terça-feira, 11 de abril de 2017


Charlton Heston

 

                            Charlton Heston (Illinois, EUA, 1924, agora completando os 80 anos – está vivo em 2003) foi talvez o ator que mais filmes épicos fez, tão grandes e maravilhosos, com aquele rosto durão, firme, inabalável, de herói, de que nós nos lembramos do formidável Os Dez Mandamentos (1956), de Ben Hur (1959), do inesquecível O Planeta dos Macacos (1967) com sua memorável cena final, de Júlio César (1970), de Antônio e Cleópatra (1971) e tantos outros. Quanto esse camarada nos divertiu não foi bem aquilatado ainda.

                            Mas ele se meteu com a ANR (Associação Nacional do Rifle, em inglês cifra NRA), organização direitista que difunde e prega a disseminação de armas de fogo. Depois dos acontecimentos de Columbine e de Flint, duas cidades dos EUA, em que foram mortas inúmeras pessoas, acintosamente ele e os seus foram justamente a esses lugares apenas uma semana depois de cada evento dar palestras louvando os armamentos, como está posto no filme-documentário Tiros em Columbine, de Richard Moore, creio.

                            Tendo o autor do documentário ido com seu filmador à casa de Heston, viu-se que era uma casa grande, com quintal amplo, ensolarada, segura, com bom ar e boa iluminação, e que a vida dele é tranqüila, como deve sempre ter sido, até como agradecimento de seu auxílio ao divertimento do povo, o que prezo muito. Por quê ele tinha de ser assim já na velhice? É espantoso o que nós seres humanos podemos fazer para destruir nossas imagens. Por tudo que fez desde 1950 ele teria passado sem mancha nenhuma diretamente ao Céu, mas agora se candidatou ao Purgatório, digamos assim, da reprovação humana, se não for a de Deus.

                            Poderia ter ficado quieto no seu canto, mas achou-se no direito de ir afrontosamente, depois de dois eventos extremamente daninhos, colocar-se acima e contra o povo, o que é bastante chato.

                            Veja só como, no final da vida, o orgulho humano pode conduzir a pessoa a perdas irreparáveis.

                            Vitória, quinta-feira, 04 de dezembro de 2003.

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