Revendo Sagan
O astrofísico Carl Sagan
colocou no seu livro Os Dragões do Éden,
Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1980 (sobre original americano de 1977), p.
21, adaptado de diagrama de Jerison de 1973, um quadro plotando "dispersão
da massa cerebral versus massa corporal em relação aos primatas, mamíferos,
aves, peixes, répteis e dinossauros", sempre crescendo destes para
aqueles, ou seja, mínimo nos dinossauros e máximo nos primatas, que são
pequenos com cérebros grandes. Diga-se de passagem que os "dragões"
são, supostamente, os seres humanos.
Depois, p. 23, aprofunda
ainda mais, colocando espécies, massa corporal em quilogramas e massa cerebral
em gramas, um diagrama exponencial. A baleia azul tem corpo de perto de 100
toneladas com cérebro de oito quilogramas (multiplicando por 10.000, índice de
0,80; 8 kg.10.000/100.000 kg); o elefante corpo de 8 toneladas, cérebro de
cinco quilogramas (i = 6,25); o golfinho corpo de 150 kg e cérebro de 1,5 kg (i
= 100,00); o ser humano corpo de 70 kg, cérebro de 1,4 kg (i = 200,00). O
índice 10.000 foi escolhido para produzir números em torno de um.
RELAÇÕES
·
Humano/baleia:
250/1
·
Golfinho/baleia:
125/1
·
Humano/elefante:
32/1 PARENTESCOS CORPORAL
·
Golfinho/elefante:
16/1 PARENTESCOS MENTAL
·
Elefante/baleia:
8/1
·
Humano/golfinho:
2/1
Aparentemente teríamos semelhança
mental com os golfinhos (fora os primatas, que estão no mesmo patamar nosso) e
corporal com os demais – interprete por si mesmo a lista.
Entrementes, devemos considerar ainda
as circunvoluções cerebrais, a compactação dos neurônios num espaço menor; o
cérebro humano é altamente convoluto, fechado topologicamente, cabendo muito
mais capacidade de elaborar programas no GAP (gerador de autoprogramas) que nas
demais espécies. Por outro lado, o cérebro humano é largamente ocupado pelo que
chamei de "sentidos internos", a correspondência interna dos nossos
sistemas externos: ao sistema visual externo (olhos, nervos óticos, etc.)
corresponde um sistema visual interno, uma porção do cérebro que está encarregada
de interpretar os dados que vem de fora. Temos pés e mãos altamente
especializadas, enquanto a baleia tem cauda e nadadeiras, que necessitam de
muito menos operações. Em todo caso, nadar na água é muito menos exigente que
andar em terra e deparar com todos os obstáculos corporais e mentais – por
outra, o cérebro da baleia, que é grande, (8,0/1,4 =) 5,7 vezes o nosso, é
MUITO MENOS exigido, de modo que pode sobrar mais para as tarefas propriamente
mentais, de lidar com símbolos. E incomparavelmente mais no golfinho, de modo
que a relação de 2/1 entre nós e eles pode ser bastante enganadora. E assim por
diante, de maneira que essa questão não me parece mais fechada ou determinada
tanto quanto me parecia tempos atrás, pelo contrário, parece agora inteiramente
aberta e indeterminada, sujeita a muitas discussões depois das referidas
medidas re-identificadoras.
Acho que Sagan 1977 (e antes Jerison
1973) deve ser rediscutido e que as pesquisas devem se centrar nas variáveis
CONJUNTOS (humanos, primatas, golfinhos, elefantes, baleias) versus AMBIENTES
que são freqüentados. SE as baleias andassem em terra poderiam ser tomadas como
idiotas, mas isso não acontece; ENTÃO, o peso ambiental deve ser considerado.
Mesmo os elefantes, que andam em terra, não têm mãos nem pés, e sua tromba não
é tão especializada quanto nossas mãos. O fator ou multiplicador ESPECIALIZAÇÃO
deve ser levado em conta.
Vitória, domingo, 07 de dezembro de
2003.
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