sexta-feira, 14 de abril de 2017


Sobre Piscinas

 

Pensando sobre piscinas me convenci de que elas não deram nem um milésimo do que poderão dar no futuro, quando forem mais bem visualizadas. O fato é que elas são quadradas, retangulares, redondas enquanto corte horizontal, quando poderiam assumir virtualmente qualquer forma geométrica - regular ou não. Há muitos formatos, claro, em forma de S, como anéis, de todo jeito, mas elas podem ir muito além tanto em forma quanto em conteúdo, se os grupos de tecnartistas em geral e de arquiengenheiros em particular se detiverem em pensá-las profundamente.

PISCINA MORTA: como o Mar Morto, com muito sal, supersaturação, de modo que as pessoas possam boiar o tempo todo, sem qualquer esforço, dificilmente conseguindo mergulhar. Supertranqüila para crianças de qualquer idade, inclusive as jovenzinhas, sem perigo de afogamento (exceto se emborcadas; mas mesmo assim será fácil desvirar).

                        PISCINA DO POVO: o povo é do lado do caos, não daquele da ordem, não daquele da disciplina. Porisso as piscinas que o sirvam devem ser bagunçadas mesmo, completamente anárquicas, sem direção, podendo-se fazer todo tipo de bandalheira – cobrando-se na porta o tratamento de saúde a cada semana. Entrada bem baratinha, 50 centavos, para ficar no horário do almoço, ou de tarde, ao sair do trabalho, por duas horas, com direito a banho de chuveiro. Espalhadas nos terrenos baldios, franqueável, universal, registrável a idéia. Muito dinheiro: são centenas de milhões de trabalhadores no mundo inteiro.

                        LENTE DE PISCINA: uma ou uma série de lentes em cima dando para água seccionada, de modo que a luz do Sol, incidindo, esquente no foco a água logo abaixo, possibilitando água sempre quentinha próxima do tubo.

                        TIPOS: já coloquei nas idéias muitos deles, mas os tipos podem ser misturados, formando os mais extraordinários desenhos. Paredes inclinadas, árvores, animais, mistura de formas, uma quantidade de variações incríveis.

                        Espanta-me, sobretudo, que as piscinas, já existindo há muito tempo, desde antes dos romanos, não tenham evoluído tanto assim. Creio que isso vem de não ter havido suficientes pressões de demanda (dado que as piscinas são destinadas aos ricos) de um lado e do outro, suficientes preocupações com o bem-estar alheio (o que impediu a busca de alternativas).

                        Vitória, quinta-feira, 04 de dezembro de 2003.

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