Charlton Heston
Charlton Heston
(Illinois, EUA, 1924, agora completando os 80 anos – está vivo em 2003) foi
talvez o ator que mais filmes épicos fez, tão grandes e maravilhosos, com
aquele rosto durão, firme, inabalável, de herói, de que nós nos lembramos do
formidável Os Dez Mandamentos
(1956), de Ben Hur (1959), do
inesquecível O Planeta dos Macacos
(1967) com sua memorável cena final, de Júlio
César (1970), de Antônio e Cleópatra
(1971) e tantos outros. Quanto esse camarada nos divertiu não foi bem aquilatado
ainda.
Mas ele se meteu com
a ANR (Associação Nacional do Rifle, em inglês cifra NRA), organização
direitista que difunde e prega a disseminação de armas de fogo. Depois dos
acontecimentos de Columbine e de Flint, duas cidades dos EUA, em que foram
mortas inúmeras pessoas, acintosamente ele e os seus foram justamente a esses
lugares apenas uma semana depois de cada evento dar palestras louvando os
armamentos, como está posto no filme-documentário Tiros em Columbine, de Richard Moore, creio.
Tendo o autor do
documentário ido com seu filmador à casa de Heston, viu-se que era uma casa
grande, com quintal amplo, ensolarada, segura, com bom ar e boa iluminação, e
que a vida dele é tranqüila, como deve sempre ter sido, até como agradecimento
de seu auxílio ao divertimento do povo, o que prezo muito. Por quê ele tinha de
ser assim já na velhice? É espantoso o que nós seres humanos podemos fazer para
destruir nossas imagens. Por tudo que fez desde 1950 ele teria passado sem
mancha nenhuma diretamente ao Céu, mas agora se candidatou ao Purgatório,
digamos assim, da reprovação humana, se não for a de Deus.
Poderia ter ficado
quieto no seu canto, mas achou-se no direito de ir afrontosamente, depois de
dois eventos extremamente daninhos, colocar-se acima e contra o povo, o que é
bastante chato.
Veja só como, no
final da vida, o orgulho humano pode conduzir a pessoa a perdas irreparáveis.
Vitória,
quinta-feira, 04 de dezembro de 2003.
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