sábado, 15 de abril de 2017


Tempo e História

 

                            Quanto mais penso no modelo, mais o par polar oposto/complementar geografia-história me parece complexo e interessante.

                            O ET NA PONTESCADA CIENTÍFICA

·        Espaçotempo físico-químico;

·        Espaçotempo biológico-p.2;

·        Espaçotempo psicológico-p.3 (geo-histórico);                                  

·        Espaçotempo informacional-p.4;

·        Espaçotempo cosmológico-p.5;

·        Espaçotempo dialógico-p.6.

Agora suponha que tenhamos PET (espaçotempos psicológicos ou racionais ou humanos, para diferençar do ET F/Q): dois espaços seqüenciais que devem ser referenciados um ao outro. Eles não são meramente como os ET F/Q onde não há vontade, não há desejo, não há aflição, pois nos PET ou ET geo-históricos há as motivações da Psicologia (figuras ou psicanálises, objetivos ou psico-sínteses, produções ou economias, organizações ou sociologias, espaçotempos ou geo-histórias) – as flechas que levam de um ponto a outro não são montadas pelo acaso e sim pela necessidade, havendo a partir do acaso F/Q a modificação B/p.2, vindo dar na necessidade P/p.3.

Há tensões.

Os seres humanos são tencionados, têm intenções, e padecem de tensões nervosas que os conduzem de G1 (espaço geográfico um) a G2. As transformações não são lineares como as do ET F/Q; são não-lineares, muito complexas, com fatores evidentes e fatores ocultos. Esse é o tempo: TENSÃO. Ele conduz de G1 a G2, de um modo que não sabemos sequer precisar, exatamente porque não estudamos as cártulas ou cartuchos, como vendo pedindo. Então, o espaço é estático, desenho no plano, ao passo que o tempo é espacial, desenho completo do SER (memória, inteligência e controle) e do TER (matéria, inteligência e controle) que é seu co-ligado. Que tensões levaram a que o plano geográfico de ontem se tornasse o plano geográfico de hoje? Nesse meio aconteceu a história ou tempo, as torções ou tensões ou tempos que coligaram os elementos de um e outro plano. Enfim, geografia é o retrato 2D das disposições espaciais dos objetos, ao passo que história é a configuração 3D DAS TRANSIÇÕES, das explicações de como os G-espaços se transformaram uns nos outros. Geografia é efeito, história é causa. Daí que historiografar é EXPLICAR, ir até as causas dos eventos. Geografar é apenas descrever os objetos, sem apelar aos motivos pelos quais estão ali, razão pela qual a Geografia geral deve ser feita sem julgamentos de valor, ao passo que a História geral é julgamento, preferencialmente das elites, pois são sempre elas que conduzem.

A Geografia é mais prática e a História é mais teoria. Juntas fazem a GH prateórica de pesquisa teórica & de desenvolvimento prático. História diz respeito aos POR QUÊS das coisas, às explicações dos motivos que levaram as pessoas a fazer tal ou qual coisa. Desse modo a História deve ser aprofundada até às últimas razões de todas as coisas, aos motivos porque todas as coisas acontecem, assim como o tempo: por quê o tempo foi aberto? Isto é, qual o motivo de o universo ter sido criado? Mas o espaço sempre esteve lá – ele não leva a nenhuma realização, não corporifica, não cinzela, não modela.

Vitória, quarta-feira, 10 de dezembro de 2003.

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