Migrando para Europa
Europa, além de ser
o nome do continente dos brancos - que tem 10,3 milhões de km2, PIB
em 1999 de perto de 9,8 trilhões de dólares em 48 países, população em 2001 de
744 milhões - é também o nome de um dos maiores satélites de Júpiter, o maior
dos planetas do sistema solar. É grande, tem um oceano imenso de 100 km de
espessura sob capa de gelo.
OS
SATÉLITES GALILEANOS DE JÚPITER
(diâmetros por ordem de tamanho, em km e referidos à Lua, tomada como 100.
Fonte: André de Cayeux e Serge Brunier, Os
Planetas, Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1985, sobre original francês de
1982)
·
Ganimedes 5.280 152
·
Calisto 4.840 139
·
Io 3.640 105
·
Europa 3.130 90
·
LUA 3.476 100
Existem outros grandes satélites no
sistema, mas estão bem mais longe, em Saturno; os que são imediatamente
exploráveis são os de Júpiter, por um fator energético que deve ser bem alto
(seria preciso fazer os cálculos).
Veja que Europa nem é maior que a Lua,
é menor, 90 % do diâmetro, mas conserva essa característica extraordinária de
ter um GRANDE oceano de 100 km de espessura. Já calculei que se o da Terra
tiver espessura média de três quilômetros, terá (área superficial de 2/3 de 510
milhões de km2 ou 340 milhões de km2 de águas oceânicas x 3 km =)
1,5 bilhão de km3 de volume, enquanto Europa teria (superfície - 4πr2,
r = 3.130/2 - 30,1 milhões de km2, x 100) 3,1 bilhões de km3
de água, o dobro do disponível na Terra (embora seja preciso calcular com
precisão, dado que há um ângulo segundo o qual diminui a superfície 100 km
abaixo). Mas podemos tomar genericamente que o volume de água de Europa é o
dobro daquele da Terra. Para completar a Bandeira Elementar (ar, água,
terra/solo e fogo/energia) que proporciona a base de desenvolvimento da Vida
geral faltaria apenas a energia, que Júpiter, parece, fornece fartamente, além
do quê a pressão tão grande pode ser que o próprio interior de Europa seja
quente, pois o satélite ainda teria raio de mais de mil e quatrocentos
quilômetros abaixo do oceano. Como nas fontes termais terrestres, descobertas
depois de 1979, vulcões interiores poderiam estar proporcionando energia de
cinzelamento das bio-formas.
Então, tanto a Europa daqui, conjunto
de nações, quanto o satélite Europa de Júpiter parece ser muito interessante.
Tudo fica pequeno diante dessa descoberta do grande oceano de Europa; nem
Marte, nem Vênus, nem mesmo a Lua (enquanto fonte de vida; mas em se tratando
de portos a questão é bem outra – a Lua é um caso todo à parte), nem qualquer
outro objeto do SS é nem de longe tão interessante. Quase todos os esforços
(fora os destinados à premente colonização da Lua) deveriam ser dirigidos a
Europa.
Então, se pelas PESSOAS (indivíduos,
famílias, grupos e empresas) e pelos AMBIENTES (cidades/municípios, estados,
nações e mundo) já percorremos oito níveis no crescimento da racionalização,
Europa e a Lua constituem, junto com o vazio espacial, a nona meta, o novo
caminho, além-planeta, entrando já nos mundos do sistema solar, na escalada
seguinte da macropirâmide (planetas, sistema solar, constelação, galáxia,
aglomerado, superaglomerado, universo, pluriverso). A migração dos esforços
racionais deve ser para Europa, sem dúvida alguma, porque ou já há vida lá ou
pode haver. É mais certo que já haja e vida mais ou menos complexa, como intuiu
e raciocinou Arthur Clarke.
Vitória, domingo, 07
de dezembro de 2003.
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