Sócioeconomia da
Coleta
No Modelo das
Cavernas dos homens caçadores e das mulheres coletoras podemos pensar que os
milhões de anos dos pré-hominídeos, mais que os 50 mil anos dos sapiens,
moldaram-nos para tudo que veio depois, especialmente as capas civilizatórias
de 10 mil anos a esta data e as lingüísticas de 3,5 mil anos antes de Cristo
até agoraqui que se superpuseram aos sulcos profundos, molecularmente moldados,
em nossas consciências ou psicologias (figuras ou psicanálise das cavernas,
objetivos ou psico-sínteses das cavernas, produções ou economias das cavernas,
organizações ou sociologias das cavernas, geo-histórias ou espaçotempos das
cavernas), como ECONOMIAS (agropecuárias/extrativismos, indústrias, comércios,
serviços e bancos) DAS CAVERNAS.
Em suma, ainda somos
cavernícolas, homens de fora delas e mulheres de dentro. Da parte dos homens
qual seria a S/E DA CAÇA? A de olhar,
espreitar, mirar e quando desse ir, pegar e correr, para fugir de bocas grandes
e dentuças. Era a S/E do susto, da violência, da conquista, do roubo, do
subterfúgio – que é essa dominante, vinda dos homens caçadores, e que está em
curso de aplicação em todos os países do mundo.
Ela substituiu as
origens, que eram femininas.
A outra S/E, que
poderia ser hoje dominante, ou pelo menos pareada com a masculina, seria a S/E DA COLETA, feminina. Vamos olhar
logicamente para ela, dado que não podemos vê-la lá onde ficou, no passado cada
vez mais remoto: as mulheres apreensivas iam vagarosa e cuidadosamente colher.
Não podiam degradar demasiadamente o ambiente PORQUE ele devia responder mês
após mês, ano após ano, às fomes e necessidades da tribo. Eram parceiras, não-assaltantes;
companheiras, não- ladras; comensais, não-atacantes; identificavam-se com a
Natureza que ordenhavam metaforicamente e depois com as vacas domesticadas que
ordenhavam realmente; tiravam com cuidado, esperando reposição. Não podiam
maltratar a Grande Mãe Terra porque dependiam de extrações pequenas de seu
útero para manter-se indefinidamente vivas com sua prole.
Já os homens, não,
os homens podiam tocar fogo, destruir, pois podiam em grupos crescentes e cada
vez mais poderosos ir cada vez mais longe, nunca ou quase nunca retornando ao
mesmo ambiente ou só o fazendo passado bastante tempo, quando a Natureza já
tinha recuperado suas feridas. Quando os homens se apoderaram do saber
feminino, fizeram isso com a truculência de sempre, tornando as agriculturas de
culturas e os extrativismos MASCULINOS, quer dizer, violentos. Assim, quando a
irrigação e a criação de animais passou às mãos masculinas elas se tornaram
tremendamente expansivas, guerreiras, assaltantes, agressoras, atacantes; profundamente
destrutivas, desatentas, cruéis com os ambientes, julgando-o estranho e
não-amigo, inimigo, adversário, objeto de ódio até. Naturalmente esse modo de
ver e sentir, de pensar e explorar, se acoplou à Economia e à Sociologia
gerais, como formas dominantes masculinas de psicologia ou alma ou
racionalidade – e vem conduzindo o mundo desde então.
Não que vá haver
aqui a pregação ingênua, tola, de uma nova unilateralidade feminina, que não
cabe, que não é bem vinda, que não deve ser instalada, sob ameaça de colocar em
perigo toda a espécie. A moeda tem dois lados, feminino e masculino, e assim
deve ser. Tanto cabe a paz quanto a guerra e instalar somente a paz colocaria a
humanidade em risco.
Mas re-olhar assim,
logicamente, permite que reparemos nossos erros da presente unilateralidade
masculina.
É preciso, é fundamental,
que as mulheres con-partilhem 50/50 a condução da socioeconomia mundial, em
todos os países, em todos os estados ou províncias, em todos os municípios e
cidades, religiosamente, isto é, meio-a-meio mesmo, mas não PRECISAMENTE, podem
haver pequenas distorções. A presença maciça de economistas racionais
masculinos, excluído o sentimento feminino de integração rápida, tem levado a
muitos desastres. É preciso que as mulheres voltem a conduzir sua metade da
exploração humana do universo o quanto antes, sob pena de continuarmos a
cometer erros graves, devido a essa unilateralidade ou parcialidade que
presenciamos desde faz muito tempo. Ela foi útil, pois permitiu à humanidade
tomar todo o mundo, mas agora é excessiva.
Vitória,
quarta-feira, 10 de dezembro de 2003.
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