas em se tratando de portos a questão é bem outra – a Lua é um caso todo à parte), nem qualquer outro objeto do SS é nem de longe tão interessante. Quase todos os esforços (fora os destinados à premente colonização da Lua) deveriam ser dirigidos a Europa.

Então, se pelas PESSOAS (indivíduos, famílias, grupos e empresas) e pelos AMBIENTES (cidades/municípios, estados, nações e mundo) já percorremos oito níveis no crescimento da racionalização, Europa e a Lua constituem, junto com o vazio espacial, a nona meta, o novo caminho, além-planeta, entrando já nos mundos do sistema solar, na escalada seguinte da macropirâmide (planetas, sistema solar, constelação, galáxia, aglomerado, superaglomerado, universo, pluriverso). A migração dos esforços racionais deve ser para Europa, sem dúvida alguma, porque ou já há vida lá ou pode haver. É mais certo que já haja e vida mais ou menos complexa, como intuiu e raciocinou Arthur Clarke.
Vitória, domingo, 07 de dezembro de 2003.

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