A Entrega Feminina
Sob o argumento de que
com julgamento desfavorável exterior os outros parecem, mas não são tolos,
olhando logicamente o princípio, como os milhões de anos pré-hominídeos e os
100, 50 ou 35 mil anos sapiens vieram dar na presente dominância masculina, ou,
perguntando de outro modo, por quê logo no início as mulheres cederam controle?
O Modelo da Caverna
mostra nitidamente que elas eram, pela lógica, as proprietárias, pois a coleta
produzia muito mais riqueza em quantidade e qualidade constante que a caça
esporádica. Como sabemos, a produção e reprodução dos objetos constitui a fonte
de poder. Temos visto, com a série de artigos sobre Ecologia Cíclica feminina
neste Livro 54, que o tempo circular, o espaço feminino foi sucedido pelo tempo
masculino linear, progressista, que arremete e constrói futuro – e esta é a
chave.
Continuando, como elas eram
no início as mulheres teriam permanecido no poder, mas poder pequeno, não esse
poder exponencial masculino que levou os sapiens a afrontarem tantos problemas
e a garantirem futuro pela solução deles, pois é assim que se consegue deixar
descendência, como sabemos do modelo e dos raciocínios dos livros. Ora, as
mulheres também não cederam porque eram “boazinhas”, doces, caritativas;
cederam no sentido de atender o maior de seus interesses – o de deixar
descendência cada vez maior, pois tudo está centrado nos filhos, no sentido de
ultrapassarem as outras espécies de fêmeas e as outras fêmeas da espécie no
domínio do futuro. Porque a Ecologia Cíclica, de extração num espaço restrito,
no PEQUENO ESPAÇO em volta da Caverna geral, não levaria a expansão e as
mulheres ainda estariam na África, não teriam trilhado nesses 200 mil anos
desde a EVA MITOCONDRIAL e o ADÃO Y a dimensão planetária inteira. Continuariam
sendo uma tribo pequenina em volta de alguma caverna. Ainda que destrutiva a
Ecologia Linear masculina foi a chave que nos trouxe aqui depois de 200 mil
anos, que são somente 1/19.000 do tempo desde o surgimento da Vida há 3,8
bilhões de anos. No Ano Cósmico de Sagan
(12 meses ou 365,25 dias/ano, 24 horas/dia, 3.600 segundos/hora = 31,5576
milhões de segundos num ano; divididos por 19.000 teremos 1.660,9 segundos-cósmicos,
0,5 hora-cósmica antes do final do ano). Menos ainda se considerarmos 100, 50
ou 35 mil anos sapiens (1/38.000, 1/76.000, 1/109.000). Num tempo TÃO CURTO
geologicamente a espécie sapiens pôde dominar o horizonte de todo o globo.
Claro, custou às mulheres muitos sopapos do amigo/inimigo, o outro lado
sapiens, mas expandiu tremendamente a espécie, de um modo que elas sozinhas não
teriam podido nem remotamente tentar. A inigualável agressividade masculina
projetou o mundo até onde ele está hojaqui.
Evidentemente houve um
custo tremendo em dores e mutilações, mas isso desenvolveu também uma mulher
mais apta, ainda que endurecida, brutalmente masculinizada, que encontrou nos
braços do inimigo/amigo resguardo para sua prole.
Não houve uma
superconsciência que decidisse. As coisas foram acontecendo, com uma ou outra
concessão pontual ir se somando até dar nesse deslocamento atual do equilíbrio.
Agora, põe-se uma outra
questão, que é correlata.
A QUAL MACHO a fêmea se
entrega?
A resposta geral é que ao vencedor.
Não é ao bonito, nem ao
feio, nem ao baixo, nem ao alto, nem ao magro, nem ao alto, nem ao de qualquer
raça – negra, branca, amarela, vermelha -, não ao esperto, não ao estúpido, não
a preferência definida (porque todos estão representados na atualidade) e sim ao sobrevivente, ao mais apto, ao MACHO
VÁLIDO. Não importa como sobreviva, desde que o faça, desde que proporcione
futuro ou promessa de futuro à prole. Guerreiros terão preferência.
Arrostadores, enfrentadores, afrontadores da adversidade, muito mais. Heróis.
Os que batam em outros homens. Os covardes serão afastados (mas, é claro, os
genes deles estão presentes porque eles desenvolveram mimetismo sexual). Arrostar é a palavra-chave. Quanto futuro é
prometido? Então, como existe a língua e as palavras não se distinguem, sem
prova contrária, da verdade, as mulheres cairão nas promessas e darão futuro a
machos mentirosos, DESDE QUE HAJA VENCEDOR (é porisso que pênis pequenos
sobreviveram, porque eles são ocultos pelas palavras - pois em tese uma vara
cada vez mais comprida, que chegue mais perto do útero, ou mais grossa, que
entupa todo o canal vaginal, impedindo o retorno dos espermatozóides, teria
tendência a ser selecionada) e é ele que vai chegar ao futuro. Assim, não
apenas machos com ferimentos cicatrizados denotarão o conquistador vitorioso de
proteínas que atravessou adversidades, como até homens que tenham sobrevivido a
contemporâneas operações da biomédica serão agraciados com vaginas e úteros.
Isso recoloca todo o olhar humano (masculino e feminino) sobre as relações e a
troca de olhares dos relacionantes, os que pretendem se relacionar. Isso
reprogramará as boates, a criação de músicas, a poesia e todas as tecnartes. O
mundo não mais será o mesmo depois que os psicólogos tiverem reequacionado os
elementos segundo essa proposta.
Será muito interessante.
Pois fazíamos sempre do
lado masculino a pergunta crucial: como conseguir a perseguida?
A resposta é muito linda
e é a chave de todo ato civilizatório: respondendo aos primórdios cavernícolas,
às proteínas que foram construídas no passado troglodita da humanidade. O que o
ambiente queria de nós, teleologicamente? - é a pergunta mais profunda. Depois,
a segunda é POR QUÊ e POR QUEM as mulheres renunciaram? A resposta geral é quem
pelo futuro. Elas são de quem produzir futuro. Serão de todo aquele que
prometer (conseguir ou não vem depois) lançá-las ao futuro. Não ao jovem ou ao
velho, mas às promessas, emocionais ou racionais que sejam. Um jovem terá
precedência, porque há a promessa implícita de maior duração para proteção da
prole, mas se um velho conseguir suprir isso com dinheiro, terá precedência. A
PROLE ou FUTURO é a chave.
As mulheres se entregam
ao futuro.
Vitória, sábado, 13 de
dezembro de 2003.
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